Hugo Cals, JB Online
RIO - O cantor Michael Joseph Jackson, ou simplesmente Michael Jackson, nascido na cidade de Gary, no Estado de Indiana, nos Estados Unidos, comemora nesta sexta-feira seus 50 anos de idade. Com milhões de álbuns vendidos ao redor do mundo, Michael também tem outro motivo para festejar: o cantor também completa 45 anos de carreira. Apesar de ter se lançado como um artista solo, o contemporâneo da também cinqüentona Madonna já acumulava experiência de estúdios, palcos e estrada há muitos anos: desde 1964, integrava o grupo Jacksons 5, formado por ele e seus irmãos Jackie, Tito, Jermaine e Marlon, tendo inclusive realizado shows no Rio em 1974.
Apesar do cantor ser criticado por seu comportamento excêntrico, marcado por poucas aparições públicas e ausência de materiais inéditos (ele regravou alguns de seus sucessos para a nova edição do álbum Thriller, mas não lançou nenhuma faixa nova), as comparações com a cantora Madonna (que lançou disco novo em março passado e está em turnê mundial) não têm fundamento, já que por conta do comportamento abusivo de seu pai, Joseph Jackson, Michael foi obrigado a renunciar de sua infância e adolescência para seguir a carreira artística desde criança. O pai do cantor não enxergava o talento de seus filhos, submetendo-os a abusos sexuais e vendo o Jacksons 5 apenas como uma forma de lucro fácil.
Michael, mesmo sem querer, tornou-se uma celebridade muito conhecida antes mesmo de atingir a idade adulta. Durante o período em que integrou o Jacksons 5, Michael desenvolveu seus talentos como compositor e cantor, mas somente quando se lançou em carreira solo, com apadrinhamento do produtor musical Quincy Jones, revolucionou os passos de dança que surgiriam na música pop nos anos seguintes, tornando-se referência para muitos artistas.

Em 1979, depois de deixar o grupo de seus irmãos e a gravadora Motown (responsável não só pelo Jacksons 5 mas outras referências da Black Music como Diana Ross, Marvin Gaye, The Temptations e Stevie Wonder), Michael entrou em estúdio para gravar faixas que mais tarde iriam compor seu primeiro álbum solo, batizado de Off the Wall, que conquistou a crítica e o público por conter uma sonoridade equilibrada que oscilava entre a música disco e black. Por conta de umas das faixas do álbum, Don´t Stop Till You Get Enough, Michael ganhou seu primeiro Grammy. A música é bastante conhecida no Brasil por que sua base instrumental é usada, até hoje, como tema de abertura do programa Videoshow, da Rede Globo.
Michael atingiu o auge da carreira em fevereiro de 1983, quando o álbum Thriller foi o mais vendido nos EUA. Mais tarde, o álbum conquistou o título de “mais vendido da história da indústria fonográfica”, recorde que ainda não foi superado por nenhum outro disco. Além da qualidade das bases instrumentais (Eddie Van Halen gravou as guitarras para o hit Beat It), Michael mostrou ser um pioneiro em novas tendências e produziu videoclipes históricos para algumas faixas deste disco, como Thriller, Billie Jean e Beat It que estabeleceram novos padrões de qualidade para os artistas divulgarem suas músicas.

Foto: AFP
Quatro anos mais tarde, em 1987, Michael lançou seu terceiro álbum solo, Bad, que serviu de trilha sonora para o filme Moonwalker, estrelado por Jackson. Apesar de não ter tantas inovações musicais ou visuais como Off the Wall e Thriller, o público respondeu bem ao lançamento e Jackson continuou a vender milhares de discos. Nesta época, alguns rumores sobre seus comportamentos excêntricos - como que ele estaria se submetendo a tratamentos experimentais para clarear a pele ou dormindo em uma câmara hiperbárica para conservar a idade - começaram a aparecer, mas nunca foram comprovados.
Na mesma época, Michael comprou um rancho que batizou de Neverland, em referência a terra natal do personagem Peter Pan, que em português significa “Terra do Nunca”. Em 1991, Michael quebrou barreiras novamente ao lançar o álbum Black or White, outro sucesso de público e crítica. O videoclipe da faixa-título teve um lançamento mundial ambicioso, sendo transmitido simultaneamente em 27 países, com uma audiência estimada de 500 milhões de pessoas.

Foto: AFP
O clipe também foi uns dos pioneiros a mostrar na televisão metamorfoses geradas por computador. A partir do álbum, Jackson realizou a turnê mundial Dangerous World Tour, que passou por milhares de países, incluindo o Brasil. Michael se apresentou na cidade de São Paulo em 1993, na mesma época que mergulhou no peróodo mais obscuro de sua vida pessoal, quando foi acusado de ter abusado sexualmente de um jovem de 13 anos.
O cantor foi inocentado das acusações, mas sua integridade pessoal ficou abalada. A última parte da turnê foi cancelada. No ano seguinte, Michael casou-se com Lisa-Marie Presley, filha do falecido cantor Elvis Presley, união que durou apenas dois anos. Em 1995, Michael lançou o álbum History, que além de revisitar sucessos, também trazia faixas inéditas.
Por conta de uma dessas novas faixas, They Don´t Care About Us, Michael Jackson veio ao Brasil em 1996 para gravar um videoclipe para a música. O cantor filmou no Morro Dona Marta, no Rio de Janeiro, e no Pelourinho, no Centro de Salvador. Depois disso, Michael ainda lançou mais outros dois álbuns de estúdio, Blood on the Dance Floor e Invencible, mas que não obtiveram o mesmo sucesso de discos anteriores. Na atualidade, Michael vive recluso e muito especula-se sobre a possibilidade de um novo álbum solo, no entanto nada está confirmado. Apesar disso, mesmo que não lance mais nada de novo até o fim de seus dias, o legado produzido e conquistado pelo cantor já deram a ele um título vitalício de rei do pop.
>> ...e Michael Jackson subiu o morro
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