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sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

ELVIS: AS ÚLTIMAS HORAS DE UM GÊNIO...

Memphis, tarde de 15 de agosto de 1977. O verão está sufocante na badalada
cidade ao sul dos Estados Unidos e nesse momento em Graceland, Elvis
Presley está acordando. Com a ajuda de seu primo Billy Smith, o rei supremo
do rock, veste um casaco esportivo, uma camisa de seda branca e botas de
couro pretas, com o zíper aberto, por causa dos tornozelos inchados.

Por volta das 22h30min, depois de um passeio de motocicleta com a
namorada, Ginger Alden, o cantor enfia duas pistolas automáticas calibre 45
na cintura da calça de moletom. Em seguida, coloca os óculos escuros
cromados, feitos especialmente para ele, e senta-se ao volante de seu Stutz.
Acompanhado de Ginger Alden, Billy Smith e um membro de seu séquito,
Charlie Hodge, o Rei dirige até o consultório de seu dentista em East
Memphis. Na verdade, ele quer colocar em dia o seu tratamento
dentário antes de viajar na noite seguinte para Portland, no Maine, iniciando
assim uma turnê de 12 dias.
Por volta de meia-noite, o grupo retorna a Graceland, Elvis e Ginger sobem, e
Smith vai para o trailer em que mora dentro da propriedade. Aproximadamente
às 2 da madrugada, Elvis fala com Larry Geller, talvez seu melhor amigo.
Segundo Geller (tempos depois respondendo a uma entrevista) disse: "Elvis
naquele dia, estava de muito bom humor, ansioso para sair em turnê, e
fazendo planos para o futuro".
Por volta das 4 horas da manhã, Elvis está ótimo, muito bem disposto e
fica com uma vontade enorme de jogar raquetebol. Ele manda chamar Smith
e a mulher, Jo, para que se juntem a ele e a Ginger. No momento em que se
dirigem para a quadra privativa de Elvis, uma chuva fina começa a cair.
"Não tem problema. Vou dar um jeito nisso", disse o rei, e nesse momento,
ele estende as mãos para que a chuva possa parar. "Milagrosamente" ,lembrou
Smith, "a chuva parou mesmo". - "Não falei ?", exclama Elvis - "Com um
pouquinho de fé, a gente pode fazer parar de chover."
Apesar dessa incrível explosão de energia, o Rei está exausto em
conseqüência de diversos dias de uma dieta à base de gelatina - a mais
recente de uma série de desesperadas tentativas de emagrecer o bastante
para vestir as suas famosas jumpsuits. Ele logo se cansa do jogo e os dois
casais resolvem apenas brincar, acertando a bola uns nos outros. Mas a
brincadeira também acaba, quando Elvis saca uma bola de mau jeito e acerta
a raquete na própria canela.
Já no interior da casa, Smith lava e depois seca os cabelos do primo famoso.
Enquanto conversam, Elvis mostra-se obcecado com um novo livro que
descortina e detalha a sua vida e a sua decadência física, intitulado - "Elvis:
what happened ??" ( "Elvis: o que aconteceu ?"). O livro revela o quanto o Rei
havia se tornado dependente de drogas (chamadas legais) como anfetaminas e
sedativos. Furioso, Elvis diz ao primo que vai arranjar uma maneira de atrair
para Graceland os autores do livro - seus ex-guarda-costas: Red West, Sonny
West e Dave Hebler - e matá-los, todos eles. O Rei anda de um lado para o
outro possesso, perturbado, esbraveja e grita que não consegue entender
como eles haviam tido a coragem para traí-lo. Bem depois, mais calmo, Elvis
ensaia as palavras que planeja dizer no show, caso os fãs - chocados por
saberem que seu ídolo gasta mais de 1 milhão de dólares por ano com o vício
em remédios - o recebessem com vaias.
-"Eles nunca conseguiram me derrotar", disse, - "e não vão conseguir agora.
Mesmo que eu tenha que subir no palco só para admitir que tudo isso é
verdadeiro". Smith entendia muito bem o primo famoso e sabia do que ele seria
capaz caso fosse muito pressionado.
Entorpecido e extenuado, Elvis senta-se na beirada de uma cadeira, abaixa
a cabeça, enfia os dedos por entre os cabelos e começa a chorar.
- "Está tudo bem" - diz o primo na tentativa de tranqüilizá-lo. - "Vai dar tudo
certo".
Quando Smith já está de saída, Elvis levanta-se da cadeira vira para o primo
e grita: - "Billy...essa vai ser a melhor de todas as minhas turnês"!.

Às 7h45min, Elvis engole quatro ou cinco comprimidos para dormir - pela
segunda vez em duas horas. Há muito o Rei é atormentado pela insônia
que começou ainda na infância e piorou com as drogas e horários
desregrados, comuns aos astros de rock. Uma terceira dose viria em seguida.
Desde a véspera ele não comia nada sólido.
Por volta das 8 horas, Elvis deita-se ao lado de Ginger. A rainha da beleza de
Memphis, então com 20 e poucos. Ginger lembra que acordou e encontrou o
namorado agitado, preocupado com a turnê.
- "Querida" - diz Elvis - "Vou ler um pouco no banheiro."
Ginger se mexe na cama e diz: - "tudo bem, mas não vá pegar no sono".
O Rei, já de pé, olha para Ginger e responde: "Querida, não se preocupe,
eu não vou dormir".
No interior de seu belo banheiro, Elvis apanha um livro sobre o santo sudário:
"The scientific search for the face of Jesus" - ( A busca científica pelo rosto de
Jesus ), e espera até que os remédios façam efeito.

A vários de quilômetros de Memphis, precisamente na cidade de Portland,
cidade do estado do Maine, o "Coronel" Tom Parker já se encontra
enfurnado dentro de um quarto de hotel, ele supervisiona e organiza
aquele que seria (segundo o próprio Elvis), o maior show da carreira do Rei
do Rock. Um dos homens de confiança de Tom Parker, Lamar Fike, que tinha
acabado de chegar de Los Angeles num vôo noturno, imediatamente, começa
a trabalhar, organiza a segurança e providencia acomodações no hotel para a
banda e para o resto da equipe.
Pouco antes do meio-dia de 16 de agosto de 1977, Billy Smith chega a
Graceland e fala com um dos assistentes de Elvis, Al Strada, que naquele
momento embalava o guarda-roupa do cantor. Smith pergunta se alguém já
tinha visto o chefe. Al diz que não, e que Elvis não quer ser acordado antes
das 16 horas. Smith se pergunta, meio resmungando, se um dos Stanleys,
meio-irmãos de Elvis, teria procurado saber se ele estava bem. Começa a subir
as escadas, e, para. "Não, ( pensa Smith ). É melhor deixá-lo descansar.
Ele está precisando".
Às 14h20min, Ginger vira-se na imensa cama e a encontra vazia. "Será que
Elvis não se deitou ainda ?? O abajur na cabeceira da cama ainda está aceso.
Ginger bate freneticamente na porta do banheiro. "Elvis?" Não há resposta.
Ela gira a maçaneta e entra. Elvis está caído no chão de joelhos, as mãos no
rosto, quase numa postura de oração. Inexplicavelmente, ele havia caído
naquela posição grotesca.
-"Mas por que ele não responde e nem se mexe? Ginger chama de novo:
-"Elvis?". Ele está estranhamente imóvel. Ginger se curva para tocá-lo.
O corpo de Elvis está gelado, o rosto inchado enterrado no grosso tapete
vermelho, as narinas respingadas de sangue. A pele apresenta manchas de
um roxo quase negro. Sem querer crer no pior, Ginger aperta o botão do
interfone, que toca na cozinha. Logo fala com Al Strada: "Al, preciso de você!".
Elvis desmaiou!". Al Strada corre escada acima, olha a cena e chama Joe
Esposito, outro escudeiro do Rei. Esposito sobe correndo e vira o corpo de
Elvis de lado. Ele já sabe a verdade, mas mesmo assim chama a ambulância.
Depois de ligar para a ambulância, Joe então telefona para o Dr. George
Nichopoulos (o principal médico do cantor), com a notícia de que Elvis havia sofrido um ataque cardíaco. Enquanto a ambulância cruza os portões da
mansão com a sirene ligada, o andar superior se enche de gente: Charlie
Hodge, chora e implora a Elvis para que ele não morra; o pai de Elvis, Vernon,
que chega à cena, não resiste e desmaia; a filha de Elvis, Lisa Marie, então
com 9 anos, que acabara de chegar da Califórnia para visitar o pai e
espia tudo de olhos arregalados.
-"O que houve com ele?" - pergunta um dos paramédicos - Ulysses Jones.
Al Strada responde a verdade: - "parece que foi overdose".
No Baptist Memorial Hospital, a equipe da emergência faz tudo que pode.
Mas não existe providência, frenética ou heróica, capaz de salvar a majestade
de Graceland. Por fim, o Dr. Nichopoulos, com o rosto muito pálido, surge na
sala de espera onde Esposito conversa com Hodge, Strada, Smith e David
Stanley. - "Ele se foi", diz o médico a quem posteriormente o Conselho de
Medicina do Tennessee condenaria por receitar cerca de 12 mil medicamentos
a Elvis num período, de apenas, 20 meses. - "Ele não está mais entre nós."
Diante dessa notícia, os homens começam a chorar sem constangimento,
abraçando-se uns aos outros em busca de conforto. Aos 42 anos, Elvis
Presley está morto.
Do Hospital, Joe Esposito liga para Portland para falar com o Coronel.
-"Tenho uma notícia terrível para lhe dar" - começa Joe, com a voz trêmula.
-"Elvis acaba de morrer".
Trinta segundos (ou mais) se passam até que Parker pronuncie alguma sílaba.
- "Ok, Joe" - diz finalmente o empresário, coma a voz inalterada, desprovida de
qualquer emoção. - "Estaremos aí o mais depressa possível".
Esposito sente que por baixo daquela frieza, o Coronel está muito abalado.
Parker age rápido - por telefone, cancela a turnê e avisa a todos que está tudo
acabado. Mais tarde marca uma reunião com todos os seus homens em seu
quarto de hotel. Quando o último de seus homens ( Lamar Fike ) entra no
quarto, Parker lhe ordena para que feche a porta. Nesse momento Parker está
sentado na beira da cama, desligando o telefone. Com excessão de Fike, que
chegara naquele instante, todos os homens olham atônitos para o chão.
Fike, sem entender nada, lança a pergunta: - "Afinal de contas, o que está
acontecendo aqui?". O Coronel se levanta, vai em sua direção e diz: - "Lamar,
você tem de ir a Memphis se encontrar com Vernon. Elvis morreu."
Fike fica arrasado, mas não surpreso. Havia meses que o artista mais famoso
do mundo mal conseguia encontrar o caminho até o microfone. Durante um
show em Baltimore, Elvis abandonara o palco por 30 minutos, sem nenhuma
explicação. "No fim", publicou a revista Variety, "não houve aplausos, e os
patrocinadores saíram balançando a cabeça e especulando sobre o que
haveria de errado com ele."
O próprio Elvis tinha uma idéia. Não muito tempo antes, havia convidado o
compositor Ben Weisman para ir à sua suíte em Las Vegas. Com o rosto
inchado, o Rei sentou-se ao piano. -"Ben", disse ele - "há uma canção que eu
adoro - "Softly as I leave you". Ela não fala de um homem que sofre por uma
mulher. Fala de um homem que vai morrer."

Enquanto os fãs mais devotados iniciam uma peregrinação a Memphis,
partindo de todos os cantos do mundo, o Coronel faz uma reserva de avião,
não para o Tennessee, mas para Nova York. Lá, ele faz uma reunião na RCA,
gravadora para a qual seu famoso cliente havia vendido mais cassetes e discos
do que qualquer outro artista na história. Prevê, corretamente a velha rapôsa,
que em 24 horas todos os produtos relacionados a Elvis estejam esgotados
nas lojas dos Estados Unidos e, em pouco tempo, em quase todo o planeta.
Parker pressiona a gravadora para contratar as principais fábricas a preços
mais altos - passando à frente de outras encomendas - a fim de manter a rica
torrente de discos de Elvis. Em seguida, reuni-se com um licenciador para
fechar negócio envolvendo outros produtos associados ao Rei do Rock. Só
então viaja para Memphis, para o funeral de Elvis, em 18 de agosto, com os
helicópteros da imprensa circulando no céu e o canto estridente e monocórdio
das cigarras enchendo o ar quente e úmido de emoção, no último adeus ao
rei supremo do Rock.

Texto escrito por: Telmo Vilela Jr.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Promulgada lei que desobriga artistas da apresentação da carteira da Ordem dos Músicos

governador José Serra promulgou nesta quarta-feira, 31/1, a Lei 12.547, originada do Projeto de Lei 1.302/03, de autoria do deputado Alberto Turco Loco Hiar (PSDB), que dispensa os músicos da apresentação da carteira da Ordem dos Músicos do Brasil na participação de shows e atividades afins no Estado de São Paulo.
Segundo o parlamentar, ao apresentar o projeto seu objetivo era proporcionar aos músicos a possibilidade de exercerem sua atividade sem nenhum tipo de constrangimento. ?Não são raras as denúncias que nos chegam relatando o cerceamento desses profissionais de participarem de shows para os quais foram contratados (ou simplesmente comparecem para enriquecer o espetáculo), por não apresentar a carteira da Ordem dos Músicos do Brasil ou não tê-la disponível na ocasião?, diz Turco Loco.
A Ordem dos Músicos
Até a publicação da lei no Diário Oficial do Executivo, ocorrida nesta quinta-feira, 1º/2, para atuar como músico, seja intérprete ou instrumentista, o artista precisava do aval da Ordem dos Músicos do Brasil, cujas atribuições são semelhantes às da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que tem a função de defender os interesses da categoria profissional e fiscalizar o exercício da profissão.
Para emitir a carteira de músico prático, a entidade avaliava as habilidades do músico em seu instrumento. Já para a carteira de músico profissional, são exigidos conhecimentos de teoria e solfejo.
Tanto as grandes casas de show quanto bares e restaurantes eram obrigados a exigir dos músicos contratados o número de inscrição na Ordem dos Músicos do Brasil e a devida comprovação de que estavam em dia com as anuidades. Nos últimos anos, a OMB vinha sofrendo pressões por parte de músicos, alguns deles desejando sua extinção, outros, sua reformulação.
A Ordem dos Músicos do Brasil foi criada em dezembro de 1960 pela Lei federal 3.857, sancionada pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Seu idealizador, o compositor e regente paraibano José de Lima Siqueira, foi o primeiro presidente do órgão, cuja estrutura é integrada também por dirigentes regionais.
Fonte: Site da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo - 02/02/2007