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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Notas musicais no currículo do Ensino Básico

Ao mesmo tempo em que educadores apontam benefícios na inclusão da música no currículo das escolas brasileiras, a iniciativa do governo federal, oficializada esta semana, sustenta uma nota dissonante: especialistas questionam a capacidade de colégios darem conta de um número crescente de conteúdos.

Temas como ambiente, sexualidade, trabalho e saúde já devem ser abordados obrigatoriamente nas salas de aula do Ensino Fundamental.

Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda-feira e publicada ontem no Diário Oficial, a lei estabelece o ensino musical no âmbito da disciplina de Artes nos níveis Fundamental e Médio. Porém, a definição sobre a periodicidade e o tempo que será ministrado caberá aos conselhos estaduais e municipais de Educação. Os sistemas educacionais terão três anos para se adaptarem à nova regra.

Para a coordenadora do Programa de Pós-graduação em Música da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Luciana Del-Ben, a iniciativa facilitará a socialização.

– Levar a vivência musical dos estudantes para o colégio pode fazer com que ele se sinta valorizado – acredita.

A professora da Faculdade de Educação da UFRGS Maria Luisa Merino Xavier acrescenta que, além de promover educação mais abrangente, o acréscimo de notas musicais ao dia-a-dia escolar tende a melhorar o desempenho ao lidar com letras e números.

– Uma criança que lê o texto de uma música que gosta faz isso com muito mais prazer – exemplifica.

Embora o presidente tenha vetado o artigo que previa formação específica para os professores do novo conteúdo, a Secretaria Estadual da Educação (SEC) precisará estudar como colocar professores capazes de conduzir as aulas nos estabelecimentos gaúchos.

– Precisamos discutir como isso será feito. Temos de avaliar a disponibilidade de recursos humanos aptos para lecionar música – afirma a diretora pedagógica da SEC, Sonia Balzano.

Escolas podem estar com sobrecarga de conteúdos

O 1º vice-presidente do Sindicato dos Estabelecimentos do Ensino Privado no Estado (Sinepe), Hilário Bassotto, reclama da sobrecarga a que as escolas estariam sendo submetidas.

– Daqui a pouco, teremos de trabalhar em dois turnos. A sociologia e a filosofia viraram disciplinas. Agora, a música é obrigatória. A educação para o trânsito já está na fila. Será que não vão querer tornar o ensino de teatro obrigatório também? – questiona.

Para o doutor em Psicologia Escolar Fernando Becker, as escolas deveriam ser obrigadas a oferecer um currículo mínimo que envolvesse disciplinas clássicas como português e matemática e ter liberdade para tratar de outros temas a sua escolha.

– Há alunos que adoram música, mas outros não querem saber. É arbitrariedade forçar isso – acredita.

O que as escolas devem ensinar

Confira as disciplinas e os temas transversais (abordados em diferentes aulas) obrigatórios conforme o nível do aluno:

ENSINO FUNDAMENTAL

Áreas de conhecimento:

Língua Portuguesa

Língua Materna, para populações indígenas e migrantes

Matemática

Ciências

Geografia

História

Língua Estrangeira

Educação Artística – incluindo Música

Educação Física

Educação Religiosa

Temas transversais:

Saúde

Sexualidade

Vida familiar e social

Meio ambiente

Trabalho

Ciência e tecnologia

Cultura

Linguagens

ENSINO MÉDIO

Áreas de ensino obrigatórias:

Linguagens, códigos e suas tecnologias – Língua Estrangeira, Literatura, Língua Portuguesa, Arte, Educação Física

Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias – Biologia, Física, Química, Matemática

Ciências humanas e suas tecnologias – História, Geografia, Sociologia, Filosofia

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