Páginas

quarta-feira, 12 de março de 2008

Ex-namorada de John Lennon lança livro com fotografias do Beatle

Do New York Times
May Pang viveu com o músico entre 1973 e 1975, quando estava separado deYoko.'Instamatic karma' reúne imagens do período conhecido como 'fim desemana perdido'.Se há uma coisa que May Pang tem combatido nos últimos 28 anos, é a idéia deque John Lennon estava deprimido, isolado e fora de controle durante os 18meses em que viveu com ele, do verão de 1973 ao início de 1975, quando omúsico se reconciliou com sua segunda esposa, Yoko Ono. O próprio Lennondifundiu essa percepção dos fatos ao se referir àquele período como seu "fimde semana perdido" nas entrevistas que deu em 1980, quando lançou "Doublefantasy", um álbum em parceria com Ono que foi sua volta à música após umsilêncio de cinco anos.Histórias sobre Lennon bêbado sendo expulso do Troubador, uma casa noturnade Los Angeles, parecem comprovar essa imagem. Mas para Pang, hoje com 57anos, o "Fim de Semana Perdido" foi uma época extremamente produtiva,durante a qual Lennon terminou três álbuns – "Mind games", "Walls andbridges" e "Rock 'n' Roll" – produziu discos de Ringo Starr e Harry Nilssone gravou com David Bowie, Elton John e Mick Jagger.Depois de ter detalhado essas experiências (junto com a expulsão doTroubador e outros momentos sombrios) em "Amando John", suas memórias de1983, Pang voltou agora com evidência fotográfica. Seu novo livro,"Instamatic karma" (publicado pela St.Martin's Press), é uma coleção de 140páginas de fotos casuais que ela tirou durante o período que passou comLennon."Um amigo meu ficava dizendo, 'você conta tantas histórias sobre o John, equando faz isso diz, espere aí, tenho uma foto para acompanhar o que estoucontando! Como é que a gente nunca vê um livro com essas fotos?' Então,achei que talvez fosse a hora de publicá-las. Isso permitirá às pessoas verJohn nesse mundo, pelos meus olhos. E faria com que ele se livrasse daquelacoisa do 'Fim de Semana Perdido', que todo mundo fala que foi uma fasedepressiva em que ele estava com péssima aparência. Eu não creio que essasfotos pareçam assim".E não parecem: nas páginas de "Instamatic karma" – o título é umabrincadeira com a canção "Instant karma", de Lennon – o Beatle parecerelaxado, feliz e é visto passando algum tempo com seu filho, Julian, assimcomo com alguns amigos famosos, entre eles Paul McCartney, Ringo Starr,Nilsson e Keith Moon. Ele é mostrado trabalhando no estúdio de gravação,nadando em Long Island Sound, fazendo palhaçadas no Central Park e visitandoa Disney World. Pang ordenou seu livro por assunto, em vez decronologicamente, em quatro capítulos chamados "Em casa", "Brincando","Trabalhando" e "Longe".Momento crucialPara seu arrependimento, ela perdeu alguns momentos famosos. Em 28 de marçode 1974, houve uma jam session em Los Angeles que incluiu Lennon, Nilsson,McCartney e Stevie Wonder, por exemplo, e que não foi documentada. Mas Pangcapturou um exemplo importante: Lennon assinando o acordo que dissolvia aparceria dos Beatles em 29 de dezembro de 1974. Depois de quatro anos denegociações, os Beatles concordaram – ou pareceram concordar – com os termosque regiam sua separação formal, e um encontro foi marcado para 19 dedezembro no Plaza Hotel, em Manhattan.George Harrison estava tocando no Madison Square Garden naquela noite, PaulMcCartney havia vindo de Londres e Starr, que já havia assinado o documento,estava ao telefone. No último minuto, Lennon fez objeção à cláusula que eleachou que poderia criar um problema com impostos para ele (por ser o únicoBeatle que morava nos EUA) e decidiu que não iria. Harrison, furioso,cancelou os planos de se juntar a Lennon no palco no Madison Square Garden,mas McCartney apareceu no apartamento que Lennon dividia com Pang no número52 da Rua Street para discutir o assunto.Dez dias depois, quando Lennon, Julian e Pang estavam na Disney World, umadvogado apareceu com o contrato revisado e Lennon pediu para que Pangsacasse sua câmera. A fotógrafa descreve a cena: "quando John desligou",escreve ela, "ele olhou melancolicamente pela janela." "Era como se eu ovisse revivendo toda sua experiência com os Beatles."Pang então fotografou o Beatle sentado sob as assinaturas claramentelegíveis de Paul McCartney, George Harrison e Richard Starkey (o nomeverdadeiro de Ringo), a câmera clicando entre o "h" e o "n" de seu primeironome. Considerando que Lennon foi particularmente militante sobre sair dosBeatles em 1969, pode parecer estranho que ele tenha feito isso de formamelancólica. Mas não para Pang. "Todo mundo muda", afirmou ela."Com John as coisas mudavam diariamente. É uma questão de tempo. Cinco anosantes as coisas não eram iguais. Em 1974, ele havia visto todos. A amizadeainda existia. Eles eram como irmãos. Não havia animosidade entre eles. Emesmo que sentissem que tinham que se separar para atingir o próximo nívelde suas carreiras musicas, John havia fundado essa banda que mudou o mundo.Ela mudou o modo como vivemos e como nos vestimos. E ele sabia disso. Assim,quando ele sentou para assinar, ele sabia que era pra valer. A suaassinatura foi a última. Se ele havia criado o grupo, deveria ser ele apessoa a acabar com a banda."

Nenhum comentário: