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quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Canções de Elvis ganham versões em latim na Finlândia

Um cantor e acadêmico finlandês traduziu alguns dos maiores sucessos de Elvis Presley para o latim, a língua oficial do Império Romano.
Jukka Ammondt criou versões como a da canção Can't Help Falling In Love - que, em latim, ganhou o título Non Adamare Non Possum -, ou Surrender, que virou Nunc Aeternitatis.
"A lenda de Elvis Presley vive para sempre e, claro, é muito importante cantar as músicas de Elvis em latim, pois o latim é o idioma eterno", afirmou Ammondt.
A iniciativa do cantor e acadêmico ressalta a predileção da Finlândia, que atualmente ocupa a presidência rotativa da União Européia, pelo idioma clássico.
Internet
A Finlândia é o único país no mundo que transmite notícias em latim. Em sua página na internet da presidência da União Européia, é possível até encontrar relatórios de reuniões no idioma.
Mia Lahti, que edita a página na internet, é, como muitos finlandeses, uma otimista em relação ao idioma.
"A página é em inglês e francês", afirma Lahti. Mas também consta da página o Conspectus rerum Latinus ou "Resumo das Notícias em Latim".
"Eu sei que existem pessoas insatisfeitas pois, por exemplo, durante a infância eles foram obrigados a ler em latim. Mas também acho que pode ser interessante ler um noticiário em latim", afirma.
"Vingança"
Segundo as estatísticas, mais pessoas assinam à newsletter em latim do que em francês.
Os finlandeses estão claramente se vingando do presidente francês Jacques Chirac, que em uma ocasião afirmou que a culinária finlandesa era a pior da União Européia.
O boletim de notícias em latim, na rádio nacional do país, atrai 75 mil ouvintes. O que pode não soar como muito, mas, em um cálculo per capita, a audiência é maior do que a de alguns programas de rádio da BBC na Grã-Bretanha.
"Em latim temos mais ouvintes no mundo do que para transmissões em finlandês", explica o professor Tuomo Pekannen, que faz as traduções.
"Latim é mais conhecido em outros países do que o finlandês", acrescenta.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Anos 60

Hollywood bons e maus momentos
No período de
1960 até 1965, os seus filmes são um grande sucesso de público no mundo inteiro. Alguns críticos mais generosos, ainda que implacáveis acerca da qualidade duvidosa das películas, clamavam por melhores oportunidades e personagens para Elvis Presley que, entretanto, envolvido em uma ciranda mercadológica, não se dispunha a aprender o ofício e freqüentar Escolas de Artes Cênicas confiáveis, para aprimorar-se no ofício - a exemplo de Marlon Brando, e muitos outros. Ainda assim, sua versatilidade esteve presente e vários gêneros foram visitados, sendo elogiado por algumas de suas performances, mesmo os roteiros não sendo avaliados como satisfatórios, ou seja, ele fazia a sua parte com méritos, mesmo não possuindo material de qualidade - entre os gêneros apresentados em seus filmes podem ser destacados, "musical", "faroeste", "drama" e "comédia" - os maiores e melhores destaques nesse período foram, Flaming Star (1960), Wild In The Country (1961), Follow That Dream (1962), Kid Galahad (1962), Fun in Acapulco (1963), Viva Las Vegas (1964), Roustabout (1964). A partir de 65, seus filmes e trilhas-sonoras perderam qualidade drasticamente, configurando período de grande alienação e tédio pessoal para o artista. Durante as filmagens de "Viva Las Vegas", em 1963, os protagonistas, Elvis e Ann-Margret, sueca de beleza estonteante, apaixonaram-se intensamente; o que legou bons resultados ao produto final. E muita especulação na mídia. O filme "Viva Las Vegas" é considerado um de seus melhores momentos no cinema, sendo muito elogiado até os dias atuais.
Elvis Presley e The Beatles
No dia
27 de agosto de 1965, Elvis e a banda inglesa The Beatles se encontraram em âmbito doméstico, sem evidências, até agora, de qualquer produto áudio/visual relevante. A única imagem alusiva ao encontro de Elvis e Beatles é uma foto em que John Lennon aparece saindo da casa de Elvis. No documentário The Beatles Anthology, de 1996, os ex-beatles Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, confirmaram jamais terem tocado com Elvis, e que somente John Lennon o fizera. No mesmo documentário, Ringo, para os biógrafos confiáveis, a grande estrela da noite em simpatia e camaradagem geral, comentou ter jogado futebol com Elvis.
Virada na carreira
Apesar da fase de pouca qualidade em seus filmes e respectivas trilhas-sonoras, o ano de
1967 será lembrado pelo lançamento do disco que seria considerado um "divisor de águas" na carreira de Elvis, o gospel How Great Thou Art; decorrente de radical mudança em sua produção musical. O álbum surpreendeu o mundo, gradativamente, transformou-se em um grande sucesso de crítica e público; sendo, posteriormente, agraciado com um honroso Grammy, o Oscar da música. De alguma forma, o fonograma - de grande qualidade - e seus resultados, aguçou e excitou musicistas, produtores, fãs e o grande público. Bem produzido e com peças esmeradas, Elvis Presley dera indícios de sua vitalidade e criatividade, ainda em franca ascensão e plena maturidade musical. Fundou-se, portanto, um tempo de bons arranjos e melhor seleção musical. Ocorreram profundas mudanças em seus tons, na própria tessitura vocal e, conseqüentemente, em seus registros. Gradativamente, a própria extensão seria privilegiada, com comprometimento da afinação. No mesmo ano, Elvis Presley finalmente casou-se com Priscilla Beaulieu, já residente em Graceland, Memphis, desde meados da década, o matrimônio foi realizado na cidade de Las Vegas. Nesse período, entre 1967 e 1968, foram lançados alguns compactos muito elogiados; realmente, enormemente criativos e interessantes - goste-se ou não de Elvis Presley, reconhecerão seus ouvintes. Tudo devido as sessões de gravação ocorridas ainda em 1966, mais precisamente em maio e junho, onde o repertório foi sendo aprimorado qualitativamente, gerando além do álbum "How Great Thou Art", outras canções de bom nível como "Indescribably Blue", "I'll Remember You" e "If Every Day Was Like Christmas". O mesmo pode ser percebido em 1967 em canções como "Suppose", "Guitar Man", "Big Boss Man", "Singing Tree", "Mine", "You'll Never Walk Alone". No período de 66/67, Elvis realiza várias sessões caseiras, onde ele interpreta várias canções de vários estilos e épocas distintas, mostrando um talento intuitivo e natural, no entanto, essas gravações só cairam no conhecimento do público, em sua grande maioria, no final da década de 90.
Elvis NBC TV Special
Em
dezembro de 1968, Elvis Presley apresentou-se nacionalmente para a televisão norte-americana, o Elvis NBC TV Special; em um mega-programa que, a posteriori, seria considerado o primeiro acústico da história. Em performance considerada até os dias atuais como magistral, Presley foi aclamado pelo público e crítica especializada. Coronel Tom Parker, lendário empresário do artista, vislumbrara um programa piegas, tradicional e conservador, no entanto, devido a grande empatia estabelecida entre Presley e o então jovem produtor Steve Binder, realizou-se um espetáculo contundente e ousado; inclusive com cenas interditadas pela "Censura Federal" daqueles idos. Um trabalho reconhecidamente antológico e pioneiro. Foram apresentados clássicos dos anos 50, algumas músicas da década de 60 e, ainda outras, inéditas. "Tiger Man" (lançada no disco Elvis Sings Flaming Star), "Baby, What You Want Me To Do", "Up Above My Head", "Nothingville", "If I Can Dream", "Memories" e "Saved", estiveram no roteiro, de um programa dividido em sets; entre "jam sessions" eletrizantes e performances clássicas em cenários monumentais e arranjos grandiosos - elaborados pela competente orquestra da NBC. Elvis Presley atingira maturidade artística.
A volta aos espetáculos
No ano de
1969, Elvis retornou aos palcos, após 8 anos de afastamento voluntário do contato direto com o público. O lugar escolhido foi Las Vegas, onde passou a realizar várias temporadas anuais regularmente; aclamadas pela crítica e público. Vegas, seria, em verdade, sua grande escola. Elvis não fora "crooner", não passara anos a fio cantando na noite e saíra do anonimato para o esplendor em muito pouco tempo. Nos anos 50, suas apresentações explosivas eram, em verdade, espontâneas e intuitivas; tão fascinantes como, de certa forma, ingênuas e amadoras. Pois, a partir deste 1969, Elvis Presley amadureceria sua performance e tornar-se-ia um cantor experiente e com domínio cênico, além de ser avaliado como fantástico pela crítica da época, além de profissional e exuberante. E excêntrico, com suas roupas ainda mais estravagantes e estilizadas. O ano de 1969 também seria marcado por sessões de gravação muito produtivas e pela escolha de um repertório e equipe musical de grande qualidade. A resposta foi imediata: "Suspicious Minds", "In the Ghetto" e "Don't Cry Daddy" tornam-se "big hits" em todo o mundo. Por razões contratuais, concluiu seus últimos filmes de ficcção, que pouco interesse despertaram, tampouco a um Elvis reinventado em criatividade, vigor e emoção!
http://pt.wikipedia.org/wiki/Elvis_Presley#Biografia

sábado, 21 de outubro de 2006

No céu com Elvis

Fãs congregados em seitas chamadas presleyterianas adoram o rei do rock and roll como o filho de Deus
Em Graceland – a mansão onde Elvis morou em Memphis (no Tennessee, não no Egito), hoje transformada numa lucrativa mistura de tumba faraônica, shopping center religioso e meca do rock – a decoração natalina permanece por mais alguns dias para que dezenas de milhares de fãs comemorem seu nascimento em 8 de janeiro de 1935. A expectativa para este ano é de que a maluquice se repita em uma escala maior. Até porque o culto ao rei está tomando proporções inacreditáveis. Em seu nome estão sendo fundadas seitas e uma nova versão do testamento circula com Elvis tal qual Jesus. A peregrinação não é só mental. Imitadores têm se submetido a cirurgias plásticas para se transformar em cópias do ídolo. O rei do rock and roll morreu em 16 de agosto de 1977. Mas este não foi o final da história – a morte de Elvis Aaron Presley, na verdade, representou mais um grande passo na sua gloriosa carreira. Como acontecia com os faraós, Elvis deixou de ser rei para tornar-se uma divindade, um santo adorado pelos fãs de todo o planeta – e com isso conseguir vender mais discos e bugigangas do que quando estava vivo. Quando morreu, seu patrimônio foi avaliado em US$ 7 milhões. Hoje, os negócios que usam seu nome em vão geram US$ 300 milhões por ano. Elvis Presley nasceu numa família pobre na cidadezinha de Tupelo, Mississippi, o gêmeo sobrevivente de um parto difícil. A vida do filho único e precioso de Vernon e Gladys Presley foi o sonho americano. De um berço humilde ele se ergueu para se tornar o maior astro mundial da música pop. E agora ele está sendo transformado em um messias, sua vida sendo comparada à de Jesus Cristo. Elvis veio ao mundo numa gelada noite de inverno, em um barraco de madeira pouco maior do que um estábulo. Seu pai, que era meio miolo mole, contou que no instante do seu nascimento “uma forte luz azul brilhou sobre a casa”. E um livro intitulado The new, improved testament, que faz uma releitura do Novo Testamento, afirma que três bluesmen apareceram guiados por essa luz levando oferendas ao recém-nascido: guitarra, pasta de amendoim e anfetaminas.
Obra divina – O próprio Elvis acreditava que seu súbito e avassalador sucesso só podia mesmo ser obra divina e, talvez pelo efeito das drogas que consumia, estava convencido de que era mesmo um messias, um daqueles seres privilegiados que surgem uma vez a cada milênio para iluminar uma civilização. Hoje seus devotos se autodenominam “presleyterianos” e estão abrindo igrejas em lugares “sagrados”, como Memphis e Las Vegas, e na Internet. Não se pode saber entre os presleyterianos quem está enganando quem. A Primeira Igreja de Jesus Cristo Elvis foi fundada pelo artista Chris Ryell, que criou imagens de Presley no estilo católico clássico, sobrepondo o rosto do cantor ao de Jesus. A Primeira Igreja Presleyteriana de Elvis o Divino, em Denver (Colorado), proclama representar “a única religião que será importante no próximo milênio”. O negócio não surgiu como uma igreja de verdade, mas acabou ganhando vida própria e está sendo levada cada vez mais a sério – tanto que está reivindicando junto ao Congresso americano um feriado nacional em homenagem ao rei do rock. O dia do seu aniversário é a data proposta. “A falta de um feriado para Elvis é uma desgraça nacional”, lamenta o dr. Karl Edwards, co-fundador da igreja. “Um selo de correio não basta; os Estados Unidos devem reconhecer a poderosa obra de Elvis com um feriado oficial. Precisamos trazer o país de volta ao sagrado Espírito do Rock.” Aproveitando o embalo, o dr. Edwards ainda questiona o valor de outros feriados do calendário americano que homenageiam uma variedade de figuras históricas. “Quantos discos de ouro teve George Washington?”, provoca. Ele ainda espera contar com o apoio presidencial e argumenta: “Bill Clinton até se parece com o Elvis gordo dos últimos anos e tenho certeza de que ele é um presleyteriano devotado.”
Sacerdócio – Mas a divindade do rei está mais bem traduzida por um simbolismo que ultrapassa a noção de ícone da Idade Média, quando em vez de estátuas numa igreja temos como emblema da sua santidade uma legião de efígies vivas em seus imitadores. Essas esquisitas figuras nascidas do culto a Elvis, que só encontram paralelo nos emuladores de Charles Chaplin, não são simples imitadores, mas replicantes que rezam segundo o evangelho de São Xerox. Algumas dessas efígies humanas são tão dedicadas à identidade do ídolo que, como os transexuais, submeteram seus corpos à cirurgia plástica para realçar ainda mais a semelhança com Elvis. Para muitos fãs, esses imitadores de Elvis tornaram-se uma espécie de sumo sacerdotes da nova religião. David Moore, por exemplo. Ele imita Elvis em sua fase crepuscular e diz que faz isso por vocação: “Desde quando tinha cinco anos, sinto uma forte ligação com Elvis e quero que as pessoas saibam como aquele homem era bondoso.” Como outros fãs, Moore dedica-se a trabalhos de caridade em memória de Elvis, mas seu sacerdócio não chega a ser como o de alguns imitadores de Memphis e Las Vegas, que realizam casamentos em nome de Elvis. O reverendo Tommy Foster é o responsável pela Primeira Igreja dos Imitadores de Elvis, em Memphis, com altares e santuários dedicados ao cantor. “No dia dos namorados casamos até 30 casais”, orgulha-se ele. Em Vegas, casamentos são celebrados por um Elvis balofo cantando Viva Las Vegas e com os casais trocando votos recitando as letras de suas canções românticas. Imagens, peregrinações e locais sagrados são comuns a quase todas as tradições religiosas. Mas as comparações não param por aí. O fã Robert Campbell nos fala das revelações de Elvis e suas visões apocalípticas. Ele garante que Elvis é Emanuel, “o único filho gerado que Deus prometeu nos enviar”, e acredita piamente que ele irá voltar para o juízo final, o que deve acontecer dentro de uns dez anos. Campbell compara as escrituras sagradas com a vida de Elvis. “Na Bíblia está escrito que quando Cristo foi posto em seu túmulo, foi envolto em uma mortalha. Elvis foi enterrado em uma mortalha de cobre. Cristo foi enterrado por seu amigo José e quem cuidou do funeral de Elvis foi seu amigo Joseph B. Samuel. Cristo ressuscitou três dias depois e o corpo de Elvis foi ‘sequestrado’ três dias depois de enterrado e desde então tem sido visto por muitas pessoas.” Os fãs estão mitificando Elvis e tentando expressar em linguagem religiosa o que ele significava para suas vidas, exatamente como foi feito com Jesus Cristo e Maomé. Apesar de parecer muito estranho, essas pessoas estão convictas de haver encontrado o sagrado em Elvis Presley. E, por Elvis ser um ícone do século XX, ele continua vivo em seus filmes e em sua música, podendo ser ressuscitado por qualquer um apenas com o toque de um botão. LU GOMES
http://www.terra.com.br/istoe/comport/2000/01/06/001.htm

No céu com Elvis

Fãs congregados em seitas chamadas presleyterianas adoram o rei do rock and roll como o filho de Deus
Em Graceland – a mansão onde Elvis morou em Memphis (no Tennessee, não no Egito), hoje transformada numa lucrativa mistura de tumba faraônica, shopping center religioso e meca do rock – a decoração natalina permanece por mais alguns dias para que dezenas de milhares de fãs comemorem seu nascimento em 8 de janeiro de 1935. A expectativa para este ano é de que a maluquice se repita em uma escala maior. Até porque o culto ao rei está tomando proporções inacreditáveis. Em seu nome estão sendo fundadas seitas e uma nova versão do testamento circula com Elvis tal qual Jesus. A peregrinação não é só mental. Imitadores têm se submetido a cirurgias plásticas para se transformar em cópias do ídolo. O rei do rock and roll morreu em 16 de agosto de 1977. Mas este não foi o final da história – a morte de Elvis Aaron Presley, na verdade, representou mais um grande passo na sua gloriosa carreira. Como acontecia com os faraós, Elvis deixou de ser rei para tornar-se uma divindade, um santo adorado pelos fãs de todo o planeta – e com isso conseguir vender mais discos e bugigangas do que quando estava vivo. Quando morreu, seu patrimônio foi avaliado em US$ 7 milhões. Hoje, os negócios que usam seu nome em vão geram US$ 300 milhões por ano. Elvis Presley nasceu numa família pobre na cidadezinha de Tupelo, Mississippi, o gêmeo sobrevivente de um parto difícil. A vida do filho único e precioso de Vernon e Gladys Presley foi o sonho americano. De um berço humilde ele se ergueu para se tornar o maior astro mundial da música pop. E agora ele está sendo transformado em um messias, sua vida sendo comparada à de Jesus Cristo. Elvis veio ao mundo numa gelada noite de inverno, em um barraco de madeira pouco maior do que um estábulo. Seu pai, que era meio miolo mole, contou que no instante do seu nascimento “uma forte luz azul brilhou sobre a casa”. E um livro intitulado The new, improved testament, que faz uma releitura do Novo Testamento, afirma que três bluesmen apareceram guiados por essa luz levando oferendas ao recém-nascido: guitarra, pasta de amendoim e anfetaminas.
Obra divina – O próprio Elvis acreditava que seu súbito e avassalador sucesso só podia mesmo ser obra divina e, talvez pelo efeito das drogas que consumia, estava convencido de que era mesmo um messias, um daqueles seres privilegiados que surgem uma vez a cada milênio para iluminar uma civilização. Hoje seus devotos se autodenominam “presleyterianos” e estão abrindo igrejas em lugares “sagrados”, como Memphis e Las Vegas, e na Internet. Não se pode saber entre os presleyterianos quem está enganando quem. A Primeira Igreja de Jesus Cristo Elvis foi fundada pelo artista Chris Ryell, que criou imagens de Presley no estilo católico clássico, sobrepondo o rosto do cantor ao de Jesus. A Primeira Igreja Presleyteriana de Elvis o Divino, em Denver (Colorado), proclama representar “a única religião que será importante no próximo milênio”. O negócio não surgiu como uma igreja de verdade, mas acabou ganhando vida própria e está sendo levada cada vez mais a sério – tanto que está reivindicando junto ao Congresso americano um feriado nacional em homenagem ao rei do rock. O dia do seu aniversário é a data proposta. “A falta de um feriado para Elvis é uma desgraça nacional”, lamenta o dr. Karl Edwards, co-fundador da igreja. “Um selo de correio não basta; os Estados Unidos devem reconhecer a poderosa obra de Elvis com um feriado oficial. Precisamos trazer o país de volta ao sagrado Espírito do Rock.” Aproveitando o embalo, o dr. Edwards ainda questiona o valor de outros feriados do calendário americano que homenageiam uma variedade de figuras históricas. “Quantos discos de ouro teve George Washington?”, provoca. Ele ainda espera contar com o apoio presidencial e argumenta: “Bill Clinton até se parece com o Elvis gordo dos últimos anos e tenho certeza de que ele é um presleyteriano devotado.”
Sacerdócio – Mas a divindade do rei está mais bem traduzida por um simbolismo que ultrapassa a noção de ícone da Idade Média, quando em vez de estátuas numa igreja temos como emblema da sua santidade uma legião de efígies vivas em seus imitadores. Essas esquisitas figuras nascidas do culto a Elvis, que só encontram paralelo nos emuladores de Charles Chaplin, não são simples imitadores, mas replicantes que rezam segundo o evangelho de São Xerox. Algumas dessas efígies humanas são tão dedicadas à identidade do ídolo que, como os transexuais, submeteram seus corpos à cirurgia plástica para realçar ainda mais a semelhança com Elvis. Para muitos fãs, esses imitadores de Elvis tornaram-se uma espécie de sumo sacerdotes da nova religião. David Moore, por exemplo. Ele imita Elvis em sua fase crepuscular e diz que faz isso por vocação: “Desde quando tinha cinco anos, sinto uma forte ligação com Elvis e quero que as pessoas saibam como aquele homem era bondoso.” Como outros fãs, Moore dedica-se a trabalhos de caridade em memória de Elvis, mas seu sacerdócio não chega a ser como o de alguns imitadores de Memphis e Las Vegas, que realizam casamentos em nome de Elvis. O reverendo Tommy Foster é o responsável pela Primeira Igreja dos Imitadores de Elvis, em Memphis, com altares e santuários dedicados ao cantor. “No dia dos namorados casamos até 30 casais”, orgulha-se ele. Em Vegas, casamentos são celebrados por um Elvis balofo cantando Viva Las Vegas e com os casais trocando votos recitando as letras de suas canções românticas. Imagens, peregrinações e locais sagrados são comuns a quase todas as tradições religiosas. Mas as comparações não param por aí. O fã Robert Campbell nos fala das revelações de Elvis e suas visões apocalípticas. Ele garante que Elvis é Emanuel, “o único filho gerado que Deus prometeu nos enviar”, e acredita piamente que ele irá voltar para o juízo final, o que deve acontecer dentro de uns dez anos. Campbell compara as escrituras sagradas com a vida de Elvis. “Na Bíblia está escrito que quando Cristo foi posto em seu túmulo, foi envolto em uma mortalha. Elvis foi enterrado em uma mortalha de cobre. Cristo foi enterrado por seu amigo José e quem cuidou do funeral de Elvis foi seu amigo Joseph B. Samuel. Cristo ressuscitou três dias depois e o corpo de Elvis foi ‘sequestrado’ três dias depois de enterrado e desde então tem sido visto por muitas pessoas.” Os fãs estão mitificando Elvis e tentando expressar em linguagem religiosa o que ele significava para suas vidas, exatamente como foi feito com Jesus Cristo e Maomé. Apesar de parecer muito estranho, essas pessoas estão convictas de haver encontrado o sagrado em Elvis Presley. E, por Elvis ser um ícone do século XX, ele continua vivo em seus filmes e em sua música, podendo ser ressuscitado por qualquer um apenas com o toque de um botão. LU GOMES
http://www.terra.com.br/istoe/comport/2000/01/06/001.htm

Música em Tons de Azul

Terça-feira, 21 de Março de 2006 - Na década de 60, quando os Rolling Stones estavam no auge da sua popularidade, decidiram gravar alguns temas em Chicago, nos estúdios da Chess Records, a mítica editora de blues. Os Stones eram fãs de bluesmen da Chess, como Muddy Waters, Bo Diddley, Willie Dixon, ou até Chuck Berry, e até o nome da banda tinha sido inspirado numa música de Muddy Waters. Chuck Berry, um dos pais do rock'n'roll, autor de Johnny B. Goode, circulava então pelas imediações do estúdio. Reza a história que, depois de ouvir os imberbes Stones ensaiarem, disparou "You nearly got it", algo como "vocês quase que o compreenderam". Chuck Berry referia-se ao blues, um som que tem as suas raízes profundamente enterradas na África de onde partiram milhares de escravos. O folclorista Alan Lomax, conhecido por gravar entusiasticamente centenas de bluesmen, desde a década de 30, referiu no seu livro The Land Where The Blues Began, que o blues era "notável entre todas as obras de arte humanas pelo seu profundo desespero". O som que dava voz ao sofrimento que prevalecia nos campos de trabalho do Sul dos EUA era ainda desprovido de qualquer instrumento musical e recorria apenas às vozes. A guitarra, hoje indissociável da imagem do blues, só se tornou comum na viragem do século XX. Nas décadas de 30 e 40, os negros do Sul dos EUA começam a migrar para o Norte, tentando deixar para trás a segregação. Cidades como Memphis ou Chicago são os principais destinos. Na grande cidade a guitarra electrifica-se e bluesmen como Muddy Waters, Otis Rush ou B.B. King vendem milhares de discos, ainda que a rádio não passe a chamada negro music e esta não seja vendida nas lojas. O jazz, um dos géneros a surgir do blues, e tocado também por negros, marcava presença nas lojas de discos e enchia teatros. Qual a diferença então? Leonard Chess, um dos fundadores da Chess Records, dizia num documentário que o blues era sexo. Era a sensualidade cantada, dançada e espicaçada. Com o surgimento do rock'n'roll, filho mulato do blues e da tradição do hillbilly country, irrompe também Elvis Presley. Oriundo de Memphis, o primeiro disco que grava é exactamente uma versão de That's All Right Mama, original do bluesman Arthur "Big Boy" Crudup. Presley abre as portas ao blues e estas ficam definitivamente escancaradas quando bandas britânicas como os The Rolling Stones chegam aos EUA, afirmando publicamente que as suas maiores influências são bluesmen como Muddy Waters ou Howlin' Wolf. Fat Possum. Tem o logo de uma doninha gorda a remexer no lixo, grava músicos que já estiveram na cadeia, e os que nunca viram o sol aos quadrados, são responsáveis por episódios mais sórdidos que os elementos dos Sex Pistols e do Rat Pack juntos. A Fat Possum é uma editora de blues invulgar e é, ao mesmo tempo, a responsável por um certo novo fôlego no universo do blues. O presidente da editora e um dos seus fundadores, Mathew Johnson, admite que não esperava que a Fat Possum Records sobrevivesse aos anos iniciais. O então estudante universitário viajava amiúde ao chamado North Ill Country Mississippi, só para ver actuar Junior Kimbrough e R.L. Burnside. Com a vontade de gravar os anónimos bluesmen, fundou a editora. "Estamos no meio de ne-nhures, a auto-estrada só chegou cá há poucos anos", refere Johnson, para explicar a lacuna de gravações de blues do North Mississippi Hill Country. O isolamento ditou que apenas recentemente se começassem a conhecer mais dos blues local, cru, dançável e hipnótico quase sempre. Confesso "odiador de blues da treta como Stevie Ray Vaughan", Johnson tem gravado bluesmen e um estilo em extinção, que não prima pelo respeito por afinações ou grandes performances guitarrísticas. Para Johnson, "este blues está a morrer, e já quase desapareceu". - texto de: Mário Guerreiro

http://cantinho_mario.blogs.sapo.pt/

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Elvis Presley e The Beatles -

No dia 27 de agosto de 1965, Elvis e a banda inglesa The Beatles se encontraram em âmbito doméstico, sem evidências, até agora, de qualquer produto áudio/visual relevante. A única imagem alusiva ao encontro de Elvis e Beatles é uma foto em que John Lennon aparece saindo da casa de Elvis. No documentário The Beatles Anthology, de 1996, os ex-beatles Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, confirmaram jamais terem tocado com Elvis, e que somente John Lennon o fizera. No mesmo documentário, Ringo, para os biógrafos confiáveis, a grande estrela da noite em simpatia e camaradagem geral, comentou ter jogado futebol com Elvis.

domingo, 15 de outubro de 2006

ENTREVISTA COM ELVIS PRESLEY - 28 DE AGOSTO DE 1956

Legendas: Capa da revista Elvis Answers Back! e algumas das fotos publicadas.
Local: Estúdio da 20th Century-Fox, Hollywood, Califórnia

Conteúdo:
Sobre o “Criticismo”
Sobre o “Espectáculo”
Com que Então, Nunca Estou Nervoso, Heim?
A Minha Miúda Especial
O Quê, Não Tive Lições de Canto?
O Livro de Recortes Verde
A Minha Maior Ambição
As Minhas Patilhas
A Minha Verdadeira Religião
Será que Mudei?
Vou Representar como Quem?
Será que Sei Mesmo Tocar Guitarra?
Será que Digo Mesmo Todas Aquelas Coisas?
Sobre Parques de Diversão
Porque Motivo Canto como Canto?
E Agora, que Mais Posso Dizer?
Mudança de Morada

Olá! Daqui é o Elvis Presley! Bem, finalmente estou a ter a oportunidade de me sentar e falar convosco, para falar à vontade e dizer-vos tudo o que tenho no pensamento. Já há muito tempo que andava a querer falar-vos de mim. E agora que tenho a oportunidade de vos falar directamente, espero que não se importem se desabafar um pouco sobre algumas coisas. Coisas que acho que vão entender, muito embora saiba que muita gente não entende. Quero dizer-vos à minha maneira e com as minhas palavras porque motivo faço as coisas que faço e porque me sinto da forma que sinto. E sei que se me pudesse sentar sozinho convosco algures, se pudesse falar convosco de forma pessoal, me entenderiam.

É por isso que fiz o disco dourado para a capa desta revista. Na indústria discográfica, dar um disco de ouro tem um significado especial. É como se fosse um anel de noivado ou um carro novo ou ainda mil dólares. Não damos estas coisas a toda a gente. Quando damos um disco de ouro a alguém, está a dizer-se, “Isto é algo muito importante para mim, algo muito especial… de mim para ti.” E é assim que me sinto em relação a este disco da revista. E é por isso que é dourado. E foi por isso que o quis fazer assim. Porque quis, acima de tudo, de ter uma oportunidade de me juntar a vocês!

Um dos maiores divertimentos que tive na vida foi fazer este disco dourado especial para vocês. Quis que dissesse exactamente como me sinto e ouvi-o vezes sem conta, entanto certificar-me que saía mesmo bem. Sabem, uma das coisas que escrevem sobre mim é que tento fazer tudo de forma perfeita. Talvez às vezes me esforce demasiado. Mas eles têm razão. Sinto que tenho de fazer o meu melhor, seja o que for. E aposto que vocês também se sentem assim.

Sobre o “Criticismo”

Quando comecei a actuar ao vivo nas primeiras vezes, toda a gente se sentia feliz. Todos os miúdos vinham e divertiam-se, libertando imensa energia, sem ninguém se magoar. Foi assim durante mais ou menos dois anos. Continuei a cantar as canções que as pessoas gostavam e continuei a fazer o que sempre tinha feito sobre o palco.

Mas durante os últimos seis ou sete meses, tenho recebido criticismo por parte de muitas pessoas por “me perder” nas minhas actuações, por cantar da forma que canto sobre o palco. Não consigo realmente entender. É a única coisa que posso dizer, é a única explicação que tenho.

Legendas: Elvis ao vivo em vários locais. Clique sobre as fotos para ver versões ampliadas.

Tenho estado a fazer o mesmo desde que comecei a cantar ao vivo, durante pelo menos dois anos e meio, até agora. E tem sido apenas durante os últimos meses que tenho sentido o criticismo. Por isso calculo que seja porque os meus discos ficaram mais conhecidos. Calculo que quanto mais famoso se é, mas criticismo se recebe. Se ainda estivesse a actuar num Festival de Música qualquer em Memphis, ninguém se iria importar com o que eu fazia ou cantava. Mas agora, como conheço cada vez mais pessoas e canto cada vez em mais sítios com mais frequência, é uma história diferente.

Mas posso dizer-vos isto. Não faço quaisquer esquemas de movimentos para as canções que canto, como já ouvi algumas pessoas dizer. Canto como canto e ajo como ajo porque para mim é natural fazê-lo enquanto canto. Não o faria se achasse que não era a coisa mais adequada de se fazer, ou se achasse que prejudicava alguém com isso. Se achasse isso, fazia as malas, voltava para casa e nunca mais cantaria uma única nota.

Sobre o “Espectáculo”

E há também outra coisa, que acho que as pessoas deviam tentar aperceber-se. Há uma grande diferença entre cantar num disco e cantar para um público. As pessoas podem ficar em casa e ouvir os seus discos ou a ouvir rádio, que não lhes custa nada. Mas quando pagam do seu dinheiro para vir ver alguém numa actuação ao vivo, estas pessoas querem ver um espectáculo. Pagam do seu dinheiro para ver algo com vida, não apenas ouvir o que ouvem num disco. Se eu ficasse parado à frente de um público e não fizesse mais nada para além de cantar, estaria a agir mal. Não me divertiria, nem seria capaz de me divertir se fizesse isso. E o público iria aperceber-se disso. Iam sentir que não estava a gostar do que estava a fazer e não voltariam para me vir ver da próxima vez.

Com que Então, Nunca Estou Nervoso, Heim?

Uma das coisas que dizem sobre mim é que nunca estou nervoso. Dizem que não me preocupo com nada e dizem que durmo entre oito a dez horas de sono por noite. Quem me dera que tivessem razão.

Mas não têm. Sempre fui nervoso, toda a minha vida. E agora, que estou sempre a actuar ao vivo, fico com tanta energia que não sou capaz de me descontrair. Depois de um espectáculo vou para o meu quarto de hotel e vou para a cama para tentar dormir. Mas vocês sabem como é difícil, tentar dormir num quarto e numa cama estranhos longe de casa, principalmente quando se está tão nervoso e eléctrico. Vou para a cama de noite, fecho os olhos e fico para ali deitado. E depois começo a dar voltas. E reviravoltas. E passam-se duas horas nisto e não consigo dormir nada. Dizem que aprendemos a descontrair conforme vamos ficando mais velhos. Espero que tenham razão.
Legendas: Elvis no seu quarto, longe de casa. Clique nas fotos para visualizar versões ampliadas.

Não consigo evitar. Às vezes sinto-me inquieto. Não sei o que é. Talvez seja porque nunca estive tanto longe de casa, dos meus familiares e dos meus amigos durante tanto tempo. Não sei. Mas é uma sensação estranha. Uma sensação de solidão. Acho que toda a gente já sentiu isso a um dado momento na vida.

Gosto do sol, do ar livre e de nadar. Mas tenho de ter cuidado com o cloro, pois sou alérgico. É por isso que não utilizamos cloro na piscina que mandámos construir lá em casa. Os miúdos da vizinhança adoram a piscina. Estão sempre a aparecer lá por casa. E a mãe, a minha rapariga preferida, também está a aprender a nadar.

A Minha Miúda Especial

Sei o que têm lido sobre aquela “miúda especial” que eu tenho lá em casa, em Memphis. Leram que andamos juntos durante a escola secundária e que já namoramos seriamente durante os últimos três anos. Eu sei. Também já li coisas sobre ela. Mas isso é a única coisa que sei a seu respeito, porque para vos dizer a pura verdade, não tenho uma miúda especial. Nem agora, nem nunca. Nunca saí com uma rapariga durante três semanas, ou três meses, seguidos, quanto mais três anos. E agora, com todas as viagens que faço e o trabalho que tenho, não tenho muito tempo para namorar. Claro que gostava, mas não tenho mesmo tempo.
Legenda: Elvis com Dixie Locke, a sua namorada fixa durante mais de um ano, muito embora ele afirme nesta entrevista que nunca teve uma miúda especial durante mais de três meses/semanas. Clique na foto para ver uma versão ampliada.

Quando de vez em quando volto para casa, em Memphis, é mais fácil para mim sair com raparigas porque ainda conheço muitas raparigas com quem andei na escola. Mas nunca namorei seriamente com nenhuma delas. Sempre nos divertimos muito todos juntos e é tudo o que tenho a dizer sobre qualquer “miúda especial”.

Talvez nem sempre venha a ser assim. Espero que não.

Sim, telefono aos meus pais em Memphis com muita frequência. Quase todos os dias. Mas gosto de saber como estão e como estão as coisas. E não tenho muito tempo para escrever, por isso prefiro telefonar. Sabe mesmo bem ouvir as suas vozes. Às vezes faz-me sentir um bocadinho saudades de casa.

Não sou um solitário, acho que não. Mas tenho de admitir. Por vezes gosto de me afastar sozinho. Sabem como é. Ir sozinho para qualquer lado. Sem multidões, sem nada. Onde só haja sossego. E silêncio. E possa pensar.

O Quê, Não Tive Lições de Canto?

Não. Nunca tive uma lição de canto na minha vida. De facto, nunca tive qualquer lição ligada a música. Comecei a cantar quando era miúdo, como vos contei, e é o que tenho feito desde então. Tinha 11 anos de idade quando me apresentei à frente de um público a sério pela primeira vez. Foi numa feira na cidade onde nasci, Tupelo, no Mississippi. Eu tremia que nem varas verdes, mas estava determinado a cantar e nada neste mundo me teria feito impedir de avançar e entrar no concurso de talentos da feira. Fiz tudo sozinho e não tinha ideia nenhuma do que devia fazer quando me vi à frente daquela gente toda. Só o que tinha na cabeça é que tinha de cantar.

Não tinha nenhuma música ou acompanhamento comigo e não consegui arranjar ninguém para tocar um instrumento para mim. Eu não sabia tocar nada na altura. Então limitei-me a ir para o palco e a cantar. Cantei uma canção chamada Old Shep, que conta a história de um cão e sei que devem ter sentido pena de mim porque me deram o quinto prémio e toda a gente me aplaudiu com muita simpatia. Caramba, mas digo-vos que estava realmente assustado e a tremer por todos os lados. Mas também me senti bem. Era a primeira vez que tinha pisado um palco.

Legenda: Elvis, sobre o palco da Mississippi-Alabama Dairy Fair Show, tendo ganho o quinto prémio do concurso de talentos, a cantar Old Shep. Clique na foto para ver uma versão ampliada.

Depois, quando tinha uns 13 anos, eu e um grupo de miúdos costumávamos brincar juntos, a cantar. Nunca tentei participar em nenhuns dos espectáculos da escola secundária ou algo do género, mas adorava fazer um grande estardalhaço com os outros miúdos. E sabem como é. Tentava coisas diferentes para experimentar a minha voz e as letras das canções. Em pouco tempo, uma pessoa acaba por desenvolver um estilo próprio.

Toda a gente o faz, e não importa se a pessoa queira vir a ser cantor, ou não. Foi assim que adquiri a minha prática a cantar, apenas a fazer experiências e a cantar com os outros miúdos, divertindo-me ao mesmo tempo. E, mais importante, a cantar da forma como me sentia. E para vos dizer a verdade, acho que é a melhor forma de prática que podia ter tido.

O Livro de Recortes Verde

Sim, é verdade que mantenho um livro de recortes com imensas coisas que são publicadas sobre mim. Mas sabem uma coisa? Não guardo os artigos ou histórias que dizem coisas boas a meu respeito. O meu livro só tem coisas que não são muito simpáticas. E vou contar-vos porque é assim.

Quando comecei a trabalhar nesta área, a minha mãe queria guardar todos os programas, fotos e coisas que toda a gente publicava sobre mim nos jornais e revistas. Eu não estava muito interessado em fazer isto, porque andava tão ocupado a cantar, a trabalhar e a aprender que não tinha tempo para me sentar de vez em quando, a meio de alguma coisa, para fazer recortes. Mas a mãe comprou um livro de recortes verde grande e pediu-me para lhe enviar artigos sempre que tivesse oportunidade. Durante o primeiro ano não lhe enviei nada e o livro ficou vazio, sem contar com uns poucos de artigos que ela tirou de jornais de Memphis.

Legendas: Mais fotos retiradas do interior da revista Elvis Answers Back!

Depois um dia vi um artigo sobre mim que dizia que eu não era muito bom cantor. Recortei esse e enviei-o à minha mãe e ela escreveu-me de volta a dizer que não queria encher o meu livro com coisas assim. Mas escrevi-lhe também e disse-lhe, “Mãe, qualquer pessoa pode encher um livro de recortes com coisas boas. Mas para que pode servir? Gostava de saber as coisas que as pessoas não gostam em particular a meu respeito para as poder analisar e tentar melhorar, se puder.” E foi assim que O Livro de Recortes Verde nasceu. Tenho muitas páginas cheias e muitas ainda estão vazias, mas vou dizer-vos outra coisa. Sempre que vou para casa, em Memphis, pego nesse livro e estudo-o. Já sei quase todas as coisas de cor e vou sempre tentar dar o meu máximo para melhorar sempre que possa.

A Minha Maior Ambição

Sei que tive sorte sob muitas formas. Mas acho que a coisa mais afortunada que já me aconteceu foi começar a realizar a minha maior ambição.

Toda a minha vida, sempre quis ser actor, muito embora nunca tivesse participado em peças de teatro na escola ou recitado qualquer excerto de peças senão Gettysburg Address para a minha turma do sexto ano. Mas lá bem no fundinho da minha mente sempre esteve a ideia de um dia, de qualquer maneira, poder ter a oportunidade de representar.

Vim para Hollywood há quase três meses atrás e o Sr. Hal Wallis da Paramount Pictures pediu-me para fazer um teste cinematográfico. Agarrei logo a oportunidade. Lá fui eu fazer o teste e o Sr. Wallis disse-me para não me preocupar em tentar representar como John Barrymore ou outro qualquer. Disse-me para actuar como eu mesmo. Estudei o que queriam que fizesse e antes de me ter apercebido, estava em frente de uma câmara. Interrogo-me se alguma vez irão poder saber o que é estar num palco de som cinematográfico e ouvir uma campainha tocar e toda a gente gritar, “Silêncio” e, de súbito, aperceberem-se que toda a gente está a olhar para vocês e é suposto vocês representarem um papel. Digo-vos uma coisa, é suficiente para sentir as pernas a falhar.
Legenda: Elvis, durante o seu teste cinematográfico em Hollywood.

Sempre que fico nervoso, gaguejo um bocadinho. Tenho dificuldades em dizer “when” (quando) ou “where” (onde) ou quaisquer outras palavras que comecem pela letra “w” ou “i”. Bem, posso dizer-vos que tive muitos problemas com imensos w’s e i’s naquele dia.

Quando o teste acabou, pensava que tinha sido horrível. Mas o Sr. Wallis veio ter comigo e disse-me que coisas como eu falhar algumas letras de algumas palavras, ou gaguejar, na arte de representação, são na realidade, bem vindas… pois faz com que o desempenho pareça mais natural. Eu sorri e agradeci-lhe, mas podem apostar que não lhe disse nada que não tinha gaguejado de propósito! Se aquilo era natural, o que eu tinha feito, e eles estavam satisfeitos com o resultado final, então era óptimo para mim. E também foi um alívio. O meu teste cinematográfico tinha chegado ao fim. Tinha ultrapassado o primeiro passo para realizar a ambição da minha vida.

As Minhas Patilhas

Já ouvi tantas histórias sobre o motivo de ter começado a deixar crescer patilhas que às vezes não consigo evitar de me rir. Uma revista dizia, “… começou a usar patilhas aos 15 anos porque o faziam sentir-se maduro e importante. Ainda as usa pelos mesmos motivos…”

Legendas: Elvis durante alguns intervalos das filmagens de Love Me Tender, onde se podem ver bem as suas patilhas. Clicar sobre as imagens para ver versões ampliadas.
Caramba, aquela revista fez-me rir porque não havia nada de verdade nas coisas que disseram. Que diabo, não poderia ter começado a deixar crescer patilhas aos 15 anos, mesmo que quisesse! Nessa altura nem sequer fazia a barba! Tinha 17 anos quando comecei a deixar crescê-las. E por certo que não me fizeram sentir “maduro e importante” quando começaram a crescer. Deixei-as crescer por um único motivo… porque sempre as admirei. Nunca achei que me fizessem parecer mais velho e certamente que nunca achei que me faziam parecer importante. Nada disso. Só gosto delas, apenas isso. E é por isso que as uso. Muitas pessoas já me perguntaram porque é que não as rapo agora. Mas sabem o que lhes digo? Digo-lhes que comecei neste negócio com patilhas e sou daquele tipo de pessoa que não gosta de mudar de cavalo quando já vai a meio do rio. Todos os meus amigos gostaram de mim com as patilhas, por isso não vejo nenhum motivo porque deva rapá-las. E, oh, sim, também há outra coisa. Ainda continuo a admirá-las muito, da mesma forma que admirava em miúdo.

Também me perguntam porque uso as roupas que uso. Que posso eu dizer? Gosto de roupas bonitas, é só isso. Também gosto de cores. Há algum mal nisso?

A Minha Verdadeira Religião

No outro dia, li isto: “… Presley começou por cantar num coro de igreja, mas a fama fê-lo esquecer-se totalmente da religião…”

Sentei-me logo e recortei isso do jornal, pus dentro de um envelope e mandei-o para a minha mãe pôr no livro de recortes. Já estava à espera que viessem dizer coisas desse género. De que eu não era religioso. Refiro-me a isso. Mas esta era a primeira vez que via isso ser referido.

Bem, não tenho exactamente a certeza o que querem dizer com “religioso” nesse artigo, mas posso dizer-vos algumas coisas. Não acho que tenham razão quando dizem coisas assim. Não, já não vou à igreja com a frequência com que costumava, se é isso que querem dizer quando falam em “religioso”. Por andar sempre em digressão e a viajar a toda a hora em que não estou a trabalhar, nunca posso ter a certeza de quando vou ter um Domingo livre para mim. Quem me dera poder ter, tal como também gostaria de estar mais tempo com os meus pais, mas não posso. Por isso, se acham que ser religioso é ir à igreja com regularidade, então calculo que não encaixo naquilo que querem.

Mas queria que soubessem uma coisa. Acredito em Deus, acredito Nele com todo o meu coração. Acredito que todas as coisas boas vêm de Deus. E isso inclui todas as coisas boas que me têm acontecido a mim e à minha família. E a forma como me sinto em relação a isto, ser religioso significa que se ama Deus e que se está grato por tudo o que Ele deu, e que se quer trabalhar para Ele. Sinto tudo o que estou aqui a dizer, do fundo do meu coração. E rezo para que, caso esteja errado em me sentir assim, que Deus me diga. Porque tudo o que de bom me aconteceu, eu devo-Lhe a Ele.

Será que Mudei?

Acho que toda a gente se interroga como seria se um dia se apresentasse perante um público e ficasse bastante famoso. Lembro-me que costumava pensar nisso, quando andava a conduzir um camião em Memphis. Sonhava sobre ser um sucesso e interrogava-me como a minha vida mudaria se isso algum dia viesse a acontecer. Bem, posso dizer-vos como me sinto agora. Não me sinto em nada diferente de como me sentia antes de tudo isto ter acontecido. Sou como sempre fui.

Claro, calculo que toda a gente diga isto. E muito embora o digam, há muita gente que muda na mesma, sem sequer se aperceber. Mas na realidade, tenho a certeza que não mudei. Nunca senti nenhuma mudança. Sinto-me agora como me sentia há cinco ou dez anos atrás. A única diferença que senti desde então é felicidade, porque tudo ficou melhor para mim… que Deus me tenha abençoado e que me tenha dado tantas das coisas boas e maravilhosas da vida. Espero que eu não venha a mudar. Espero nunca me vir a tornar como algumas pessoas que já vi, que se esquecem que nunca poderia ser bem sucedidas ou felizes sem a ajuda de Deus. E desejo, muito sinceramente, que toda a gente pudesse conhecer o mesmo tipo de felicidade que conheci, devido a tudo isto. É isso que mais desejo, do fundo do meu coração.

Vou Representar como Quem?

Têm saído muitos artigos ultimamente a dizer que eu ia imitar ou copiar o falecido James Dean. Bem, quero esclarecer as coisas em relação a isso.

Tal como já vos disse em relação à forma como canto, não quero copiar ninguém. E o mesmo se aplica à minha forma de representar. Sempre fui um grande admirador de James Dean. Acho que era um dos melhores actores que já vi na vida. Ele e Marlon Brando, e muitos outros que poderia referir. Mas não vou tentar copiar ninguém. Estou a tentar ser eu mesmo na forma como represento, com o meu próprio nome e o meu próprio estilo. Claro que um dia adoraria vir a ser apenas metade do bom actor que James Dean foi. Foi o maior. Mas não vou tentar imitá-lo. Sei que não conseguiria, mesmo que tentasse.
Legendas: Elvis durante uma cena de Love Me Tender; James Dean no filme Giant e Marlon Brando em The Wild One.
E há outra coisa. Há uma revista que há cerca de um mês já me tinha a representar o papel da história de vida de James Dean no ecrã e tudo. Bem, não vou fazê-lo. Seria um grande privilégio ser suficientemente bom para representar o papel de James Dean na história da sua vida, mas certamente que isso não está a ser planeado para agora. Só o que espero é que eu possa trabalhar como actor de uma forma que vos faça sentir orgulho em mim. E quero que saibam que vou estar sempre a tentar dar o meu melhor.

Deixem-me contar-vos uma coisa sobre Hollywood. É realmente um sítio espectacular. Pelo menos, já me diverti muito. Acabei de terminar o meu primeiro filme para a 20th Century-Fox, chamado
Love Me Tender, e sabem? Foi o maior divertimento da minha vida. Fazer filmes é, bem, não sei exactamente como descrever, excepto que é diferente. É algo que sempre quis fazer. E só espero que gostem de mim no grande ecrã já que certamente que eu gosto de fazer filmes para vocês.

Será que Sei Mesmo Tocar Guitarra?

Tem havido outro rumor que, para mim, tem sido divertido. Li numa revista que não sei tocar uma única nota de guitarra e li noutra, na mesma semana, que sou o melhor guitarrista do mundo. Bem, ambas as histórias estão erradas.

Nunca tive nenhumas lições de música, como já vos disse. Mas sempre gostei de música de todos os tipos e de instrumentos musicais. O meu pai comprou-me uma guitarra de loja quando era ainda muito novo. Aprendi a tocar uns acordes nela, mas não tentei ser nada de muito elaborado. Sei tocar guitarra bastante bem e sei também seguir uma melodia se estiver atento. Mas nunca ganhei nenhuns prémios a tocar guitarra, nem nunca vou ganhar.

Quando subi ao palco durante a minha primeira apresentação pessoal, naturalmente que levei a minha guitarra comigo, para me fazer companhia. Utilizei-a como adereço, ou qualquer outra coisa que lhe possam querer chamar. Para mim, naquela primeira actuação ao vivo, foi a melhor amiga que podia ter porque me fez companhia e eu soube que não ia estar para ali sozinho, a fazer figura de parvo. E continuei sempre a levá-la comigo. Agora até tenho uma nova, um presente para mim mesmo, que tem o meu nome gravado nela. Há sempre outro rapaz na banda que toca a maior parte das partes de guitarra. E se observarem com muita atenção numa próxima actuação, verão como funciona. Ele segue os meus movimentos e toca os acordes mesmo na altura certa.


Legendas: Elvis a tocar guitarra durante um intervalo de Love Me Tender; a tocar piano antes de uma das suas apresentações no Steve Allen Show e a tocar bateria para descontrair. Clique nas fotos para ver versões ampliadas.
Mas claro que é natural que, ao longo dos anos, eu tenha vindo a experimentar outros instrumentos. Gosto de bateria e gostava mesmo de vir a ter aulas desse instrumento um dia. Agora só toco bateria por divertimento e às vezes até parece que sei o que estou a fazer. Também gosto de piano, se bem que não ache que toque exactamente como deve ser. Limito-me a carregar nas teclas que me parecem/soam bem. É muito divertido e às vezes toco enquanto canto. Mas nunca ao vivo ou num disco. Não sou assim tão bom. Comprei um órgão electrónico à minha mãe, que agora temos na nossa casa de Memphis. Toda a família vai lá tocar e acho que é a coisa mais fácil de tocar no mundo. Também tem um bom som, quando se está com a disposição de fazer experiências.

Talvez um dia eu venha a aprender a tocar melhor alguns destes instrumentos. Mas por enquanto, ando a experimentar todos os tipos de instrumentos. Como já disse antes, faço isto porque, de tudo o que conheço, a música é o que gosto mais na vida.

Será que Digo Mesmo Todas Aquelas Coisas?

Não estou só a falar dos rumores. Falo das coisas que eles afirmam que eu disse e que às vezes me deitam mesmo abaixo. Não sei porque motivo as pessoas dizem que eu digo coisas que nunca disse, mas é o que acontece por vezes. E fartam-se de falar sobre como os adolescentes de hoje são tão diferentes e tudo o mais. Vou falar com franqueza. Não consigo entender.

E sabem uma coisa? Lamento muito que estas pessoas que tentam pôr palavras na minha boca e tiram as suas conclusões quando me vêem sobre o palco não tentem, em vez disso, entender os miúdos da nossa idade. Lamento que eles não tentem entender que temos imensa energia e que temos de fazer alguma coisa com ela. E se nos mantemos unidos, o principal motivo para isso, é que nos entendemos mutuamente. Assim, podemos ajudar-nos a trabalhar alguma desta energia ao partilhar o que sentimos uns com os outros. Será que isto que fazemos é algo errado? Não consigo acreditar que seja. E aposto que se as pessoas que nos criticam tentassem apenas entender, também não iriam sentir que somos assim tão maus.

Mas digo-vos outra coisa. Acho que não importa o quanto possamos tentar ser justos e bons com as pessoas, vai sempre haver alguém que vai inventar histórias, façamos o que façamos.

Um fulano escreveu numa revista que ele sabia um “segredo” a meu respeito. O seu artigo dizia, “… O segredo de Presley? É simples. É famoso porque faz aquele espalhafato sobre o palco. Sem as suas contorções, não teria qualquer oportunidade no mundo da música.” Interrogo-me sobre o que este homem teria a dizer se lhe dissesse que a maior parte dos meus discos foram comprados por pessoas que nunca me viram em pessoa nas suas vidas!

Sobre Parques de Diversão

Claro que gosto de parques de diversão. Gosto bastante. E gosto de ganhar pandas e todas essas coisas. É quase a única descontracção que tenho quando ando em digressão. Isso e ir ao cinema. E se me perguntarem sobre a comida, dêm-me comida caseira. A minha boca enche-se de água só de pensar nos pequenos-almoços da mãe, de bacon com ovos. Farto-me de os comer quando chego a casa!

Porque Motivo Canto como Canto?

Toda a gente me pergunta: Porque motivo canto como canto? Sei tão bem como vocês o que algumas pessoas andam a dizer. Não sou surdo. E oiço as mesmas coisas que vocês. Elas não gostam de dançar. Não gostam de música western. Não gostam de rock and roll. E não gostam de mim.

Bem, a minha mãe ensinou-me uma coisa desde bem pequenino e que é que toda a gente tem direito a ter a sua opinião. Acredito nisso. E também acredito que não podemos fazer os outros gostar de nós, independentemente do que possamos fazer.

Não consigo explicar. Não consigo explicar o que acontece quando a música começa. Mas acho que sei. Acho que vocês sabem o que é ficar completamente envolvidos com algo, que nos perdemos. E isso é o que cantar e a música me faz a mim. Envolve-me. Faz-me esquecer de tudo o resto, excepto o ritmo e o som. Diz-me mais do que qualquer outra coisa que já conheci na vida e como é bom, maravilhoso apenas estar vivo.

Já canto como canto desde que me lembro. Não sei que estilo lhe dar ou o que lhe chamar. Só sei que canto como canto porque para mim é algo natural.

Muitas pessoas me perguntam, “Andas a tentar imitar alguém, na forma como cantas?” Só lhes posso dizer o que sinceramente sei do fundo do meu coração. Nunca tentei imitar ninguém.

Uma rapariga disse-me que eu a fazia lembrar Johnny Ray, mas ri-me e disse-lhe que não puxo os cabelos nem me rebolo no chão ou algo assim. E nunca tive essa intenção. Não, nunca copiei ninguém e também nunca ouvi ninguém com o meu estilo. Encontrei-o mais ou menos acidentalmente.

Quando fui chamado para gravar o meu primeiro disco, fui para o estúdio e disseram-me o que queriam que cantasse e como. Bem, tentei fazer as coisas à maneira deles, mas não saiu lá muito bem. E então, enquanto a maior parte deles estavam sentados a descansar, dois de nós começámos a brincar com That’s All Right, uma excelente canção com ritmo. Era suposto estarmos a descansar durante dez minutos, por isso aquilo saiu naturalmente. E também saiu bastante bem, pois o Sr. (Sam) Phillips, o homem que era proprietário do estúdio, disse para eu avançar e cantar todas as canções à minha maneira, da forma que sabia melhor. Tentámos e tudo correu muito melhor. Decidiram gravar em disco That’s All Right, e colocaram
Blue Moon of Kentucky no lado B.

Esse foi o meu primeiro disco. Nunca vou esquecer. Mais tarde, como provavelmente devem saber, houve muito falatório sobre as “estremecedelas” que acompanham os meus espectáculos. Também vos quero contar como isso começou.

Quando o Sr. Phillips me chamou para fazer aquele primeiro disco, fui para o estúdio e comecei a cantar. Contam eles que também comecei a saltar e nem me apercebi. As minhas pernas estremeciam todas, mais por estar nervoso e excitado, mas também porque sinto mais a música quando me dou liberdade para me mover. Depois do terceiro ensaio, Scotty Moore, o guitarrista da banda, veio ter comigo e disse, “Ainda estás assustado, Elvis? Tremes por todos os lados enquanto cantas.” Disse-lhe que não me sentia assustado mal a música começava e que nem me apercebia que me mexia tanto enquanto cantava. Disse-lhe que ia tentar ficar quieto durante o ensaio seguinte.
Legendas: Elvis com Scotty Moore, o seu guitarrista, durante um ensaio e com Bill Black, o eu contra baixista, ao vivo. Clique nas fotos para aceder a versões ampliadas.
Mas no ensaio seguinte aconteceu a mesma coisa. Mal a música começou, já não era mais eu. Mesmo que quisesse, não seria capaz de parar de me mexer. Porque todo aquele movimento fazia tanto parte da música para mim como as palavras que estava a cantar. Disse ao Scotty e ele disse, “Tudo bem, então faz o que te parecer natural.” E foi o que fiz desde então.

Depois desse primeiro disco ter sido um sucesso, apareci num grande festival de música em Memphis, a minha cidade, num anfiteatro ao ar livre. Nunca vou esquecer como foi, estar parado nos bastidores, a ouvir todos aqueles artistas excelentes e a saber que teria de ir para lá em apenas dois minutos e tentar ser tão bom como todos os outros. Quando chegou a minha vez, estava completamente morto de medo. Eu e a minha banda lá fomos, instalámo-nos e estávamos prontos para começar. Mas caramba, não éramos capazes de nos mexer! Parecíamos um monte de gente morta, por estarmos com tanto medo. Acho que tínhamos umas quatro a cinco mil pessoas no público e eles olhavam para mim e eu olhava para eles. Depois lá houve alguém na secção do baixo que teve coragem para começar a tocar e os outros foram atrás. Quando me apercebi, já estava a cantar. E depois o público começou a gritar um pouco, depois a gritar imenso, até entrarem bem na onda e todos nos divertimos imenso. Saí do palco e eles aplaudiram e continuavam a chamar-me de volta. Não conseguia perceber porquê. Não fazia ideia nenhuma do que tinha feito que eles tivessem gostado tanto. O meu empresário deu-me um empurrão em direcção ao palco e disse-me para ir lá e fazer o que tinha estado a fazer. E eu disse, “O que é que tenho estado a fazer?” Ele respondeu, “Tens estado a estremecer por todos os lados.” Disse, “As tuas pernas têm estado a abanar ao som da música, os teus olhos a piscar e os teus ombros a mexer e tudo o mais! Vai lá e continua a fazer isso!”

Então, voltei para o palco e escolhemos rapidamente outra canção de rock and roll. E eu disse para mim mesmo, “Agora escuta, tenta e volta a fazer o que fizeste.” Quando a música começou, não me lembrei mais do que tinha dito a mim mesmo, mas devo ter feito a mesma coisa outra vez porque o público gritava e berrava como louco quando a canção chegou ao fim. Foi aí que realmente tudo começou, naquela noite, e tem sido assim desde então.

Só desejava – como posso explicar isto? – poder fazer tudo com a música. Desejava poder saber tocar todos os instrumentos. Desejava poder saber cantar todas as canções. E desejava poder agradecer-vos a todos que se sentem da mesma forma em relação à música e que mo dizem. Tenho tido tanta sorte. Desde aquele primeiro início fantástico no programa televisivo, Stage Show, até agora, e ao Sr. Sullivan. Tenho tido tanta sorte. Às vezes até me custa a acreditar.

E Agora, que Mais Posso Dizer?

Só não sei dizer como me sinto agora, em relação a tudo isto. Desde aquela primeira noite, as coisas têm acontecido tão depressa que realmente não sei. Claro que gosto. Tem sido a coisa mais maravilhosa do mundo. A forma como têm comprado os meus discos da RCA Victor e como têm vindo aos meus concertos e me têm visto no programa televisivo do Sr. Sullivan e em todos os outros. Não sei realmente o que dizer.


Legenda: Elvis com Debra Paget, a sua partnaire, durante um intervalo de Love Me Tender, a estudarem as suas deixas juntos. Clique na foto para aceder a uma versão ampliada.

E agora que fiz o meu primeiro filme para a 20th Century-Fox, tenho esperanças de poder vir a aprender a ser o melhor actor que possa. Fazer
Love Me Tender foi algo que jamais vou esquecer. Nunca irão saber como Debra Paget foi simpática para mim, a ajudar-me a aprender todas as deixas e a estudar. E o mesmo se aplica a todas as pessoas de lá. Que posso eu dizer excepto que me sinto grato a todos eles?

E que vos posso dizer a vocês? Só posso dizer a mesma coisa. Obrigado. Sei que não é suficiente, mas quero dizer-vos outra coisa. Com essa palavra também segue uma grande parte de mim. Uma parte de mim que nunca teria existido de todo senão fosse pela vossa ajuda e encorajamento.

E quero que saibam que o meu agradecimento vem daqui, do fundinho do coração mais feliz neste mundo inteiro.

Sim, tenho tido sorte. E sabem uma coisa? Às vezes sinto-me como se fosse tudo um sonho, como se fosse esfregar os olhos, acordar e ver que acabou tudo. Espero que não. Espero que isso nunca aconteça. Espero que nunca acabe.

Mudança de Morada

Estou sempre imensamente grato a todos meus fãs. São realmente responsáveis pela minha aceitação e sucesso. Deste modo, para que o correio sempre a aumentar que vem destas pessoas maravilhosas possa ser devidamente recebido e lido, estamos a mudar a Sede do Clube de Fãs de Elvis Presley para Hollywood. Agora que acabei Love Me Tender para a 20th Century-Fox e vou fazer outro filme para a Paramount, parece que vou passar muito tempo em Hollywood. Por isso, por favor, encaminhem as vossas cartas para mim para Box 94, Hollywood, California. Muito obrigado!
Fonte: Revista Elvis Answers Back

LEGADO DE ELVIS PRESLEY VOLTA AOS BRAÇOS DA SUN RECORDS


Elvis Presley requebra, em foto de 1953
Elvis Presley vai voltar aos braços da Sun Records como parte um acordo de licenciamento entre os proprietários do lendário selo de música e os herdeiros do cantor.
O acordo prevê o uso do nome e da imagem de Presley em diversos produtos comemorativos que a Sun pretende colocar no mercado. Os termos do contrato ainda não foram disponibilizados.
As primeiras gravações de Elvis foram com a Sun Records, que vendeu o catálogo do cantor à RCA Victor em 1955, quando Elvis estava no auge de sua carreira.
O fundador da Sun Records, Sam Phillips, teve papel fundamental nas carreiras não só de Presley mas de Johnny Cash, B.B. King, Jerry Lee Lewis, Roy Orbison e outros artistas importantes do rock, country e r&b da década de 50.
Os novos produtos de Elvis pela Sun devem começar a aparecer no final deste ano e em 2007, quando serão comemorados os 30 anos da morte de Elvis.

sábado, 14 de outubro de 2006

Museu Rock & Roll

AWOP- BOP-A- LOO-BOP-A- LOP BAM-BOOM!!! Elvis explodia por todos os lados, para euforia da garotada e desespero dos mais velhos. Aquele garotão de cabelo cheio de gomalina, blusão vermelho, requebros selvagens e sensuais começavam a sacudir a juventude, animando-a a jogar para o alto os velhos padrões impostos pelos adultos.
Elvis iniciou sua carreira trazendo para as casas da classe média branca, músicas que, antes, só eram ouvidas tarde da noite, em pequenas emissoras e discos especiais para negros. Gemendo, grunhindo escarnecendo, ele cantava versos que definiam bem sua maneira de ser: lf you´re looking for trouble you came to the ríght place lf you,re looking for troubles just look right ín my face. Enquanto ele cantava, com sua petulância característica, apareciam cartazes com dizeres do tipo: "Atenção! Pare: ajude a salvar a juventude americana. Não compre discos de música negra. Os gritos roucos, as palavras imbecis e a música selvagem desses discos estão minando o moral de nossa juventude branca!". Mas já era tarde demais. A "música selvagem" soava por toda parte e EIvis também, mostrando que a juventude branca podia ser parte ativa da nova música. Os quadrados podiam protestar à vontade. Elvis tinha com ele a fórmula do rock: nascera e crescera ouvindo blues e country music. Nascido no sul dos Estados Unidos, em Tupelo, Mississipi, mudou-se com a família para Memphis, Tennessee, quando estava na difícil idade de treze anos. Chamava-se Elvis Aaron Presley e viera ao mundo no dia oito de janeiro de 1935. Era filho de Vernon e Gladys Presley, trabalhadores rurais muito pobres e amparados pelo Serviço Social. A mãe morreria em 1958, quando Elvis chegava ao auge do sucesso.
Numa de suas raras entrevistas a respeito de sua música, Elvis disse ao Hit Parade Magazine, em janeiro de 1957, explicando como Sam Philiips o ajudara: "Você quer fazer um blues? - ele me perguntou, ao telefone, sabendo que eu era vidrado na coisa. Mencionou o nome de Big Boy Crudup e talvez de outros cantores, não me lembro. Corri quinze quarteirões até o escritório de Mr. Phiilips. Conversamos sobre as gravações de Crudup, principalmente All Right Mama, um dos meus favoritos." Na Sun Records, Elvis gravou cinco discos, todos com uma canção parecida com blues, de um lado, e um número country do outro. Na época, ele já havia se apresentado em toda a área de Memphis e chamou a atenção de um homem com o mesmo amor, à música mas com sonhos maiores e muito mais ambição do que Sam Phillips: era o "Coronel" Tom Parker, antigo divulgador, com um olho infalível para negócios, que predizia um futuro sem limites para Elvis. O "Coronel" tornou-se empresário do garotão e a RCA Victor comprou as gravações de Elvis feitas na Sun. O preço incluía um Cadilac, que era extremamente caro naquela época: 35 mil dólares. A fama do rapaz de Tupelo já havia se espalhado. Ele aparecia em programas de TV, quebrava recordes de bilheteria nos concertos que fazia por todo o país e conquistara uma legião de fãs no mundo inteiro. Atrás de tudo, estava o "Coronel" Parker, prevendo, cuidando - e faturando. Os anos sessenta trouxeram o Beatles, tornando Elvis uma coisa do passado. Mas, por volta de 1967, o tempo pareceu colocar-se ao lado do ídolo esquecido. Os fãs amadurecidos sentiram saudades dos dias da adolescência. De repente, as antigas canções tornaram-se novas e as pessoas começaram a reencontrar as virtudes daquelas velhas músicas e o interesse nas origens do rock. Elvis sentiu que aí estava a sua chance. Deixou de lado o "Coronel", ligando-se a Chris Moran, um do homens que viam a possibilidade de um retorno do moço de Tupelo ao sucesso. Moran levou Elvis de volta a Memphís, o que resultou num bom disco: From Elvis in Memphis. Seguiram-se Suspicious Minds, lf I Can Dream, e Burning Love. Em 1971, foi lançado Elvis country.. A importância histórica de Elvis, entretanto, é inegável. Ele foi o grande pioneiro, o primeiro a ousar expressar, com a voz e o corpo, as sensações provocadas pela nova música. Todos os rockeiros têm um débito com ele que não pode ser pago - e esse débito é mais importante do que todos os sintomas de decadência.
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