Felicity Jones*
Brasília realmente precisa acordar. A capital do Brasil tem de ter uma política cultural minimamente séria. Estou ainda bastante impressionada com a precariedade das salas de concerto da cidade. Ninguém lá fora acreditaria se lhes contassem que nem mesmo o teatro mais importante da cidade, que leva o pomposo nome de Teatro Nacional Cláudio Santoro, possui um bom piano.
No exterior, em teatros e salas de concerto de relevância equivalentes ao Teatro Nacional, colocam-se à disposição dos pianistas pelo menos cinco grand pianos, na maioria Steinways, com menos de dois anos de uso. É nesse momento que os artistas podem escolher o tipo de sonoridade e de ação mecânica mais apropriada para o seu repertório. Ao que parece, isso é de total desconhecimento da Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal e também do maestro Sílvio Barbato. Do contrário, o maestro, na posição de diretor musical da Orquestra Sinfônica, condicionaria sua atuação à resolução desse vergonhoso problema. Problema que, segundo já estou informada, se arrasta há anos. O que só prova a ausência de uma política cultural séria para Brasília.
Amigos, nem mesmo o Teatro de Nova Déli, na Índia, é tão mal aparelhado. E é bom salientar que aquele país é paupérrimo. Mas mesmo lá eles possuem Steinways. E não é só isso. O Teatro Nacional daqui também possui um. A diferença é que em Nova Déli os pianos são trocados de tempos em tempos e não são instrumentos cansados, sem manutenção, como os daqui. Os indianos sabem que os materiais dos pianos se desgastam com o tempo e que os seus pianistas, locais ou convidados, merecem ser recebidos com um mínimo de dignidade para a sua arte se manifestar de maneira plena.
Já que estamos falando em bons pianos, achei bastante oportuno acrescentar a esta crônica um texto sobre o pianista russo Denis Matsuev, que tocou aqui na última quarta-feira no CCBB, a única sala de concertos da cidade que possui um Steinway novo. O texto informa que em sua apresentação na Sala Alice Tully, do Lincoln Center, em novembro do ano passado - que eu tive o privilégio de assistir -, Matsuev tocou num Yamaha CFIIIS. Esse é o melhor piano de cauda produzido por esse fabricante, custando hoje algo em torno de US$ 150 mil, na América.
Piano, minha gente, é assunto sério!
* Felicity Jones é Mestre em Piano pela Universidade de Michigan e Doutora em História da Música pela Universidade de HarvardEmail para contato: ty1jones@hotmail.com
Brasília realmente precisa acordar. A capital do Brasil tem de ter uma política cultural minimamente séria. Estou ainda bastante impressionada com a precariedade das salas de concerto da cidade. Ninguém lá fora acreditaria se lhes contassem que nem mesmo o teatro mais importante da cidade, que leva o pomposo nome de Teatro Nacional Cláudio Santoro, possui um bom piano.
No exterior, em teatros e salas de concerto de relevância equivalentes ao Teatro Nacional, colocam-se à disposição dos pianistas pelo menos cinco grand pianos, na maioria Steinways, com menos de dois anos de uso. É nesse momento que os artistas podem escolher o tipo de sonoridade e de ação mecânica mais apropriada para o seu repertório. Ao que parece, isso é de total desconhecimento da Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal e também do maestro Sílvio Barbato. Do contrário, o maestro, na posição de diretor musical da Orquestra Sinfônica, condicionaria sua atuação à resolução desse vergonhoso problema. Problema que, segundo já estou informada, se arrasta há anos. O que só prova a ausência de uma política cultural séria para Brasília.
Amigos, nem mesmo o Teatro de Nova Déli, na Índia, é tão mal aparelhado. E é bom salientar que aquele país é paupérrimo. Mas mesmo lá eles possuem Steinways. E não é só isso. O Teatro Nacional daqui também possui um. A diferença é que em Nova Déli os pianos são trocados de tempos em tempos e não são instrumentos cansados, sem manutenção, como os daqui. Os indianos sabem que os materiais dos pianos se desgastam com o tempo e que os seus pianistas, locais ou convidados, merecem ser recebidos com um mínimo de dignidade para a sua arte se manifestar de maneira plena.
Já que estamos falando em bons pianos, achei bastante oportuno acrescentar a esta crônica um texto sobre o pianista russo Denis Matsuev, que tocou aqui na última quarta-feira no CCBB, a única sala de concertos da cidade que possui um Steinway novo. O texto informa que em sua apresentação na Sala Alice Tully, do Lincoln Center, em novembro do ano passado - que eu tive o privilégio de assistir -, Matsuev tocou num Yamaha CFIIIS. Esse é o melhor piano de cauda produzido por esse fabricante, custando hoje algo em torno de US$ 150 mil, na América.
Piano, minha gente, é assunto sério!
* Felicity Jones é Mestre em Piano pela Universidade de Michigan e Doutora em História da Música pela Universidade de HarvardEmail para contato: ty1jones@hotmail.com

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