As condições de temperatura, pressão e humidade relativa do ar fazem dessa A Hora de voltarmos aos manifestos. Por isso tomei para mim a responsabilidade (sic) de escrevê-lo. Vossas mercês que me conhecem poderiam acusar-me de ter me deixado influenciar pelo momento de estudos de então, mas devo esclarecer-lhes já que o que se segue não é novo, tendo sido influenciado sim por um momento de estudos pregresso.Pretendo por meio desta comunicação tão-somente lançar mão do ideário que ocupa o córtex de um neoneísta. Não nego que faltarão itens e todos podem ficar à vontade de acrescentá-los; até poderíamos, com isso, lançar atualizações comentadas, interpretadas, interpretadas jurisprudencialmente, anotadas etc. A vós outros, adeptos do movimento e queridos colegas, que discordem do conteúdo ou até propriamente do uso do manifesto como veículo, deixo-vos somente a mensagem de um bardo dos anos 60:“Sei calar na hora exata,sei que a dor não mata,mas vai machucar.Eu quero ter a vida inteira,pra fazer besteirae você perdoar.Sei falar de poesia,já raiou o diae eu vim te buscar.Eu quero que você se danemesmo que eu te ame,é assim que eu sei te amar” (é mais ou menos assim ou algo que o valha).
Manifesto-me contra:
- às crases;
- às elisões em geral;
- à língua portuguesa d’outrora;
- ò português de agora;
- à derivação imprópria;
- à derivação própria;
- à apropriação imprópria;
- à apropriação indébita;
- à corrupção;
- à formação de quadrilha;
- roubar sozinho;
- òs crimes do colarinho branco;
- òs crimes do colarinho branco manchado de baton de qualquer cor;
- ò sexo burocrático depois do casamento;
- ò sexo burocrático antes do casamento;
- ò sexo inconseqüente antes do casamento;
- ò casamento;
- à masturbação durante o casamento;
- à masturbação intelectual;
- à inteligência intelectualizada;
- às piadas intelectualizadas;
- à elite intelectualizada;
- às metáphoras inteligentes;
- às metáphoras de auto-ajuda que tentam amenizar a merda que é a vida;
- à auto-ajuda;
- à melancolia do intelectual;
- à razão do intelectual;
- à emoção do idiota;
- à emoção do intelectual;
- à falta de razão do idiota;
- à falta de razão do intelectual;
- à coesão discursiva;
- à coerência discursiva;
- à coerção discursiva;
- ò coração dispersivo;
- à letra cursiva;
- ò maniqueísmo;
- a arbitrariedade;
- à alteridade;
- òs que oprimem as minorias;
- às minorias;
- às opiniões libertárias favoráveis às minorias;
- às opiniões autoritárias favoráveis às minorias;
- às opiniões perdulárias favoráveis às minorias;
- às que são contra também;
- à opinião;
- às ideologias que dão suporte à sociedade de consumo;
- às ideologias que são contra à sociedade de consumo;
- às ideologias;
- à sociedade de consumo;
- ò FMI e à Alca;
- òs radicais de esquerda que são contra ò FMI e à Alca;
- às siglas regulares;
- à ONU, Unesco e Unicef;
- às siglas irregulares que confundem aqueles que querem saber o nomedaquilo que chamam pela sigla, tipo Sebrae;
- à siglonimização em geral;
- à ABL;
- ò Machado de Assis por tê-la criado;
- òs “medalhões” que lá estiveram ou estão;
- òs bons escritores que lá estiveram ou estão;
- às nulidades que lá estiveram ou estão;
- todos os outros que estiveram ou estão fora dela;
- tudo o que eles produziram;
- à prosa;
- à poesia;
- ò sentido alegórico da poesia moderna;
- ò uso de símbolos na poesia;
- qualquer espécie de esthetica em quaisquer manifestações poéticas;
- àqueles que acham que poesia é algum tipo de conhecimento;
- áqueles que acham que poesia é um monturo de palavras;
- òs poetas;
- Platão;
- òs gregos;
- às pronúncias reconstituídas e às consagradas pelas instituições;
- à erudição;
- ò eruditismo;
- òs eruditos que constroem palavras novas com morphemas latinos e gregos;
- òs radicais, òs prefixos e òs sufixos vindos do latim e do grego;
- òs radicais livres e òs carboidratos;
- à vida saudável;
- à vida sedentária;
- à vida simples e quaisquer hebdomadários e revistas;
- às revistas vanguardistas;
- òs radicais vanguardistas que vão contra toda a tradição clássica;
- às vanguardas, à tradição clássica e todo o resto que veio no meio;
- òs meus colegas de vanguarda;
- à presença de algum sentido inovador em um manifesto vanguardista;
- produzir manifestos quando isso já é algo ultrapassado;
- òs idiotas que produzem manifestos ou lhes acrescentam itens;
- òs manifestos feitos por itens;
- contra à lei, ò chaos e às leis do chaos;
- contra, contra, a ironia.
Enfim, contra a sístole e a diástole, Deus e o mundo... sem exceção.

Nenhum comentário:
Postar um comentário