Cantores e instrumentistas do Conservatório de Tatuí se apresentam no primeiro concerto bizantino da história do Brasil; Cláudio Lembo e José Serra confirmaram presenças
Um coro masculino de 25 vozes e uma orquestra de 30 músicos, todos estudantes de nível avançado do Conservatório de Tatuí, apresentam-se no próximo dia 25 de novembro no primeiro Concerto Bizantino da história da América Latina. O evento, que já tem presenças confirmadas do governador Cláudio Lembo e do governador eleito José Serra, vem sendo organizado pela Arquidiocese Ortodoxa Grega Patriu, Academia Brasileira de Arte, Cultura e História e Academia Paulista de Letras. Ele acontece às 20h no Auditório Ulisses Guimarães, no Palácio dos Bandeirantes, à avenida Morumbi, 4.500, em São Paulo.
O Concerto Musical da Liturgia Bizantina visa, conforme o arcebispo ortodoxo Dom Athanasio Tsaliks, “mostrar união dos dois povos e estreitar ainda mais a ponte cultural entre Brasil e Grécia”. A Liturgia Bizantina foi escrita no século IV, em grego antigo, língua indo-européia extinta, falada na Grécia durante a Antigüidade e que evoluiu para o grego moderno.
A apresentação dos músicos de Tatuí no evento ocorre a convite do Palácio dos Bandeirantes e ocorrerá em duas partes. Na primeira, a orquestra especialmente montada pelo maestro Pedro Juliano Delarole apresenta o “Concerto em Ré Maior para piano e Orquestra”, de Haydy, com solo da pianista Maria Filippaki.
Na segunda parte do concerto, a orquestra e o coro masculino, organizado por Cadmo Fausto, apresentam a “Liturgia Byzantina”, com solos de S. Pavlakis e D. Papadimitrakis.
“O diferencial é que cantaremos em grego antigo, o que vem exigindo um grande esforço do coro”, disse o maestro Cadmo Fausto.
Os ensaios do coro vêm sendo acompanhados pela pianista Maria Nicolau Filippaki, diretora do Conservatório Linda Leussi em Athenas. “O grego antigo é muito diferente do grego atual. A língua sequer é ensinada hoje em dia nas escolas. O coro de Tatuí está indo muito bem”, elogiou ela, que viaja de São Paulo a Tatuí semanalmente para auxiliar nos ensaios do grupo.
O evento
Música Bizantina significa o gênero musical oriundo da Igreja Ortodoxa, responsável pela conservação das estruturas melódicas dos gregos antigos, estes por sua vez devedores de Bizâncio e articuladores de um novo sistema técnico-musical que perdurou por dois milênios. O termo “Bizâncio” foi tomado de empréstimo do Império Bizantino de Constantino Magno, imperador no século IV. Esta música está intrinsecamente ligada à igreja católica apostólica ortodoxa do oriente.
Composta por oito tons, a música bizantina se distingue da notação polifônica da Igreja do Ocidente. Divide-se em seis períodos, o primeiro deles situado no ano 325 d.C. e o último no século XVIII. Tal gênero influenciou a música popular dos cidadãos de Bizâncio. Grandes compositores se destacaram.
Há, nos mosteiros, manuscritos com diferentes notações musicais, que abrangem toda a trajetória da composição da igreja. A música bizantina ofereceu a diferentes culturas suas bases musicais.
A peça a ser apresentada no evento é de Dimitri Minakakis, expressão da Divina Liturgia de São João Crisóstomo, escrita no século IV e acompanhada por instrumentos de corda, tal como apresentada nos primeiros séculos do Império Bizantino, sobretudo na Catedral de Santa Sofia.

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