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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O sonho está longe de acabar

Por Daniel Hessel | 21/09/2009 - 09:40

Há mais ou menos seis meses, em uma dessas visitas à locadora numa tarde de sábado com minhas filhas Helena e Leticia, de 14 e 9 anos, decidimos apostar num filme diferente. Eu normalmente não gosto de musicais mas resolvi arriscar com Across the Universe pelas credenciais: música dos Beatles, com participações do Joe Cocker e Bono. Deve ser interessante, pensei. Foi muito mais que isso.

Assistir ao filme com as duas foi como uma daquelas experiências descritas por David Gilmour em O Clube do Filme. Assim que o musical acabou, conversamos sobre a carreira meteórica dos Beatles, a morte estúpida de John Lennon em frente ao Dakota (mostrei uma foto que tirei na frente do prédio na primeira vez que pisei em Nova York), a morte recente de George Harrisson, o show de Paul McCartney no Maracanã em 1990. A Helena se encantou e virou fã. Digitalizou e baixou no iPod um punhado de CDs antigos que tinha. A Letícia foi radical e em um único comentário: "Pôxa, como é que as músicas de um grupo com dois caras que já morreram e que só sobraram dois velhinhos acabaram em um filme tão bacana?"

É exatamente a reação das minhas filhas o motivo de eu estar contando aqui essa histórinha: The Beatles é hoje uma das marca mais poderosa do planeta. Quase quarenta anos depois de desfeito, o quarteto de Liverpool ainda é capaz de chacoalhar a indústria cultural e se mostrar um fenômeno de vendas. O estrondoso lançamento do game Rock Band The Beatles (veja aqui o ótimo filme de lançamento do game) e da coleção de CDs remasterizados com músicas da banda provam que o mito Beatles continua mais vivo do que nunca -- e isso entre jovens que nunca tinham ouvido falar deles antes. Por trás desse fenômeno, além das músicas incríveis, está um poderoso processo de gestão de marca capitaneado pela Apple Corps, fundada pelo quarteto no fim da década de 60 para administrar a imagem e os direitos do grupo. The Beatles, renascido na versão digital de 2009, é o melhor exemplo de como um produto espetacular é capaz de durar indefinidamente. Basta administrá-lo com cuidado.

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