
terça-feira, 28 de novembro de 2006
Dente de Elvis empaca em leilao
domingo, 26 de novembro de 2006
The Who presta tributo a Elvis Presley em shows
sábado, 25 de novembro de 2006
Povoado da Escócia reivindica raízes de Elvis Presley
http://musica. uol.com.br/ ultnot/efe/ 2004/03/23/ ult1819u68. jhtm
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
CD - Pink Cadillac - The Recordings Of 1956

The CD "Pink Cadillac - The Recordings of 1956" appears to be the first legal budget CD release of Elvis' 1956 recordings (due to the 50 year copyright rule in Europe). It is a 25 track compilation due for a UK release on January 29, 2006Tracklisting:
01. Heartbreak Hotel
02. Blue Suede Shoes
03. Hound Dog
04. I Got A Woman
05. Money Honey
06. Tutti Frutti
07. Lawdy Miss Clawdy
08. Shake, Rattle And Roll
09. I Want You, I Need You, I Love You
10. Don't Be Cruel
11. Paralyzed
12. Long Tall Sally
13. Too Much
14. Ready Teddy
15. Rip It Up
16. Blue Moon
17. I Don't Care If The Sun Don't Shine
18. I'm Counting On You
19. My Baby Left Me
20. I'm Gonna Sit Right Down And Cry (Over You)
21. We're Gonna Move
22. Poor Boy
23. Love Me
24. Any Place Is Paradise
25. Love Me Tender
Source: The Elvis Express / Updated: Nov 21, 2006
sábado, 18 de novembro de 2006
Origens do Rock
Essencialmente híbrido na origem, o rock music inclui elementos de vários estilos de música americana: o blues acompanhado da guitarra black; o blues e o ritmo black, produzidos com solos de saxofone; a música góspel branca e negra; a música country e western; o som dos cantores de rádio popular e os grupos de harmonia. Em 1954-55, epóca de seu surgimento, o rock era mais conhecido como "rock'n'roll" . Após 1964, ele era simplesmente chamado de "rock music". Essa mudança na terminologia indica uma continuidade e ao mesmo tempo um rompimento com o período anterior; o rock não servia somente para dançar. Também nessa época, a música foi influenciada pelos grupos britânicos, assim como os Beatles.
Os anos 50: Bill Haley e o Rock'n'Roll
A primeira gravação rock'n'roll que obteve popularidade nacional foi "Rock Around the Clock" produzida por Bill Haley e The Comets, em 1955. Harley fez sucesso ao criar uma música voltada para a juventude, que incluía suas batidas empolgantes, a necessidade de se dançar e o efeito de suas letras. A melodia era claramente tirada por sua guitarra elétrica; as letras eram normais e simples. Haley acabou abruptamente como a ascendência das baladas suaves e sentimentais, que eram populares nos anos 40 e início dos 50. Ele também obteve êxito ao utilizar o ritmo black e o blues, de forma que o público de adolescentes brancos pudesse entender. O blues, e o "rhythm and blues", também eram identificados como adultos, sexuais, revoltados e únicos pela cultura negra, por isso foram aceitos tanto emocional como comercialmente, sem precisar de adaptações. A principal gravadora havia anos que produzia gravações apenas para o público black, por isso era chamada de "race records". O surgimento do rock'n'roll trouxe um significante enfraquecimento na resistência da cultura negra. O incomparável rock'n'roll black que Haley criou, pode ser ouvido em produções sexualmente adultas de artistas como Hank Ballard e os Midnighters ("Work with Me, Annie") ou o "Grande" Joe Turner ("Shake, Rattle, and Roll"), ou no último som adaptado por Haley para um público branco que é "Dance with Me, Henry". O rock'n'roll foi feito para ou sobre os adolescentes. Suas letras traziam temas comuns da adolescência: escola, carros, férias, pais e o mais importante, amor. Os principais instrumentos do velho rock'n'roll eram a guitarra, o baixo, o piano, a bateria e o saxofone. Todos os aspectos da música - sua batida pesada, a sonoridade, as letras auto-absorvidas e a liberação da loucura - indicavam uma rebeldia dos adolescentes pelos valores e autoridade dos adultos. Entre os influenciadores dos anos 50 estavam Chuck Berry ("Johnny B.Goode"), Little Richard ("Good Golly Miss Molly"), Sam Cooke ("You Send Me"), Buddy Holly ("Peggy Sue"), Jerry Lee Lewis ("Great Balls of Fire") e Carl Perkins ("Blues Suede Shoes").
Final dos anos 50 e início dos 60: Elvis, Motown e a Invasão Britânica
O maior símbolo do rock'n'roll entre 1956 e 1963 foi Elvis Presley, um motorista de caminhão de Tupelo, Miss., que tornou-se cantor. Sua liberação melancólica e sexual atraía diretamente o público jovem, enquanto que horrorizava os mais velhos. Como o rock'n'roll havia se tornado um sucesso financeiro, as gravadoras que o consideravam uma coqueluche, começaram a garimpar novos cantores; eles geralmente faziam sucesso ao comercializar as suas músicas mais rebeldes. No final dos anos 50, por exemplo, estavam na moda as canções sentimentalmente mórbidas, assim como "Laura" e "Teen Angel". Nesta época, Detroit tornou-se um centro importante para os cantores negros, então, surgiu um certo tipo de música conhecida como "Motown" [motor town], que foi nomeada pela Motown Records. O estilo é caracterizado por uma pessoa que canta canções melódicas e impressionistas, acompanhada de um grupo elegante com harmonias compactas e articuladas. Os expoentes populares deste estilo são: Temptations, Smokey Robinson e o Miracles, Diana Ross e o Supremes, e. Gladis Knight e o Pips. O rock music tornou-se popular novamente em 1962, com o surgimento dos Beatles, um grupo de quatro rapazes com cabelos longos, de Liverpool, Inglaterra. No início, eles foram aclamados por suas energias e personalidades individuais atraentes, e não pela inovação de suas canções, que tiveram influência de Berry e Presley. A popularidade deles inevitavelmente incentivou outros grupos com nomes anormais. Um dos mais importantes destes grupos foi o Rolling Stones, cuja música derivou da tradição black do blues. Estas bandas britânicas instigaram o retorno às raízes blues do rock'n'roll, apesar de já possuírem características mais barulhentas e eletrônicas.
Final dos anos 60 e início dos 70: Anos Dourados do Rock
Folk-Rock
Uma importante transformação do rock ocorreu em 1965, no Newport Folk Festival, quando Bob Dylan, um notável compositor e escritor de canções poéticas populares e letras de protesto social como "Blowin' in the Wind", apareceu tocando uma guitarra, acompanhado por sua banda de rock eletrônico. Assim, o folk-rock ocupa o seu espaço, com grupos que utilizam arranjos e cantores de rock, os quais compõem letras poéticas para suas canções (exemplo, "Norwegian Wood" e "Eleanor Rigby" dos Beatles). O arranjo do The Byrds da música "Mr. Tambourine Man" de Bob Dylan, é um clássico do folk-rock. Bandas como The Mamas And The Papas; Peter, Paul and Mary; Donovan; e The Lovin Spoonful tocavam um tipo música que foi classificado como folk-rock.
Canções de Protesto e a Cultura das Drogas
Nos anos 60, a música espelhava as tensões da Guerra do Vietnã e desempenhava um importante papel na cultura americana. O conteúdo verbal das canções de rock traziam rebeliões, protestos sociais, sexo e principalmente drogas. Muitos grupos, entre eles o Jefferson Airplane e o Grateful Dead, tentavam expressar na música, o sentimento aural das drogas psicodélicas, produzindo sons longos, repetitivos e esquisitos com letras surreais (conhecidos como "acid rock" ou "hard rock"). Em 1967, os Beatles novamente fizeram história com o álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, que, além de incluir canções que alertavam sobre as drogas, apresentava um corpo com peças interligadas, que constituía um todo orgânico. Ele foi considerado o primeiro "conceito de álbum". Outros trabalhos subseqüentes a este e com a mesma tendência foram o musical rock Hair (1968) e a ópera rock Tommy, composta e tocada pelo The Who.
O Rock Vem Com a Idade
No final dos anos 60, o rock estava amplamente relacionado a um importante padrão musical. Músicos como Miles Davis e John McLaughlin, e grupos como Traffic Or Blood, Sweat e Tears tentaram unir o rock ao jazz, enquanto que outros artistas como Leonard Bernstein e Frank Zappa queriam conectar o rock à música clássica. Os grupos que se destacavam pelos seus guitarristas, dentre eles Jimi Hendrix, Eric Clapton, Duane Allman e Jimmy Page, continuaram a executar variações com temas blues clássicos, utilizando instrumentos tradicionais do rock'n'roll. De 1967 para frente, os festivais de rock começaram a entrar na sua melhor fase, pois milhares de jovens os freqüentavam justamente para ouvir rock music. A maioria destes festivais pacíficos e bem sucedidos foi realizada em Woodstock, N.Y., em agosto de 1969. Porém, mais tarde, um evento semelhante, que trazia os Rolling Stones e foi realizado em Altamont, Califórnia, foi marcado por vários incidentes violentos que foram filmados, houve até um assassinato. Por volta de 1970, várias celebridades do rock - Janis Joplin, Jim Morrison e Jimi Hendrix - morreram por excesso de drogas. As características andrógenas e perigosas passadas pelos Rolling Stones foram levadas ao extremo pelos artistas Alice Cooper e David Bowie, que, talvez, eram mais famosos pela ambigüidade sexual e comportamento fora do comum, em suas músicas.
Final dos anos 70 até hoje: Punk Rock, Video Music e Roqueiros de Meia Idade
Um fato importante do rock ocorreu no final dos anos 70 com o punk rock, que foi uma resposta a estagnação do gênero e um protesto político niilístico. Iniciou-se, evidentemente, na Grã Bretanha, por bandas como Sex Pistols e The Clash. O punk rapidamente tornou-se popular nos EUA. No início dos anos 80, o rock music havia se modificado consideravelmente. O Black Flag, o Dead Kennedys e outros grupos também adotaram temas de protestos políticos para compor suas músicas. Durante os anos 80, os vídeos se tornaram um forma popular de promoção e entretenimento. Porém, no final dos anos 80, várias bandas, inclusive Nirvana, Pearl Jam e Mudhoney, continuaram seguindo a linha do punk rock, utilizando temas políticos e celebrando a própria falta de virtuosidade técnica. Nos anos 90, velhas bandas, entre elas o Grateful Dead e o Rolling Stones, tornaram a conquistar popularidade, não só dos jovens, mas também de muitos fãs de meia idade.http://www.portaldo rock.com. br/origensrock1. htm
quinta-feira, 16 de novembro de 2006
AMERICAN CROWN JEWELS
A década de 60 varreu os EUA. Em meio a rupturas de valores antigos, protestos anti-guerra, revolução sexual, luta por direitos civis e das mulheres, a música desempenhou papel importante. Os EUA da década de 50, de uma juventude aparentemente inocente das saias rodadas, dos bailes de formatura, churrascos familiares em dias de domingos, de uma sociedade hipocritamente determinada a ditar regras de bons costumes e princípios morais, enfim, o American Way of Life, não só estava sendo desmascarado e contestado, mas também estava simplesmente desmoronando. A geração da década de 60 era muito mais realista e socialmente ativa que suas antecessoras. Quebrar padrões e contestar gerações anteriores era algumas de suas principais metas. O sexo e a droga haviam se unido formando um casamento atraente, mas ao mesmo tempo explosivo. Os hippies proclamavam o amor e eram contra a guerra do Vietnã, contestando o modelo americano de uma forma até então inédita. E a música. Essa sim foi o grande combustível da década. Quando os Beatles invadiram a América em 64 o Rock avançava mais um degrau abrindo portas para muita outras bandas de peso como Rolling Stones, The Byrds, Jefferson Airplaine, The Mamas and The Papas,The Doors, The Who, entre outras centenas. Bob Dylan elevava a poesia a décima potência e a fundia com a música de uma forma até hoje inacreditável. Janis Joplin soltava a voz feminina mais grosseira e impactante que já se tinha visto em um turbilhão de entrega corporal e orgia de drogas. Jimi Hendrix botava fogo na guitarra que, com ele, não só levava o rock e o blues às últimas conseqüências, produzindo ruídos inovadores, mas ao mesmo tempo estranhos, como também atribuía ao rock uma nova conotação nunca antes explorada: os protestos poderiam ser feitos em forma de música. Você deve estar se perguntando, o que isso tem a ver com Elvis? E eu respondo. Nada. E é exatamente esse o problema de Elvis na década de 60. Ele não tinha nada a ver com a realidade do país e da juventude. Também é, estabelecendo esse panorama americano na década de 60, que iniciaremos a nossa viagem musical em um dos mais fantásticos e geniais períodos de Elvis em sua carreira: as sessões de janeiro e fevereiro de 69 no American Studio em Memphis.
Vamos voltar ao começo da década quando Elvis acabara de voltar do exército. O ano de 1960 foi, sem dúvida, excelente para a carreira do cantor. Após três músicas em primeiros lugar, uma evolução vocal absurda, bem sucedidas incursões no cinema e sessões de gravação de alta qualidade, parecia que Elvis estava pronto para dominar a década de ponta a ponta. Mas não foi o que aconteceu. Preso a contratos de cinema Elvis passou a década sendo obrigado a fazer um filme ruim atrás do outro. Os detalhes dessas guinada negativa da carreira de Elvis são por demais complexos, e merecem um artigo a parte. Mas saibam só que suas razões são, de forma simplificada, as seguintes:
1- Elvis foi vítima de um fenômeno terrível que assola qualquer profissional: a substituição do interesse artístico pelo financeiro. Não que Elvis tenha feito isso. Os responsáveis foram os gananciosos estúdios de Hollywood que de arte não entendiam nada e o principal responsável por afundar a carreira de Elvis, Coronel Tom Parker. O Coronel sacrificou Elvis o cantor, por Elvis o ator medíocre que atuava em 3 filmes ridículos por ano, que eram entupidos de garotas bonitas, cenários paradisíacos, histórias pífias e irreais e muitas, mas muitas músicas ruins.
2- A vinda dos Beatles e de outras bandas que compunham material próprio. Até então, era raro um cantor que escrevesse suas músicas. Elvis, por exemplo, possuía uma companhia musical responsável por contratar escritores para compor para Elvis. Ocorre que na década de 60, os grandes compositores, ou montavam suas próprias bandas, ou se aventuravam no cenário independente. Resultado: Elvis ficava a mercê de escritores ruins, cujas músicas eram compradas a preço de banana pela Hill Range (companhia musical responsável por grande parte do catálogo de Elvis). Os poucos escritores que ainda escreviam material mais contemporâneo viam portas sendo batidas em suas caras quando ofereciam músicas de qualidade para Elvis que, infelizmente, não era compositor.
3- O próprio Elvis que assumiu uma atitude exacerbadamente passiva em relação a tudo isso. Nenhum roteiro de filme era contestado e nenhuma música das trilhas era excluída, por pior que fosse. E nas poucas vezes em que se insurgiu contra tudo isso, Elvis foi rapidamente manobrado pelo Coronel. Logo ele, que tinha uma dificuldade enorme em confrontar pessoas e situações adversas. Além disso, não esqueçamos o fato que Elvis decidiu se afastar o mais que pode da década de 50 em sua cabeça. Afinal, foi a época mais feliz de sua vida e o principal, sua mãe estava com ele. Lembrar dos anos 50 era lembrar de Gladys. E essa lembrança, misturada com comparações inevitáveis com a atualidade da época, onde ele estava preso a contratos sem futuro e em um esquema fonográfico que estava assassinando toda sua criatividade musical, fizeram com que Elvis negasse a década de 50 em sua cabeça, sempre a taxando “coisa de criança”. Essa atitude seria levada até os dias finais de sua morte, fato que explica o porque do seu desrespeito com muitos dos clássicos dessa década, nos shows dos anos 70.
A situação foi piorando, até que em meados de 68 Elvis era literalmente irrelevante no panorama musical e motivo principal de chacota nos cinemas. O Coronel e a gravadora estavam preocupados, e até eles sabiam que mudanças deveriam ser feitas. A trilha de Speedway foi o maior fracasso de vendas de Elvis até então e a gravadora se recusou a lançar outra trilha. Apesar de, desde 66 Elvis ter lançado um single bom atrás do outro e de estar claramente se voltando mais e mais para suas raízes, a coisa não estava boa. Singles como Guitar Man e Big Boss Man foram ignorados pelo público. Elvis agora estava casado e era pai. Foi nesse contexto que uma das maiores viradas de mesa da história da música começou a acontecer. Durante os anos de 68 e 69 Elvis iria voltar com tudo às paradas musicais e novamente iria cair nas graças do público e crítica. Uma fase tão boa quanto os próprios anos 50, mas com um diferencial, Elvis estava mais maduro e determinado a conseguir material de melhor qualidade e relevância. A volta de Elvis foi sedimentada em três pilares. O primeiro foi o especial de tv na NBC conhecido como o 68 Comeback Special, cujo principal mérito foi mostrar ao mundo que Elvis não só estava vivo musicalmente, mas também que estava, tardiamente, porém, não tarde demais, pronto para retomar sua coroa de Rei do Rock de volta. O segundo pilar foram as sessões de gravação no American Studio de Chip Momam no início de 69, tema do nosso texto, que iriam trazer o nome de Elvis de volta as paradas e mostrar um Elvis cantando músicas mais profundas e de qualidade. O terceiro pilar foram os arrebatadores shows de Elvis em Vegas em agosto de 69 que de acordo com o baixista Jerry Scheff: “aquilo era punk rock!”. Esse terceiro pilar consolidou Elvis como o rei dos palcos e atração número um no país, após uma ausência de sete anos dos palcos.
Após o especial de 68 era imprecindível o lançamento de um álbum novo que desse seguimento ao “Comeback”. O primeiro local de gravação cogitado foi Nashville, onde Elvis havia passado a década gravando. Só que o desgaste provocado durante os anos e a própria falta de inovação artística que ele representava desestimulou Elvis. Além disso, a última sessão em Nashville no início de 68 que tinha a intenção de gravar um álbum foi um fracasso, pelo fato da companhia Hill Range simplesmente não conseguir mais fornecer boas músicas a Elvis, que dirá hits. Então, como Elvis acabou gravando no American? Antes de responder essa pergunta é necessário explicar a situação do estúdio na época e o porque de todo a empolgação de gravar no American.
O American studio era localizada em uma área barra pesada de Memphis e produzia um som bem funky contando com os talentosos músicos Reggie Young (que havia tocado na banda de Bill Black, ex-baxista de Elvis, The Bill Black Combo) na guitarra, Tommy Cogbill no baixo (Tommy também era produtor e quando estava produzindo era substituído pelo igualmente talentoso Mike Leech), Gene Chrisman na bateria, Bobby Wood no piano e Bobby Emmons no órgão. O produtor do estúdio era Chip Momam, nascido na Geórgia em 1936. Chip se mudou para Memphis aos 21 anos e se envolveu na formação do Stax Studio (o mesmo onde Elvis viria a gravar em 1973). O American havia tomado ares de estúdio em 1965 e desde dessa época se transformou em uma fábrica de fazer hits ( na época em que Elvis foi gravar no American ele era responsável por 64 hits em apenas 18 meses), contando com uma gama de grandes artistas que lá foram gravar, incluindo: Dionne Warwick, Roy Hamilton, Neil Diamond, Dusty Springfield, The Box Tops e Wilson Picket. Gravar no American era uma espécie de talismã para os artistas. Elvis recebeu influência para gravar lá de várias pessoas. Marty Lacker, um dos caras da Máfia de Memphis, havia começado a trabalhar recentemente no American. George Klein, amigo de Elvis e DJ, conhecia Chip Momam e tinha produzido em seu estúdio algumas músicas para uma pequena gravadora que tinha começado com um sócio. E Red West trabalhava com Chip tanto como escritor como quanto cantor. Além de todas esses contatos, Elvis ainda seria agraciado com o fato de não ter que deixar Memphis. Chip ainda tinha vários bons escritores trabalhando para ele que, claramente, eram melhores que os arrumados por Freddie Bienstock que era o responsável pela companhia musical de Elvis. Dessa forma as sessões foram marcadas para janeiro de 69. Chip receberia 25 mil dólares por dia e desmarcou uma sessão com Neil Diamond pra encaixar Elvis. E o Coronel, vocês devem estar se perguntando, que nunca queria que seu pupilo sofresse influências de fora? Dessa vez, as coisas aconteceram de uma forma tão natural que o Coronel pouco pode fazer algo a respeito, além de não ter conseguido o apoio de Felton que era a favor das sessões serem no estúdio de Chip.
Não acompanhado de sua banda, em um estúdio psicodélico e desconhecido, com o desafio de gravar boas músicas e sabendo que nenhum dos músicos presentes estava muito impressionados com ele, talvez curiosos (tem-se que lembrar que os músicos do American eram alguns dos top de linha do país na época) Elvis se sentiu intimidado, apesar de sentir o respeito de todos ali no ambiente. Pronto. O cenário estava feito para Elvis detonar. Ele era o tipo de pessoa que, não só gostava de ser desafiado, como respeitava quem o desafiava, nunca perdendo a vontade de mostra o quão bom ele era. Até o momento, apenas um homem havia feito isso, e esse homem foi Sam Phillips que levou um inexperiente jovem de dezenove anos a experimentar cruzar barreiras musicais antes nunca exploradas e dar o melhor de si. Chip Momam estava para fazer o mesmo. As sessões de Elvis no American são sem dúvida as melhores de sua carreira e só comparadas com as da Sun Records, tanto em termos de originalidade quanto em termos de intensidade. Havia um ar de inovação no American com Elvis em 69, uma sensação de história sendo escrita, de que aquelas sessões seriam mais que uma simples gravação. Havia inovação no ar. Mas, as sessões na Sun foram feitas em um período de um ano e meio, enquanto as do American em apenas dois meses, portanto elas levam o título de melhores da carreira de Elvis. Aclamadas pelos mais exigentes críticos musicais e sendo uma unanimidade entre os fãs de Elvis de todos os tipos, as sessões de 69 produziram algumas das melhores músicas de Elvis e elevaram sua carreira a um novo patamar, explorando novas fronteiras. A Bilko lançou o monumental cd American Crown Jewels, objeto de nossa análise. E que cd!!!! Além da qualidade impecável do material, contamos ainda com uma qualidade sonora estupidamente perfeita e o fato das músicas não serem com os overdubbs. Aqui você vai encontrar os clássicos como Suspicious Minds e In The Ghetto (e vai se apaixonar ainda mais por eles), vai prestar mais atenção em verdadeiras obras primas como Any Day Now, que você já sabia que eram boas, mas não sabia o quão boas elas eram e, de quebra, ainda vai encontrar músicas que você tinha escutado um milhão de vezes mas nunca tinha gostado, como a emocionante Long Black Limousine. Aqui estão as músicas desse monumental cd analisadas uma por uma:
1- LONG BLACK LIMOUSINE (take 6): Com a voz rouca, fato causado por uma infecção na garganta, tocando com uma banda que, na época, não se intimidava com o próprio Elvis, e com a obrigação de tentar apagar uma década de músicas ruins, Elvis iniciou a sessão com essa música. Senhoras e senhores eu lhes apresento uma das melhores e mais emocionantes músicas gravadas por ele. Long Black Limousine tem uma melodia puramente soul, belíssima, mas sua letra é simplesmente fantástica, entrando fácil na minha lista das melhores letras da carreira de Elvis. Para ser sincero, o nível das músicas dessas sessões é, em sua maioria, absurdo. E começar o cd com essa aqui é uma ótima pedida. Os músicos da American Band sempre enfatizaram como ficaram impressionados com o compromisso de Elvis com essas músicas. Bom, eles devem ter ficado boquiabertos com essa aqui. Elvis simplesmente destrói nos vocais e nem uma grosseira desafinada no fim da música tira a sua beleza. Elvis se entrega à música de uma forma só vista no especial de 68. Long Black Limousine é uma canção que fala de uma garota de uma pequena cidade que sonha em ser rica e vai para a cidade grande tentar a sorte. O narrador da música é o namoradinho da garota que vê seu grande amor trocando a vida simples do interior por uma tentativa que, muitas vezes, se torna frustrada de se tornar rica e importante. A garota vai embora e promete voltar à cidadezinha, só que dessa vez em uma grande limosine preta. A música começa com Elvis descrevendo que na ruazinha onde eles costumavam namorar, agora pode ser encontrada uma longa fila de pessoas de luto. Depois explica que eles são todos os amigos ricos que a garotinha arrumou na cidade grande e que agora ela realizava seu sonho de retornar a sua cidade natal em uma limosine preta. Só que a limosine preta carrega o corpo sem vida da garota, que como Elvis diz, conseguiu se dar bem na grande cidade, vivendo uma vida de luxo, regadas a festas e muito álcool. Uma noite, a garota morreu em um acidente causado por embriaguez. No último verso o vocal de Elvis cresce e ele diz que a observa, com os olhos cheios de lágrimas, indo embora na limosine dirigida por um chique motorista. E grita depois, desesperado, como se o próprio Elvis tivesse presenciado a cena que ele jamais amaria outra e finaliza com a emblemática e forte frase que todos os sonhos e o coração dele estavam indo embora junto com ela na grande limosine preta. Simplesmente linda! Enfim, essa canção é um soul com S maiúsculo que conta uma pequena e triste história de uma forma apaixonante com uma bela lição de moral. E para completar Elvis a canta de uma forma tão sincera que é impossível não se emocionar. Esse take é bem mais cru que a versão conhecida e não conta com os back vocals. Mas também é mais bruto, intenso e desesperado que o master. Com certeza uma das melhores músicas de toda a carreira de Elvis. Aposto que você não sabia! Mas não tem problema, qualquer tentativa de descrição minha dessa canção, por mais detalhada possível vai parecer ridícula e infrutífera. Long Black Limousine tem que ser escutada e antes de tudo sentida.
2- WEARIN´ THAT LOVED ON LOOK (take 10): A música que começa o festejado álbum From Elvis in Memphis, para onde algumas das melhores músicas dessas sessões foram, é esse rock blues com um arranjo diferente de tudo o que você ouviu em uma música de Elvis. Elvis sofreu para gravar essa canção devido a sua roquidão que só a fez tornar mais única, dando a elaum tom mais sujo. Nunca falar de traição soou tão proibido, divertido e sacana como nessa música de Elvis. Sua letra fala de um homem que tem que deixar a sua casa e quando volta encontra sua namorada dando altas festas e fazendo a farra, se aproveitando de sua ausência. A traição é totalmente implícita, o que torna a música melhor ainda. Foi a última música desse dia da sessão. Apenas três músicas haviam sido gravadas (This is the Story, uma das mais fracas da sessão gravada provavelmente para agradar a Hill range foi a outra, detonada em 2 takes). Claramente, duas jóias do Nilo haviam sido gravadas e o primeiro dia, apesar da obviamente desconfortável quebra do gelo e de Elvis lutar muito contra sua infecção, o resultado foi mais que positivo. Vale deixar claro Elvis rapidamente se incorpora na banda. Notamos uma sintonia especial entre ele, os músicos e o produtor Chip Momam, que denota claramente que, pela primeira vez desde a Sun records, Elvis estava sendo desafiado e testado em estúdio, além de não estar 100% no controle, o que ele estava adorando. Na verdade pouca gente enfrentou Elvis (de uma forma produtiva e acertada, claro) e Chip Momam o fez de uma maneira que não só fez Elvis se sentir respeitado como também inspirou um grande senso de unidade e comando coletivo em estúdio. O take aqui usado é muito parecido com o master e os vocais de Elvis estão um pouco menos polidos.
3- YOU´LL THINK OF ME (take 7): Como dito anteriormente, uma das raivas do produtor Chip Momam, foi a tentativa dos caras da Hill and range de empurrar material para a sessão, em sua grande maioria de péssima qualidade. Apesar de vir desse catálogo, You´ll Think Of Me não tem nada de ruim. Pelo contrário, tecnicamente é tão perfeita quanto clássicos como Kentucky Rain e In The Guetto, além de ser uma das músicas mais difíceis da sessão, tanto para Elvis, como para os músicos que aqui dão um show!! Com um trabalho instrumental meticuloso, destacando os ótimos solos do igualmente ótimo Reggie Young, You´ll Think Of Me é uma música delicada e intensa que exibe vocais de Elvis de uma perfeição assustadora, take após take. Ela foi toda escrita por Mort Shumam que, sem o seu parceiro habitual Doc Pomus, e em sua contribuição final para Elvis acerta uma pequena obra prima, que teve a grande responsabilidade de ser o lado B de Suspicious Minds, elevando ainda mais a já alta qualidade do single. A música fala de uma separação onde o próprio homem no fim admite que apesar da garota com certeza passar muito tempo sofrendo por ele, no fim ela o vai esquecer. Uma análise bem diferente de um fim de relacionamento, se comparada a outras músicas de Elvis, com certeza. A dedicação de Elvis aliada à qualidade impecável da banda com a da música em si, novamente promovem um resultado espetacular. Uma música para ser descoberta, sem dúvida.
4- A LITTLE BIT OF GREEN (take 1): Após o exaustivo trabalho que a música de Mort Shumam deu, e após gravar em apenas dois takes a excelente I´m Moving On (esta canção seria novamente gravada com vocais diferentes), Elvis decide pegar leve com um country delicioso de ser ouvido, cuja autoria era dos mesmos três compositores de This is The Story, a relaxante e bela A Little Bit of Green. Gravada em apenas 3 takes, essa agradável canção não fazia muito o gosto de Chip Momam que, entre outras músicas, deixava espaço para o “momento Elvis” da sessão. Aqui os vocais de Elvis estão, apesar de relaxados, porém, no limite, devido à sua infecção, o que o fez faltar os dias seguintes de gravação deixando os músicos botando as partes instrumentais em várias canções. Esse primeiro take é, como a própria melodia da música propõe, bem relaxado, com Elvis dando uma risadinha no fim da música Uma curiosidade: no master os back vocals de Charlie Hodge são bem evidentes. Outra coisa importante de se notar é que todas essas músicas gravadas enquanto Elvis estava doente não tiveram seus masters aproveitados ou apenas parte deles, devido à roquidão de Elvis, que poria novos vocais nelas posteriormente. O dessa canção foi reposto em 26 de setembro de 69.
5- IN THE GHETTO (take 3): Após cinco dias destinados a recuperar sua voz, Elvis voltou ao estúdio no dia 20 de janeiro. A banda havia posto a parte instrumental em quatro músicas: Don´t Cry Daddy, Inherit The Wind, Mama Liked The Roses e My Little Friend. A sessão foi retomada com uma música que o compositor Mac Davis havia trazido para a sessão. Davis já trabalhava em músicas para Elvis desde 68, quando contribuiu com as excelentes A Little Less conversation e Memories. A música era In The Ghetto, uma canção que falava sobre um pequeno garoto nos guetos de Chicago, onde a miséria imperava. Mac Davis havia apresentado a Chip Momam uma fita com dezenove músicas, das quis In The Guetto havia sido escolhida. O próprio Davis tocou-a para Elvis ouvir em estúdio. Reggie Young copiou o arranjo e Elvis decidiu gravar a música. Porém, um dos caras responsáveis pela Hill Range estava no estúdio e, vendo várias músicas de fora entrando nas sessões advertiu Chip que a Hill queria ter o direito autoral sobre todas as músicas, Chip, enfurecido, quase dá a sessão por encerrada. Elvis notando a polêmica, e em uma das poucas vezes em sua vida que resolveu intervir, tomou uma atitude e esvaziou a sala, deixando somente produtores e músicos. Mas essa não era toda a razão da polêmica em torno da canção. O grande problema era que In the Ghetto possuía uma letra explicitamente de conteúdo e denúncia social. Elvis sempre havia sido aconselhado pelo coronel a nunca fazer músicas com conteúdo assim. Porém, como o próprio Elvis disse em entrevista, era uma música muito boa para ser ignorada. Além disso, a letra lembrava muito o próprio Elvis de sua infância pobre, lembranças estas que nunca o abandonaram. Era como se ele dissesse: “Eu nunca esqueci minha origem pobre.” Outra razão era que If I Can Dream, música do especial de 68, também com mensagem política explícita, precisava de uma sucessora. Esse período de 68-69 foi o único em que Elvis gravou músicas com esse teor. Mac Davis disse que tirou a inspiração de sua própria infância, em Lubbock, Texas. Davis afirma que tinha um amigo que morava em uma parte da cidade muito similar a um gueto e ele nunca entendia porque ele tinha que morar em um bairro bom da cidade e seu amigo em um local tão sujo e degradante. Afirmou que sempre quis fazer uma música sobre o tema. O título inicial era “The Vicious Circle” ou Ciclo Vicioso. Explicando o nome Davis afirma que as crianças pobres do gueto nasciam cresciam e morriam nesse ambiente, sendo substituídas por outras novas que nasceriam e enfrentariam as mesmas dificuldades. In The Guetto é um musicão em todos os sentidos. Tem uma das letras mais belas de Elvis, uma melodia emocionante e ainda contou com a competência dos excepcionais músicos do American. Mas o segredo da música está no próprio Elvis que se entrega de corpo e alma durante 23 meticulosos takes, sempre sob a orientação de Momam. Elvis apreciava Chip, entre outras coisas, por ser um dos poucos produtores que efetivamente o tratou em pé de igualdade. Chip era capaz, inclusive, de interromper Elvis para lhe dar sugestões que eram todas acatadas. In The Ghetto é uma denúncia explícita com uma letra simples, porém forte. Todos que se encontravam no estúdio ficaram impressionados com a dedicação de Elvis ao gravar a canção que se tornou um dos pontos mais alto de sua carreira, uma canção aclamada pela crítica e pelo público. Elvis Presley que havia passado uma década inteira cantando para crianças e cachorros agora mostrava o verdadeiro artista que era, capaz de competir de igual para igual com Beatles e derivados. Esse terceiro take é muito parecido com o master, como todos os outros, refletindo a concentração de Elvis. A voz quase sussurrada, reflete uma inquietação e revolta que pensamos estar prestes a explodir, porém nunca o faz, se transformando em um relato triste e emocionante de uma das mais cruéis realidade do cotidiano americano.
6- RUBBERNECKIN´ (take 2): Após In The guetto e depois de substituir os vocais de Gentle On My Mind feitos no dia 15, quando a voz de Elvis já estava pedindo arrego, chegou a hora da música final do dia. Rubberneckin´ é um simpático rock que foi gravado em 2 takes, sendo o aqui apresentado o master undubbed, ou seja, limpo e seco. Após o árduo trabalho, Rubberneckin´ descontrai a sessão. Com um solo introdutório típico de um hit e uma batida feita para as rádios, a canção nunca recebeu a atenção que deveria, sendo inclusive cedida para o último filme de Elvis, Change Of Habit. Rubberneckin significa fofocar, ou se meter na vida dos outros. Apesar da letra meio tosca, não podemos negar sua intensa alegria. Afinal, faz bem não se levar a sério, às vezes. Foi lançada como lado B de Don´t Cry Daddy, sem alcançar repercussão. Isso iria mudar em 2003, quando a BMG, após o sucesso do remix de A Little Less Conversation, decidi lançar um outro, dessa vez, feito por Paul Oakenfold. O single alcançou grande sucesso nas paradas mundiais, apesar de não fazer nem metade do sucesso de seu antecessor. Foi incluído no sucessor de Elvis 30# 1 hits: Second To None. A escolha da música foi boa e o remix bem feito, porém faltou um pouco mais de promoção e de marketing. De qualquer forma, as novas gerações conheceram esse, até então desconhecido trabalho de Elvis feito lá nos estúdios de Momam.
7- FROM A JACK TO A KING (take 2): O dia seguinte de gravação foi dedicado a por o vocal nas músicas gravadas na ausência de Elvis e a substituir os vocais de You´ll Think Of Me, I´m Moving On e This is The Story, além de fazer substituir algumas partes de Long Black Limousine eWearin´ That Loved On Look. Uma curiosidade é que durante esses dias Roy Hamilton, um dos grandes ídolos de Elvis estava gravando um disco no American pela manhã, enquanto Elvis gravava à noite. Elvis fez questão de conhecer Hamilton e não mediu palavras ao dizer o quanto admirava seu trabalho. Mas a atitude que impressionou a todos foi quando Elvis cedeu uma de suas músicas, chamada Angélica, para Roy, que a gravou posteriormente. Angélica era uma das músicas mais promissoras da sessão e infelizmente, não alcançou grande repercussão na voz de Hamilton. O dia de gravação começou com uma versão de Hey Jude de Elvis que saiu muito aquém do esperado, entre outros motivos, por Elvis simplesmente esquecer de mais da metade da letra. No meio das substituições de vocal Elvis resolve cometer um de seus poucos erros nas gravações: cantar From a Jack to a King. Sério mesmo, 90 % das músicas da sessão eram de muito boas pra cima. Só que o nível com essa ca,i e muito. Com uma melodia tosca e os próprios músicos da banda não muito inspirados (afinal parecia que ninguém fora Elvis gostava desse lixo!), além de uma letra mais brega que as de Zezé de Camargo, From a Jack to a King é, não só a pior música da sessão como uma verdadeira alien em um cd do nível desse. É como se você estivesse ouvindo um cd do U2, e de repente, começasse uma música do Eminem!! E para piorar o que já era muito ruim, Felton avacalhou e botou os piores back vocals de todos os tempos. Só escutando para ouvir a porcalhada. Sem dúvida a única música ruim do cd. Curiosidade: era uma das músicas preferidas de Priscila Presley, o que demonstra que seu gosto musical era no mínimo muito ruim!
8- WITHOUT LOVE (take 5): O último dia programado para Elvis, começou com a gravação dessa belíssima balada, que possui um dos mais difíceis vocais da carreira dele, que se entrega novamente 100%, fazendo da música um dos pontos altos da sessão. Gravada, entre outras pessoas por Clyde McPhatter dos Drifters, Elvis a havia tentado gravar no início de sua carreira, porém, devido aos seus difíceis vocais, incompatíveis com a voz de Elvis na época, a tentativa sempre foi frustarada. Essa música ficou, então, na cabeça de Elvis por mais de uma década, até que ele, dispondo de uma voz muito mais poderosa na época, pudesse se atrever a tentar grava-la. O resultado não poderia ser diferente, Elvis se superando mais uma vez. A versão aqui apresentada é a do master undubbed.
9- SUSPICIOUS MINDS (take 7): Após improvisar em apenas um take I´ll Hold You In My Arms, uma antiga música de Eddie Arnold que Elvis vira de ponta a cabeça transformando- a em um country blues com uma pegada de piano pesada, tocado pelo próprio Elvis e que viria a ser um dos pontos altos do disco From Elvis in Memphis, e após uma rápida incursão na apenas mediana I´ll be There de Bobby Darin, era chegado o momento que Chip estava esperando. Após deixar Elvis brincar com algumas de suas músicas favoritas e não se meter no processo, Chip traz a sessão uma música que ele apostava que seria um número um nas paradas. A música era Suspicious Minds e o seu autor era Mark James, que viria a escrever algumas das melhores músicas dos anos 70 de Elvis, incluindo a ultra clássica Always On my Mind. Ela já havia sido gravada um ano antes no mesmo estúdio pelo autor. O arranjo que seria usado, inclusive, era o mesmo. Levou apenas 8 takes para criar a maior obra prima da carreira de Elvis. Suspicious Minds é, não só a mais perfeita música de Elvis, tecnicamente falando, como também a mais prestigiada e adorada entre os fãs e, sem dúvida, a mais aclamada pela crítica. Seria no inverno de 69 o primeiro lugar nas paradas de Elvis desde 62. Musicalmente falando, ela representa uma síntese de toda a nova direção mais madura que Elvis iria seguir dali para frente. Com uma letra simples, porém bastante singela, Suspicious Minds fala de um relacionamento em vias de ser destruído por causa de ciúmes e mostra o locutor desesperadamente tentando convencer sua companheira da situação insustentável que a relação chegou. Como não se emocionar com a agora lendária frase: Oh let our love survive, dry the tears from your eyes. Let´s not let a good thing die. Honey, you know I´ve never lied to you”. A interpretação de Elvis é a mais apaixonada possível e, como todos no estúdio, ele sabia que aquele era o hit. Com uma introdução marcante de guitarra e o seu desenvolvimento crescente, Suspicious Minds cativa o ouvinte na mesma hora. Uma curiosidade é que a guitarra usada por Reggie Young é a mesma que foi usada por Scotty Moore em muitos clássicos de Elvis. O que ocorreu é que Scotty fez uma troca com Chip Momam. Ele tinha um pequeno estúdio na época e precisava de alguns keyboards, que consegui, trocando sua guitarra por eles, que passaram a ficar no American. Reggie sabendo as vinda de Elvis achou que seria interessante tocar na velha Gibson de Scotty. É essa a guitarra que você ouve na introdução. A versão apresentada aqui é a sem os overdubbs, acrescentados depois, que são um charme à parte, principalmente o falso fade, quando pensamos que a música irá acabar, mas depois retorna. Foi a música mais longa de Elvis alcançar o primeiro lugar. Essa balada dramática ganharia contornos diferentes nos palcos onde se transformaria em um dos pontos altos do show de Elvis que a transfigurou para um agitado rock, de 69 até 75, quando foi cantada pela última vez. Após a gravação houve novas discussões sobre o fato de Suspicious Minds ser uma música de fora e a Hill queria seus direitos sobre ela. Mas logo depois, tudo foi resolvido. Indispensável em um cd com a qualidade desse. A top de linha da discografia de Elvis, sem dúvida.
10- TRUE LOVE TRAVELS ON A GRAVEL ROAD (take 1): Após acalmados os ânimos entre Chip e o pessoal da Hill Range, outra bateria de sessões foi marcada para o mês seguinte, e no dia 17 de fevereiro lá estava Elvis no American. A diferença agora é que aquele típico ambiente de gravação de Elvis havia se instalado, muita brincadeira, espaço para improviso e era claro que Elvis estava se sentindo mais à vontade com os músicos. Era como se Elvis fosse mais um da banda. Tal ambiente favoreceu o início espetacular da sessão com uma jam de Blues, onde Elvis e a banda massacram no absoluto clássico Stranger in My Own Home Town, que recebeu número de matriz e foi lançado posteriormente no álbum Back In Memphis e é, até hoje uma das queridinhas dos críticos quandos e fala nessas sessões. Uma verdadeira obra prima gravada em apenas um take. Elvis era um mestre em gravar blues de uma forma rápida e impressionantemente perfeita. Sem dúvida uma das melhores músicas da sessão. Após gravar esse blues arrebatador, Elvis, Elvis começou a trabalhar em uma música dos mesmos autores de Wearin´That loved On Look, a belíssima True Love Travels On A Gravel Road, uma extraordinária balada, geralmente confundida com country. Combina a maestria da voz de Elvis, com a leveza que a American Band atribui a ela e uma letra falando de amor de uma forma mais madura e realista, ainda que poética, mas sem nunca perder a sensibilidade. True Love Travels On A Gravel Road é um outro verdadeiro musicão em uma sessão que parecia produzir um hit atrás do outro. Possui uma versão ao vivo em 1970 e era sem dúvida uma das músicas mais fortes novas de Elvis a entrar para os shows em Vegas em agosto, o que nunca ocorreu, Deus sabe porque.O take aqui apresentado, de acordo com algumas fontes é o primeiro, mas em outras é o terceiro. O que importa é informar que essa versão é bem diferente da anterior, mais acelerada e simplificada. Mesmo nesse take inicial notamos a clara aproximação de Elvis com a música em si, o que arranca uma grande interpretação dele, mais relaxada, é verdade, mas nunca deixando cair o nível. Também, com materiais dessa alta qualidade fica difícil para qualquer cantor se desempolgar. Merecia ter sido lançada como single, fato que nunca ocorreu. Uma curiosidade, após o terceiro take Elvis se senta no piano e improvisa I Can´t Stop Lovin You, para só depois terminar a gravação de True Love Travels On A Gravel Road. Ouça-a direitinho, você vai se surpreender com esse tesouro perdido.
11- THE POWER OF MY LOVE (take 1): A próxima música do cd, por ordem de gravação deveria ser And The Grass Won´t Pay No Mind, porém, a Bilko decidiu pular para o dia seguinte de gravação, quando a sessão iniciou com uma das melhores músicas da carreira de Elvis: o blues-rock The Power of My Love. Giant, Baum e Kaye ficaram conhecidos por algumas das piores músicas de Elvis da década de 60, porém, mostrando que eram melhores escritores do que todos imaginavam, eles fizeram essa belezura que combina todo o jeitão macho de Elvis ao cantar, uma pegada de blues pesada, uma certa agressividade e virilidade poucas vezes vistas e a American Band detonando mais uma vez. Felton Jarvis, nos overdubbs botou back vocals muito bons e uma gaita espetacular que só incrementaram o que já era perfeito. Considerada por muitos críticos uma das melhores do álbum From Elvis in Memphis, The Power of My Love deveria ter sido lançada como um single, fato que nunca ocorreu. E como uma crítica americana disse, o título da música deveria ser alterado para The Power Of My VOICE, pois a voz de Elvis aqui está uma perfeição, forte, agressiva e maliciosa. Uma mistura perfeita! O take aqui apresentado é o primeiro, e a guitarra recebe mais destaque no fim da música que, no master, que recebeu fade e, abafado pela orquestra, quase não foi escutado. Mais uma das preciosidades de Elvis em 69!
12- AFTER LOVING YOU (take 3):Além das canções trazidas pelo pessoal da Hill and Range e das músicas de Chip Momam, as sessões foram compostas de material trazido pelo próprio Elvis, músicas que ele conhecia há muito tempo e que ele tocava informalmente para amigos em momentos de lazer. Podemos inclusive ouvir uma versão dessa aqui com Elvis ao piano em Graceland em 66 que foi lançada no cd The Home Recordings. After Loving You foi uma dessas músicas. Apesar de ter sido um hit para Eddie Arnold em 1962, é a versão de Della Reese de 1965 que Elvis tem em mente, quando da hora de gravar. Nos dois primeiros takes Elvis toca piano e, não satisfeito com o resultado, passa a introdução para Reggie Young que faz um riff pesado de guitarra, que junto com a bateria de Gene Chrisman transformam a música em um blues carregado, com o tempo dobrado. Com uma letra exaltando uma mulher, After Loving You é outro “momento Elvis” da sessão. O Take apresentado aqui é o take 3, muito parecido com o master. Foi uma das músicas menos mexidas por Felton, que pouco teve que acrescentar overdubbs. Outro grande momento do disco.
13- AND THE GRASS WON´T PAY NO MIND (take 6): Já passamos da metade do cd e até aqui, com exceção de From a Jack to a King, o cd é simplesmente perfeito, com uma mistura de clássicos e surpresas agradáveis. Essas surpresas se dividem naquelas músicas que você sabia que tinham potencial, mas ainda não a haviam ouvido da forma como elas deveriam ter sido ouvidas. A falta de overdubbs e um novo take revigoraram muitas dessas canções. E tem aquelas músicas que você ouviu até dizer chega, mas nunca lhe chamou a atenção. Bom, American Crown Jewels está aqui para isso, lhe mostrar que até na música mais corriqueira Elvis deu 100%, nessas sessões. E And The Grass Won´t Pay No Mind é o maior exemplo disso. Essa belíssima balada passa completamente desapercebida até para os fãs mais árduos de Elvis. Sua versão original é muito boa, pórem talvez tenha ficado um pouco melosinha demais, devido aos equivocados overdubbs de Felton. Mas lhes garanto uma coisa, And The Grass Won´t Pay No Mind vai se transformar em uma das suas favoritas. O take aqui presente é o master. Bom, pelo menos é assim que está no encarte. Porém, sempre notei diferenças grandes dos vocais do lançamento oficial e esse aqui lançado. Descobri que, como algumas dessas canções, um vocal gravado em uma data distinta foi posto sobre o master. Nesse caso os vocais novos e ouvidos no lançamento oficial foram postos em setembro de 69, junto com os de A Little Bit of Green. Mas esse overdubb vocal foi desnecessário, pois o do master está perfeito.A música é uma balada e é de Neal Diamond, típico cantor romântico do fim dos anos 60 e anos 70. Elvis ainda viria a gravar Sweet Caroline do mesmo autor, no ano seguinte. And The Grass Won´t Pay No Mind é uma delicada canção bucólica com um estilo narrativo pouco comum na obra de Elvis. Inicialmente descrevendo a paisagem onde o casal da música está: “Escute com atenção, você poderá escutar Deus chamando, andando descalço pelo lago. Venha para mim, seu cabelo gentilmente caindo no meu rosto como se fosse um sonho.” E continua no interlúdio da música: “ Criança, toque a minha alma com o seu choro e a música saberá o que nós encontramos. Eu escuto mil adeus, mas hoje eu só escuto um som, o momento em que nós estamos vivendo é o agora.” Bem não convencional não acham?? Mas muito bonita! Sendo uma canção tão serena, mas ao mesmo tempo intensa And The Grass Won´t Pay No Mind exige uma sensibilidade vocal muito difícil e que Elvis tire de letra, combinando uma sutileza em sua voz, com uma calma na maneira de cantar quase inebriante. Foi gravada no primeiro dia das sessões que produziu também Stranger In My Own Home Town (!). E essa foi uma das melhores características dessa sessão. Como disse a Rolling Stone da época, Elvis conseguiu ir de um extremo a outro, indo da fúria à calmaria, da indignação à serenidade e da sutileza à intensidade, isso em um segundo.
14- DO YOU KNOW WHO I AM (take 1): Se teve uma canção que foi descoberta pela crítica especializada, após a morte de Elvis, essa aqui é uma delas. Do You Know Who I Am é uma belíssima balada em cuja maturidade de Elvis se faz presente de forma bem evidente. Tanto nos vocais, suaves e intimistas, como na própria letra que fala do reencontro casual de um antigo casal que trás à tona os sentimentos do relacionamento passado.Apesar de ser uma balada, o elemento soul, predominante em muitas músicas dessa sessão é inegável. Até quando estava gravando uma música simples como essa Elvis sentia que algo extraordinário estava acontecendo e dava os seus 100%. Esse primeiro take vira a música de cabeça para baixo, por dar a ela não só um tempo um pouco mais acelerado, mas também substitui a introdução do piano por uma simples guitarra ao ponto de, nos segundos iniciais, você nem reconhecer qual música é! O órgão, que geralmente estragava muitas músicas de Elvis, aqui é uma alegre surpresa. Esse primeiro take apesar de ser ainda não ser lapidado é muito bom. Lá pelo take 7 o tempo da música seria diminuído e o piano tomaria o lugar da guitarra. Do You Know Who I Am definitivamente não teve o destino que merecia, ficando esquecida entre as músicas do álbum Back In Memphis. Mas não se preocupem. Nosso trabalho é exatamente esse: lhes mostrar que a música de Elvis é tão vasta e ilimitada que ainda vai lhes proporcionar surpresas muito agradáveis.
15- KENTUCKY RAIN (take 7): No dia seguinte ao que Do You Know Who I Am foi gravada, Elvis iria gravar apenas duas canções. Mas cuidado com esse “apenas”, pois as músicas nada mais eram do que talvez as duas únicas que são capazes de concorrer de igual com In The Ghetto e Suspicious Minds: Kentucky Rain e Only The Strong Survive. Kentucky Rain era uma música de Eddie Rabbit que havia sido trazida por Lamar Fike que acreditava que ela era um hit em potencial. É definitivamente uma das mais intensas performances da carreira de Elvis e diferente de tudo que você já ouviu. Rabbit conseguiu contar em três minutos uma pequena história que narra a busca de um homem por sua mulher que o abandonou repentinamente, sem dizer para onde ia. Durante a música o homem encontra várias pessoas que viram sua mulher, mas parece que ele sempre está um passo atrás dela: “Sete longos dias e umas 12 cidades depois. Eu percebi que você tinha ido embora. Eu não sei porque você fugiu para onde ou de quem. Tudo que sei é que quero você de volta.” E o refrão diz: A chuva do Kentucky continua caindo. E lá na frente mais uma outra cidade que eu vou. Sempre andando com a chuva em meus sapatos. Procurando por você na fria chuva do Kentucky.” Como todos sabem, Kentucky é um estado americano e não restam dúvidas que essa música atualmente daria um clipe excelente. Aqui Chip, novamente percebendo um hit, dá cautelosamente as instruções a Elvis: “ Foi ótimo Elvis, mas você tem que levar a sua voz até um pouco mais perto do limite.”E Elvis assim o faz. O take aqui presente ainda apresenta os vocais de Elvis um pouco contidos, diferentes do master, mas não menos emotivos ou inspirados. Primeiro single da década de 70, Kentucky Rain foi top 20 (16#) nos EUA e encostou no Top 20 das paradas britânicas em 21#. Muito pouco para uma música boa como essa. Apesar de ter alcançado posição inferior, Kentucky Rain vendeu tanto quanto Don´t Cry Daddy, e se tornou a quarta música de Elvis gravada no American a ganhar o disco de ouro. Foi incluída exaustivamente por Elvis nos shows de Janeiro de 70, porém logo depois abandonada. Uma pena, realmente. Outra obra prima talhada por Elvis, Chip e companhia.
16- IT KEEPS RIGHT ON A HURTIN´ (take 2): Como disse anteriormente, pouca coisa feita no American não foi genial e essa aqui, infelizmente, se enquadra nesse perfil. Esse country apesar de muito bem executado, tanto por Elvis e pela banda, até que não incomoda tanto, só que comparado com outras músicas da sessão, fica muito abaixo do esperado. E o pior, foi lançado no álbum From Elvis in Memphis que tinha uma música boa atrás da outra, o que acentuou ainda mais sua fragilidade. Claro, remonta às origens countries de Elvis, do mesmo jeito que Stranger in my Own Home Town remonta às suas origens blues. Mas, o problema está na música que é muito fraquinha. Mas como disse, apesar de bestinha, não compromete muito a qualidade do cd.
17- ONLY THE STRONG SURVIVE (take 6): O cd está chegando ao fim e até aqui temos a sensação de que é impossível Elvis se superar, pela qualidade das canções, da banda e de suas performances, que é, até aqui simplesmente muito alta. Mas não se subestima gênios e , musicalmente falando, Elvis era um gênio. Mais que um cantor. Um cara que com as condições adequadas, a música certa e um bom incentivo transcendia esse plano e nos levava só onde os grandes vão. Simplificando para quem não entendeu, Elvis conseguia com uma nota que não durava nem três segundos arrepiar cada fio de cabelo do seu corpo. O canal usado era a música. E é exatamente o que Elvis faz durante os 29 takes dessa música!! Only The Strong Survive é não só a música mais soul de toda a sua carreira, mas também uma das mais intensas e sinceras performances que ele, em 23 de carreira, conseguiu realizar. Junto com as já citadas In The Ghetto e Suspicious Minds, Only The Strong Survive é a outra grande música dessas sessões. Aparentemente simples, ela começa com Elvis lembrando de sua época de adulto dizendo que se lembra do seu primeiro amor. Depois por algum motivo, ele não deu certo e sua mãe tinha bons conselhos para lhe dar em como superar essa primeira decepção e, por isso, ele decidiu reproduzir na música as suas palavras. Daí, a música propriamente dita começa com Elvis usando as palavras da própria mãe aconselhando o filho a levantar a cabeça, pois aquela seria o primeiro de muitos problemas em sua vida. Fala para ele levantar, pois só os fortes sobrevivem. Então, começa o refrão e o segundo verso que continua com os conselhos da mãe que diz para seu filho não andar com a cabeça baixa e não deixar a garota que deu um fora nele fazer com que ele pareça um palhaço. E encerra dizendo: Tem muitas garotas por aí procurando um bom homem como você. Mas você não as conhecerá se desistir agora e dizer que sua vida acabou.” Em suma, aparentemente, Only The Strong Survive é uma canção para adolescentes que tiveram a primeira decepção amorosa. Mas, longe disso. A música oferece uma mensagem muito mais profunda e universal que aparenta. É uma música de amor, pois fala sobre o fim de um. É uma música que fala de decepções em geral, usando o relacionamento apenas como um exemplo. Pode ser aplicada por qualquer pessoa, em qualquer idade, em qualquer circunstância. É uma canção que diz que só os fortes sobrevivem, mas de uma forma bastante discreta incentiva todos nós a, por piores que sejam nossos problemas, nunca mudarmos nossa essência boa, pois ela, dia mais dia menos, ainda nos dará bons frutos (presente na parte: there´s a whole lot of girls, looking for a good man like like you.......). E mais implicitamente ainda é uma canção que passa a mensagem de que sempre estaremos bem e conseguiremos superar tudo se cercado de pessoas que nos sustem e nos levantem (a figura da mãe presente na música não é a toa). Por todas essas razões Only the Strong Survive é o melhor soul da carreira de Elvis e uma música para ser ouvida e reouvida. Na época de sua gravação todos ficaram espantados com a performance de Elvis. Até Freddie Bienstock, o enjoado representante da Hill And Range se empolgou e, ao pegar um avião depois da sessão e se encontrar com Bob Dylan, não conseguia falar em outra coisa a não ser no ótimo trabalho que Elvis havia feito em Only The Strong Survive. Criminosamente ,a RCA não a lançou em um single. Esse take demonstra o quanto Elvis estava cantando com o coração e tem uma hilária curiosidade. No interlúdio, onde seriam postos os back vocals femininos, Elvis perde as estribeiras e incluí uma deslocada frase que inclui uma linguagem nada apropriada, mas muito hilária, principalmente porque ele se agüenta e não ri! Impagável.
18- ANY DAY NOW (take 2): Voltando ao antepenúltimo dia de gravação no American, Elvis cantou a última grande música dessas sessões: a de tirar o fôlego, Any Day Now. Originalmente gravada por Chuck Jackson em 1962 essa linda canção é outro grande soul gravado em Memphis. No original, Felton afundou a música em overdubs que incluíam um lindíssimo violino (nesse caso os overdubbs ficaram ótimos, apesar de excessivamente orquestrados) . Com um ritmo peculiar agitado, que disfarça muito bem sua letra desoladora, Any Day Now exprime uma dor de separação discreta, porém, aguda, transportada em sua intensidade dos auto- falantes do som aos nossos ouvidos através de uma performance apaixonada de Elvis. Depois de ouvi-la nos sentimos atingidos, um pouco tristes (é de cortar o coração a frase: “qualquer dias desses o amor vai me decepcionar e você não vai estar por perto”), mas com aquela sensação de termos escutados algo genuinamente bom e incrivelmente original, apesar dos sete anos de existência da música à época da gravação da versão de Elvis. Sem os overdubbs ela se transforma em outra, praticamente irreconhecível, principalmente pelo órgão marcando presença novamente. Presença essa muito boa, por sinal. A voz de Elvis está perfeita, a banda está em sintonia e Gene Chrisman estava viajando na música, como nota-se pelas pancadas que ele dá na bateria em uma certa altura. Se não fosse uma pequena errata no tempo no final bem que poderia ser o master. Foi acertadamente lançada como single, porém totalmente ofuscada por ser lado B de In the Ghetto, o que transformou esse single de Elvis um dos melhores de sua carreira e o único usado para promover o álbum From Elvis In Memphis. Elvis sabia do seu potencial tanto é que a ensaiou em 69 e 70, porém, talvez por ser uma música muito complexa, nunca ganhou uma versão ao vivo. Outro grande desperdício em termos de palco nos anos 70.
19- IF I´M A FOOL (take 3): A Bilko só cometeu um erro neste que é o mais idolatrado dos bootlegs: encerra-lo com a fraquíssima If I´m a Fool. Sério mesmo, esse country de ritmo arrastado e letra capenga (para não dizer corna, com todo respeito aos leitores) não acrescenta em nada na discografia de Elvis e é notável o desinteresse da American Band. Elvis, pelo contrário, parece botar fé na música e entrega um excelente e compenetrado vocal até mesmo neste take que não é o master. Foi gravada para agradar o pai de Elvis que adorava a música (por aqui tiramos o quanto Vernon era caipira!). Junto com From a Jack to a King o pior momento do disco, sem dúvida. Foi merecidamente negligenciada e empurrada para igualmente negligenciado álbum Let´s Be Friends Mas, esses dois deslizes não mancham o mais monumental trabalho de Elvis em estúdio. Elvis ainda voltaria nos dois dias seguintes para botar um vocal de harmonia em mais algumas músicas, consertar alguns erros e gravar a horrorosa The Fair´s Movin´on (equivocadamente lançada como single, mostrando que a RCA errava até quando estava acertando demais) e o gospel fraquinho Who Am I. Mas as gravações tinham praticamente terminado com If I´m a Fool.
Acabadas as sessões havia um ar de triunfo em todos. Os resultados foram sentidos quando os singles e álbuns começaram a serem lançados com um sucesso de crítica e público quase unânimes.Como Peter Guralnick mencionou, todos tinham o que comemorar. A gravadora, porque finalmente, tinha vários hits na mão, Chip Momam, porque havia superado todas as dificuldades burocráticas que gravar com Elvis significa e se consolidava como um dos maiores produtores da década. Os fãs porque confirmaram o que o especial de 68 havia mostrado, Elvis estava de volta e agora melhor que nunca. E para o próprio Elvis que conseguiu demonstrar o grande artista que era, dando 100 % de sua voz, alma e coração em canções que ele acreditava que fariam a diferença. Ele agora começara a escalar novamente uma montanha, da qual havia despencado em algum lugar no meio da década. Ferido e abatido na base da montanha ele aguardou ansioso a oportunidade de começar a sua nova escalada, tentando chegar ao topo, já atingindo na década de 50. Depois das sessões de Memphis, Elvis estava mais perto do topo da montanha que nunca. E quanto mais subia mais ele escutava um som familiar, mas ao mesmo tempo assustador, que incitava boas lembranças pessoais, mas péssimas profissionais. Era o som de Las Vegas. E ao chegar ao topo Elvis pode contemplar a cidade do pecado em toda sua plenitude. E lá em cima ele pensou que existiam coisas além do topo da montanha. E decidiu explora-las. E assim, Elvis começou uma nova jornada em sua carreira, cuja primeira parada seria Las Vegas, em 31 de Julho de 69, o terceiro pilar de um dos maiores retornos à cena musical do século
Cantando na língua de Sócrates e Platão
Cantores e instrumentistas do Conservatório de Tatuí se apresentam no primeiro concerto bizantino da história do Brasil; Cláudio Lembo e José Serra confirmaram presenças
Um coro masculino de 25 vozes e uma orquestra de 30 músicos, todos estudantes de nível avançado do Conservatório de Tatuí, apresentam-se no próximo dia 25 de novembro no primeiro Concerto Bizantino da história da América Latina. O evento, que já tem presenças confirmadas do governador Cláudio Lembo e do governador eleito José Serra, vem sendo organizado pela Arquidiocese Ortodoxa Grega Patriu, Academia Brasileira de Arte, Cultura e História e Academia Paulista de Letras. Ele acontece às 20h no Auditório Ulisses Guimarães, no Palácio dos Bandeirantes, à avenida Morumbi, 4.500, em São Paulo.
O Concerto Musical da Liturgia Bizantina visa, conforme o arcebispo ortodoxo Dom Athanasio Tsaliks, “mostrar união dos dois povos e estreitar ainda mais a ponte cultural entre Brasil e Grécia”. A Liturgia Bizantina foi escrita no século IV, em grego antigo, língua indo-européia extinta, falada na Grécia durante a Antigüidade e que evoluiu para o grego moderno.
A apresentação dos músicos de Tatuí no evento ocorre a convite do Palácio dos Bandeirantes e ocorrerá em duas partes. Na primeira, a orquestra especialmente montada pelo maestro Pedro Juliano Delarole apresenta o “Concerto em Ré Maior para piano e Orquestra”, de Haydy, com solo da pianista Maria Filippaki.
Na segunda parte do concerto, a orquestra e o coro masculino, organizado por Cadmo Fausto, apresentam a “Liturgia Byzantina”, com solos de S. Pavlakis e D. Papadimitrakis.
“O diferencial é que cantaremos em grego antigo, o que vem exigindo um grande esforço do coro”, disse o maestro Cadmo Fausto.
Os ensaios do coro vêm sendo acompanhados pela pianista Maria Nicolau Filippaki, diretora do Conservatório Linda Leussi em Athenas. “O grego antigo é muito diferente do grego atual. A língua sequer é ensinada hoje em dia nas escolas. O coro de Tatuí está indo muito bem”, elogiou ela, que viaja de São Paulo a Tatuí semanalmente para auxiliar nos ensaios do grupo.
O evento
Música Bizantina significa o gênero musical oriundo da Igreja Ortodoxa, responsável pela conservação das estruturas melódicas dos gregos antigos, estes por sua vez devedores de Bizâncio e articuladores de um novo sistema técnico-musical que perdurou por dois milênios. O termo “Bizâncio” foi tomado de empréstimo do Império Bizantino de Constantino Magno, imperador no século IV. Esta música está intrinsecamente ligada à igreja católica apostólica ortodoxa do oriente.
Composta por oito tons, a música bizantina se distingue da notação polifônica da Igreja do Ocidente. Divide-se em seis períodos, o primeiro deles situado no ano 325 d.C. e o último no século XVIII. Tal gênero influenciou a música popular dos cidadãos de Bizâncio. Grandes compositores se destacaram.
Há, nos mosteiros, manuscritos com diferentes notações musicais, que abrangem toda a trajetória da composição da igreja. A música bizantina ofereceu a diferentes culturas suas bases musicais.
A peça a ser apresentada no evento é de Dimitri Minakakis, expressão da Divina Liturgia de São João Crisóstomo, escrita no século IV e acompanhada por instrumentos de corda, tal como apresentada nos primeiros séculos do Império Bizantino, sobretudo na Catedral de Santa Sofia.
MUTANTES DOS CONFINS DA BARRA
Glória ao Deus dos Confins da Barra
Marcelo Fróes
Os reformulados Mutantes fizeram sua primeira apresentação em território nacional na noite deste 15 de novembro, quando subiram ao palco do Garden Hall para a filmagem de um showcase exclusivo para o "Fantástico" da Rede Globo. A discreta casa noturna do discretÃssimo shopping center Barra Garden, situado na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, recebeu em torno de 200 convidados VIP - privilegiados para a boca livre de bebidas e amendoim que precedeu à performance de 12 números. O evento foi produzido pela gravadora Sony BMG e pela Rede Globo e contou com alguns VIPs, muitos amigos e funcionários da gravadora, além de seletos membros da imprensa. Lobão, George Israel (Kid Abelha), Rodrigo Santos (Barão Vermelho) e dois membros do Los Hermanos, Rodrigo Amarante e Bruno Medina, puderam ser vistos na platéia e o show começou pontualmente à s 21hs. A performance renderá atrações no "Fantástico" de dois ou três domingos nas próximas semanas, que antecedem à chegada do aguardado DVD/CD da banda, gravado no Barbican de Londres há alguns meses. Há uma possibilidade da Ãntegra da performance virar especial no canal a cabo Multishow, enquanto o grande público aguarda a anunciada data de 25 de janeiro, feriado da fundação da cidade de São Paulo, quando a banda fará seu primeiro concerto propriamente dito - abrindo a turnê que rodará o paÃs em 2007. Uma coletiva de imprensa dos Mutantes está sendo cogitada para os próximos dias.As canções do roteiro incluÃram "Tecnicolor" , "Cantor de Mambo", "Top Top", "Baby", "Le Premier Bonheur de Jour" e "2001" na primeira parte - antes da banda ser forçada a um breve intervalo enquanto as fitas eram trocadas nos equipamentos de gravação de áudio e vÃdeo. Durante este intervalo, Sérgio puxou uma versão de "Virginia" em inglês, não prevista no roteiro. A segunda parte incluiria as canções "Balada do Louco", "Ando Meio Desligado" (com citação de "While My Guitar Gently Weeps", dos Beatles), "A Hora e a Vez do Cabelo Nascer", "A Minha Menina" e "Panis et Circensis", antes da banda encenar um final para retornar para o bis. Quando retornou para o bis, que oficialmente seria "Bat Macumba", a cantora Zélia Duncan anunciou que cantariam três canções - pois, por razões técnicas, duas teriam que ser refeitas. Os Mutantes refizeram "Balada do Louco" e "Ando Meio Desligado" e, antes de encerrar com "Bat Macumba", Arnaldo reclamou: "Vocês só querem tocar música atrás de música, então eu vou embora!" Levantou-se e saiu do palco, enquanto todos riam achando que fosse uma brincadeira. A platéia chamou "Arnaldo, Arnaldo", mas o lendário tecladista (e ex-baixista) não voltou. Percebendo a saia justa, Zélia Duncan anunciou o fim do show e a banda retirou-se do palco com Sérgio Dias e companhia. A seguir, cenas do próximo capÃtulo.
segunda-feira, 13 de novembro de 2006
Romance biográfico põe Marilyn no divã
Misto de ficção, ensaio e biografia, "Marilyn, Dernières Séances" retrata a relação pouco (ou muito) freudiana entre a atriz e seu analista
Livro lançado na França pelo psicanalista Michel Schneider cria diálogos de sessões de análise e mostra "loucura passional" em relação
LENEIDE DUARTE-PLONCOLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE PARIS Como a maioria das celebridades de Hollywood, Marilyn Monroe (1926-62) tinha seu analista. Insegura, lutando contra uma insônia tão monumental quanto sua dificuldade de viver, a atriz era fascinada pela teoria freudiana da cura pela palavra. Sem contar Anna Freud, filha do pai-fundador, cujo divã freqüentou em Londres, quando filmava "O Príncipe e a Corista" (1957), Marilyn teve três analistas. Mas, com toda a angústia que a habitava, a loura platinada podia ser também muito engraçada. Elia Kazan, de quem foi amante, definiu-a como uma das pessoas mais divertidas que conheceu. A psicanálise não a ajudou a se livrar das anfetaminas, como mostra o livro "Marilyn, Dernières Séances" (últimas sessões), do psicanalista francês Michel Schneider. O romance -entre os mais vendidos na França desde que foi lançado, em setembro, e com lançamento previsto para o segundo semestre de 2007 no Brasil pelo selo Alfaguara, da Objetiva- reconstitui brilhantemente a relação complexa entre Marilyn e seu último analista, o psiquiatra Ralph Greenson. Com ele, a atriz teve durante 30 meses uma relação intensa e pouco ortodoxa. Greenson -que desempenhava o papel de analista, conselheiro e guru da atriz- foi a última pessoa a vê-la com vida e a primeira a vê-la morta. Mas o Greenson do romance, como o inspetor que investiga o caso, lança dúvidas sobre a tese do suicídio. "Eles não tinham um caso de amor, mas viveram uma história passional de domínio e dependência recíprocas, a mil léguas de distância da ortodoxia freudiana", disse Michel Schneider ao jornal "Le Monde", que, como toda a imprensa francesa, não poupou elogios a um "romance notável sob todos os pontos de vista". RefúgioEm Hollywood, atores e realizadores descobriram na psicanálise um refúgio contra a loucura e a depressão que rondavam os estúdios. John Huston, que dirigiu "Freud Além da Alma", baseado num roteiro de Jean-Paul Sartre, costumava lembrar que a psicanálise e o cinema nasceram no mesmo ano. "Marilyn, Dernières Séances" é um romance. Mas os personagens são verdadeiros, e a maior parte dos fatos aconteceu. Freqüentemente, o leitor se surpreende lendo o livro como uma biografia de Marilyn, que Schneider descreve como uma "drogada de freudismo". O autor exercita seu talento de romancista ao criar diálogos de sessões de análise e tecer os fios emocionais que ligavam o analista a sua analisanda, por quem Greenson era fascinado. Em certo momento, após a morte da atriz, ele diz: "Ela tinha virado minha filha, minha dor, minha irmã, minha loucura". Abalado pela morte da paciente, "crucificado pela imprensa", Greenson procura um colega para retomar sua análise. "A primeira sessão durou 12 horas", escreve o romancista. O livro é um notável romance-ensaio- biografia que tenta reconstituir o que se passou nos meses em que Greenson e Marilyn "foram envolvidos na loucura passional de uma psicanálise que extrapolou seus próprios limites". Schneider escreve: "Se os diálogos e cartas são muitas vezes inventados pelo autor, na maioria das vezes eles são retranscritos fielmente dos artigos ou dos livros citados na bibliografia". Dos três psicanalistas de Marilyn por quase dez anos, Marianne Kris foi a mais intervencionista, chegando a interná-la numa clínica psiquiátrica, o que não impediu a atriz de incluí-la em seu testamento. Kris era próxima de Anna Freud e também foi analista de Jackie Kennedy, cujo marido foi amante de Marilyn. Aliás, o próprio Greenson (o personagem ou o analista?) traça um gráfico das relações entre os principais personagens da história, mostrando como eram próximos, mesmo quando nunca se encontraram, como Marilyn e Jacqueline Kennedy. A fundação criada por Anna Freud para tratar de distúrbios psíquicos de crianças foi a maior beneficiária do testamento da atriz. Apesar de ter sido por pressão de Anna que Huston desistiu de Marilyn para o papel da primeira histérica tratada por Freud, toda vez que Marilyn aparece no cinema ou na TV é a fundação que recebe os direitos de exibição.
MARILYN, DERNIÈRES SÉANCESAutor: Michel Schneider Editora: Editions Grasset Quanto: 29,90 (R$ 57, 532 pág.) Texto Anterior: FrasePróximo Texto: TrechosÍndice
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sábado, 11 de novembro de 2006
O Rei do Rock and Roll
No dia 16 de agosto de 1977 o mundo se surpreendeu com os noticiários da TV e do radio: Morre Elvis Presley, o Rei do Rock and Roll! Passados mais de 25 anos o nome Elvis Presley continua presente nos meios de comunicação e com uma força nunca antes vista na industria da musica. Quando começou a dar os primeiros shows em 1956, Elvis com certeza não esperava que seria o precursor das mudanças que arrebatariam os Estados Unidos e o resto do mundo. A juventude americana tinha em Marlon Brando e James Dean os ídolos que inspiravam a dose de rebeldia que eles precisavam para enfrentar a rigida e conservadora sociedade americana. E por que não dizer hipócrita sociedade americana. Mas faltava a musica que serviria como um hino para a revolução cultural que estava estourando na década de 50. Os programas de TV mostravam rapazes (brancos é claro) que se apresentavam com terno e gravata (por vezes de smoking!) e entoavam canções suaves estáticos na frente do microfone. Era impensável colocar um negro ou a música negra no radio e na TV das famalias americanas. O lendário Sam Phillips deixou uma frase celebre que mostra o espírito daquela época: "No dia que eu achar um branco que cante como um negro vou ficar milionário." Não ficou milionário mas entrou para a historia. A Sun Records era uma pequena gravadora de Memphis que lançava sucessos locais apostando suas fichas em dois estilos o Country & western e o Rhythm & blues, e era também o lugar onde, por alguns dólares, cantores amadores registravam direto no acetato suas canções. Pulando meses de historia vamos direto ao dia 6 de julho de 1954 quando o jovem Elvis Presley (com 19 anos), o guitarrista Scotty Moore e o baixista Bill Black estavam numa sessão com o velho Sam Phillips tentando gravar um compacto nos estúdios da Sun Records. Depois de algumas tentativas sem sucesso Sam resolveu dar um intervalo para a equipe técnica. Enquanto todos conversavam Elvis pegou a guitarra e explodiu a canção That’s All Right Mama. Imediatamente Bill Black acompanhou os acordes no baixo e Scotty Moore entrou com sua guitarra. Ninguém sabia muito bem o que estava fazendo ... mas quando Sam Phillips entrou gritando no estúdio mandando eles repetirem a musica (dessa vez com os gravadores ligados) nascia o Rock and Roll! Mesmo com medo da repercussão que poderia vir (o lado A tinha That’s All Right Mama e no B Blue Moon of Kentucky) por colocar no disco uma musica de negro e uma de branco, fato inédito até então, Sam foi ate a estação WHBO e colocou Elvis no Red Hot and Blues, um programa apenas de blues negros. Em poucos minutos os telefones da radio tocavam sem parar e That’s All Right Mama foi repetida varias vezes naquela noite. Em 19 de julho de 1954 o disco estava à venda nas lojas de Memphis e no fim do mas já alcançava o terceiro lugar nas paradas. Depois disso o mundo e a musica nunca mais foram os mesmos. Elvis Presley vendeu mais discos do que qualquer outro cantor ou grupo na historia da musica. Os números passam de 1,5 bilhões de LP’s e CD’s (mais do que o dobro dos segundos e terceiros lugares: Beatles e Rolling Stones, respectivamente) . A famosa mansão Graceland em Memphis é a segunda casa mais visitada no mundo (só perde para a Casa Branca). Elvis não se destacou só como cantor de rock, foi o único a ter sucesso em vários estilos musicais. O Rei gravou country, blues, baladas, pop e gospel. Mas sua grande contribuição foi unir o Country & western branco com o Rhythm & blues negro e criar não só um novo som mas um novo estilo de vida. Com Elvis Presley e o Rock and Roll a juventude pode enfim seguir imbativel para fazer a Revolução Cultural dos anos 50 e 60. "Não existe nada antes ou depois de Elvis. Ele é tudo." Bruce Springsteen. "Se não fosse por Elvis nós não existiriamos. " John Lennon. "Procuro ver e aprender com ele no palco. E passar um pouco do que ele fazia nos nossos shows." Bono Vox. "Ele era e ainda é o Rei." B.B. King.
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O Rei do Rock and Roll
No dia 16 de agosto de 1977 o mundo se surpreendeu com os noticiários da TV e do radio: Morre Elvis Presley, o Rei do Rock and Roll! Passados mais de 25 anos o nome Elvis Presley continua presente nos meios de comunicação e com uma força nunca antes vista na industria da musica. Quando começou a dar os primeiros shows em 1956, Elvis com certeza não esperava que seria o precursor das mudanças que arrebatariam os Estados Unidos e o resto do mundo. A juventude americana tinha em Marlon Brando e James Dean os ídolos que inspiravam a dose de rebeldia que eles precisavam para enfrentar a rigida e conservadora sociedade americana. E por que não dizer hipócrita sociedade americana. Mas faltava a musica que serviria como um hino para a revolução cultural que estava estourando na década de 50. Os programas de TV mostravam rapazes (brancos é claro) que se apresentavam com terno e gravata (por vezes de smoking!) e entoavam canções suaves estáticos na frente do microfone. Era impensável colocar um negro ou a música negra no radio e na TV das famalias americanas. O lendário Sam Phillips deixou uma frase celebre que mostra o espírito daquela época: "No dia que eu achar um branco que cante como um negro vou ficar milionário." Não ficou milionário mas entrou para a historia. A Sun Records era uma pequena gravadora de Memphis que lançava sucessos locais apostando suas fichas em dois estilos o Country & western e o Rhythm & blues, e era também o lugar onde, por alguns dólares, cantores amadores registravam direto no acetato suas canções. Pulando meses de historia vamos direto ao dia 6 de julho de 1954 quando o jovem Elvis Presley (com 19 anos), o guitarrista Scotty Moore e o baixista Bill Black estavam numa sessão com o velho Sam Phillips tentando gravar um compacto nos estúdios da Sun Records. Depois de algumas tentativas sem sucesso Sam resolveu dar um intervalo para a equipe técnica. Enquanto todos conversavam Elvis pegou a guitarra e explodiu a canção That’s All Right Mama. Imediatamente Bill Black acompanhou os acordes no baixo e Scotty Moore entrou com sua guitarra. Ninguém sabia muito bem o que estava fazendo ... mas quando Sam Phillips entrou gritando no estúdio mandando eles repetirem a musica (dessa vez com os gravadores ligados) nascia o Rock and Roll! Mesmo com medo da repercussão que poderia vir (o lado A tinha That’s All Right Mama e no B Blue Moon of Kentucky) por colocar no disco uma musica de negro e uma de branco, fato inédito até então, Sam foi ate a estação WHBO e colocou Elvis no Red Hot and Blues, um programa apenas de blues negros. Em poucos minutos os telefones da radio tocavam sem parar e That’s All Right Mama foi repetida varias vezes naquela noite. Em 19 de julho de 1954 o disco estava à venda nas lojas de Memphis e no fim do mas já alcançava o terceiro lugar nas paradas. Depois disso o mundo e a musica nunca mais foram os mesmos. Elvis Presley vendeu mais discos do que qualquer outro cantor ou grupo na historia da musica. Os números passam de 1,5 bilhões de LP’s e CD’s (mais do que o dobro dos segundos e terceiros lugares: Beatles e Rolling Stones, respectivamente) . A famosa mansão Graceland em Memphis é a segunda casa mais visitada no mundo (só perde para a Casa Branca). Elvis não se destacou só como cantor de rock, foi o único a ter sucesso em vários estilos musicais. O Rei gravou country, blues, baladas, pop e gospel. Mas sua grande contribuição foi unir o Country & western branco com o Rhythm & blues negro e criar não só um novo som mas um novo estilo de vida. Com Elvis Presley e o Rock and Roll a juventude pode enfim seguir imbativel para fazer a Revolução Cultural dos anos 50 e 60. "Não existe nada antes ou depois de Elvis. Ele é tudo." Bruce Springsteen. "Se não fosse por Elvis nós não existiriamos. " John Lennon. "Procuro ver e aprender com ele no palco. E passar um pouco do que ele fazia nos nossos shows." Bono Vox. "Ele era e ainda é o Rei." B.B. King.
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sábado, 4 de novembro de 2006
O QUE SERIA DO ROCK SEM ELVIS PRESLEY?
Por Valdir Antonelli 30/01/2004 - O que seria do rock sem ele? Talvez nada fosse diferente afinal na mesma época que Elvis apareceu tínhamos Carl Perkins, Jerry Lee Lewis, Eddie Cochran, Chuck Berry, Bill Halley entre muitos outros e estes poderiam, como muitos o fizeram, continuar a tocar rock and roll do mesmo jeito. Por outro lado corríamos o risco de não termos Beatles, Beach Boys, Led Zepellin e sabe-se lá mais quem que tinha o Rei como influência. Uma das hipóteses seria que o rock and roll sobrevivesse em um gueto, assim como o Blues e o Jazz que tem um público restrito. Ou em uma hipótese um milhão de vezes pior, não teríamos rock and roll e nenhum de seus segmentos. Mas só para vocês terem uma leve noção do que é ser Elvis Presley, ele teve apenas 430 discos lançados, claro que aqui entram várias compilações, mas também ficam de fora as várias feitas sem autorização e que encontramos a baciada nas mais diferentes lojas. A minha ultima visão de Elvis Presley foi na noite de 16 de agosto de 1977, eu com apenas 8 anos, na casa de uma vizinha que estava comemorando seu aniversário de 19. Foi uma verdadeira ducha de água fria na festinha que mal tinha começado quando a noticia foi dada no Jornal Nacional. Lágrimas no rosto dela que era apaixonada pelo Rei. Eu, que não entendia porque tanta comoção só porque um cara do outro lado do mundo tinha morrido, gravei aquela imagem e depois de um tempo fui capaz de entender o que tinha acontecido com a música mundial. Mesmo para quem não era fã de Elvis a notícia deve ter caído como uma bomba, afinal era um ícone da música pop que deixava o mundo. Elvis pode até não ser o melhor artista da história do rock, mas com certeza é o maior, foi o único a conseguir arregimentar multidões de adolescentes por onde passava, foi um dos maiores astros do cinema americano, independente da qualidade de seus filmes, mas é impossível que alguém em sã consciência não tenha visto alguns destes e que não tenha um minuto, pelo menos, tido vontade de estar na pele dele. Claro que Elvis foi um astro construído para o estrelato, mas que também contou com a sorte quando foi descoberto por Sam Phillips quando gravava alguns discos. Elvis queria saber como sua voz ficava quando gravada em vinil, e aproveitou esta primeira gravação para presentear sua mãe. Antes de Phillips descobrir o cantor, Elvis ainda gravou outras músicas, sempre versões para clássicos da Country Music ou Blues. Finalmente o dono da gravadora ouviu o trabalho e o chamou para alguns testes. That´s All Right Mama é então considerado o primeiro single oficial de Elvis Presley, que na época ainda era motorista de caminhão. A história diz que Phillips ficou impressionado com a voz de Elvis, o comparando a um cantor negro e apostou nisso, tanto que os primeiros singles lançados não tinham uma foto do Rei, isso para que o produto fosse mais bem aceito pelo mercado, na verdade havia o temor de que se vissem a cara de um jovem branco, cantando músicas de negros ofendesse à sociedade moralista americana e por tabela não chegasse aos negros que poderiam achar que estavam roubando sua música. Logo ele se transforma em sensação em Memphis com um som que era mistura de blues e country e que originou o Rockabilly, ainda neste começo as músicas não passavam de versões para clássicos, mas graças à postura de Elvis frente a um microfone, sua voz e ao ineditismo do ritmo, o cantor aos poucos se tornava muito grande para a cidade. Com isso atrai o interesse das grandes gravadoras e em particular do Coronel Tom Parker, Parker vendo todo o potencial de Elvis e sabendo que Sam Phillips não poderia bancar este sucesso costura um acordo entre a Sun Records (gravadora de Phillips) e a RCA, obviamente com ele se tornando empresário do Rei. O passe de Elvis foi avaliado em apenas 35 mil dólares, uma fortuna para a época, mas muito pouco se analisarmos pelos dias de hoje, lembrando o quanto já faturaram em cima do nome Elvis Presley. Com isso em 1955 Elvis passa a ser um contratado da RCA, uma das maiores gravadoras americanas na época. E é aqui que a história do maior astro do rock mundial realmente começa. Na RCA, graças a influência de Parker, Elvis aos pouco vai abandonando as regravações e deixando de lado a força roqueira das primeiras músicas. A medida que o sucesso aumentava, suas canções iam se tornando cada vez mais pop e açucaradas. Mas para o público esta leve mudança não quis dizer nada. O primeiro single lançado pela RCA com Heartbreak Hotel foi direto para a televisão, mostrando aos Estados Unidos quem era o dono daquela voz. Não é preciso dizer que isso alçou o cantor ao estrelato. Seus singles seguintes continuaram na mesma balada, sendo que Houd Dod/Don´t Be Cruel se tornou o single mais vendido na história dos Estados Unidos até aquele momento. Só em 1956 a RCA botou na praça 2 discos de Elvis, que ainda não era responsável por nenhuma das letras. Mas só a música era muito pouco para as ambições de Elvis, e principalmente de seu empresário, Cel Parker, e assim Love Me Tender, o filme é gravado. Elvis passou a ganhar duas vezes, com os filmes e com os discos que estes filmes rendiam. E a balada passou a ser esta, para cada filme estrelado pelo Rei, um disco era lançado. No embalo de Elvis outros cantores que acabam participando dos filmes também faziam sucesso, como o THe Jordanaires, grupo que tinha uma grande influência da música gospel e que geralmente faziam os vocais de apoio para Elvis. Mas as más influências começam a dar a tônica às músicas. Dean Martin começa a mexer na forma que Elvis canta, deixando a interpretação exagerada, mas nada ainda que afetasse a qualidade das composições. Em 1958, por força do tempo que Elvis serviu no exercito americano, os filmes feitos pelo cantor acabaram tendo uma nuance militar. Obviamente Elvis poderia ter ficado de fora do serviço militar, mas a idéia de usar um ídolo popular que largava sua vida normal para servir seu país foi mais forte e claramente teve a ajuda do governo americano, já que Elvis tinha regalias que nenhum outro militar sequer poderia sonhar, como quando sua mãe ficou doente e o cantor ganhou uma semana para poder visita-la. Claro que se o período que ele ficou na Alemanha fosse atrapalhar os lucros, principalmente os do Cel Parker, esta brincadeira militar nunca teria acontecido. Dois anos depois, em 60, Elvis volta a ser civil e sua popularidade é mais alta ainda. Pena que, pelo menos para os críticos musicais, a qualidade de suas músicas começa a decair. Os críticos alegam que Elvis começa a se repetir, a usar sempre a mesma fórmula em suas canções, dando mais atenção às baladas em detrimento do rock and roll. Mas o que Elvis queria era se tornar um ator respeitado, então sua carreira foi em direção à Hollywood, com isso as canções passaram a ficar em segundo plano. Tanto que durante a década de 60 ele fez em média três filmes por ano. Todos com suas trilhas lançadas para aproveitar o sucesso dos filmes. Ainda nos anos 60 sua criação musical ficou quase que totalmente restrita às trilhas dos filmes que estrelava, muitas músicas gravadas nesta época acabaram ficando nas gavetas da gravadora porque não se encaixavam em nenhuma trilha. Com o tempo estas músicas acabaram entrando como bônus nos relançamentos feitos pela gravadora, tanto que até hoje se descobrem faixas não lançadas em em nenhum disco. Muita coisa boa acaba ficando de fora, já que o critério era manter a fórmula antiga, para não correr o risco de perder fãs. O que vemos é um Elvis que confia totalmente nas idéias de Parker, maior responsável pela qualidade das canções e pelo excesso de filmes, aos poucos a credibilidade do Rei vai diminuindo à medida que a força de Parker aumenta. O problema foi que, com sua dedicação quase que exclusiva ao cinema, Elvis simplesmente perdeu o bonde da história do rock and roll. Quase no final da década, seus filmes já não estavam atraindo as multidões de antes, e a venda dos discos estava decaindo perigosamente. Agora os novos queridinhos eram os Beatles, que nunca negaram que Elvis era um ídolo, principalmente para John Lennon. Em 64 os Beatles superam Elvis em vendas nos Estados Unidos. Vendo isso ele resolve voltar a se dedicar à música. A primeira mudança, ainda que quase imperceptível, foi a gravação de Tomorrow Is a Long Time, de um tal de Bob Dylan. Coincidentemente ou não, 68 marca seu casamento com Priscilla e o nascimento de sua única filha Lisa Marie e este ano marca realmente uma volta, ou quase, às suas raízes musicais. E graças a um especial que o cantor fez na NBC, e que já foi destaque a pouco tempo na TV Bandeirantes, Elvis teve a chance de realmente mostrar que é um ótimo músico e cantor. Finalmente em 69, Elvis grava seu primeiro disco, em muitos anos, sem estar ligado a alguma trilha sonora, Elvis in Memphis demonstra que o cantor quer retomar sua antiga posição de estrela, mas sem se vender. O disco, assim como os singles lançados posteriormente de Suspicious Minds e In the Ghetto, fazem o Rei voltar ao topo das paradas americanas, mesmo assim os críticos detonam seu trabalho, mas mais por culpa das composições e arranjos do que pela voz e presença de Elvis Presley. Elvis também volta a se apresentar ao vivo em uma série de shows em Las Vegas e sai pela primeira vez do país, para tocar no Hawaii. Dizem que ele nunca tinha se apresentado fora por problemas de Parker com a imigração. O cinema também passa a ser apenas história, com a dedicação exclusiva à música. Os novos discos de Elvis voltam a vender bem, mas a performance do Rei nas listas de mais vendidos não é grande coisa, até 72 nenhum dos lançamentos entraram entre os 10 discos mais vendidos, até que Burning Love, lançado neste ano, ultrapassa esta barreira. Entrando nos anos 70 a produção de Elvis se mostra totalmente diversificada, alguns diriam que o cantor estava sem rumo artístico, já que gravava discos com estilos diferentes, indo do blues ao gospel. Acerta um contrato de 8 anos com o International Hotel em Las Vegas onde se apresenta quase que diariamente com ingressos totalmente esgotados. É nesta época, para aliviar o stress das gravações e shows, que ele começa a se envolver com as drogas. Independente deste problema ele se torna o artista mais bem pago do mundo da música, fazendo, durante dois anos seguidos, shows totalmente lotados, recorde até hoje imbatível. O Rei volta a ser o centro das atenções do mundo da música, seus shows passam a ser concorridíssimos, reza a lenda que até John Lennon, Bob Dylan e George Harrison tiveram que pagar, como qualquer outro mortal, pra assistirem uma apresentação no Madison Square Garden em 72. No ano seguinte ele faz um show ao vivo, transmitido para o mundo inteiro, diretamente do Hawaii. A apresentação foi vista por mais de um bilhão e quinhentos milhões de pessoas no mundo inteiro. Elvis novamente é uma celebridade. Só que, apesar de sua vida profissional ir muito bem, a parte pessoal esta desmoronando. Começam os problemas que culminaram com o fim de seu casamento com Priscilla. Elvis também começou a engordar de uma forma totalmente sem controle e seus problemas com as drogas pioraram, já que ele costumava misturar remédios com álcool e outras drogas. Também seu relacionamento com o Cel Parker ia de mal a pior. Tudo isso resultou em sua morte, em 16 de agosto de 1977, e até hoje as causas são motivo de especulação por parte dos fãs, o que se sabe é que as drogas contribuíram para isso. Mesmo assim, depois de sua morte, sua gravadora, e muitas outras, continuaram a lançar discos e mais discos, já que ainda haviam centenas de músicas gravadas mas nunca lançadas. Com a chegada do CD, a RCA começou a onda de relançamentos, todos os discos do Rei já saíram em CD com bônus e a última moda é pegar uma música menos conhecida de Elvis, botar umas batidas eletrônicas e lançar diretamente nas pistas de dança. Com isso o culto ao rei continua rendendo uma boa grana para todos os envolvidos. Com tudo isso dá pra perceber que, independente da qualidade de sua música ou filmes, Elvis é sem dúvida o maior nome da música mundial. Nunca deixou de estar em evidência, mesmo nos tempos de decadência física e emocional, sua música nunca deixou de atrair milhares de pessoas. A mistura de uma carinha bonita com o rock and roll, e principalmente suas performances sexuais são copiadas até hoje pela industria da música, que vê nisso uma fonte de lucro fácil, em detrimento da música é bom que se diga. Mas, para sorte dos fãs, o que fica na memória são os bons momentos do cantor, os filmes que invariavelmente invadiam a nossa Sessão da Tarde, e o poder de sua voz, capaz de hipnotizar quem se propunha a escutar. Mas uma pergunta fica no ar: Será que Elvis, se estivesse vivo, estaria fazendo o mesmo tipo de música até hoje? Será que continuaria atraindo multidões por onde quer que fosse? Será que ele seria este mito ou apenas mais um músico decadente vivendo de seus sucessos passados? São perguntas que ficarão sem resposta a não ser que Elvis resolva voltar de seu esconderijo no meio do Oceano Pacifico e provar para todos que ele realmente não morreu.
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