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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Os Beatles: uma história social

Can't buy me love, do baterista e escritor Jonathan Gould, é o melhor livro já feito sobre os Fab Four

Dizem as línguas mais ferinas do meio musical que o baterista é aquele cara que acompanha os músicos. Pura maldade! Que o diga o batera e escritor Jonathan Gould, autor de Can't buy me love, talvez o melhor livro já feito sobre os Beatles, lançado no Brasil pela editora Larousse, a mesma que publicou a também excelente biografia da banda produzida por Bob Spitz.

Publicado em 2007, Can't buy me love utiliza como fontes primárias quatro biografias sobre os Fab Four, a última delas a já citada de Bob Spitz, de 2005. As duas primeiras foram escritas na década de 1960, no calor da beatlemania, por Michael Braun (Love Me Do, de 1964) e Hunter Davies (A Vida dos Beatles, de 1968). A terceira, Shout, de Philip Norman, saiu em 1981, um ano após a morte de John Lennon.

Mas o que diferencia o trabalho de Gould dos demais é que o livro, resultado de 20 anos de pesquisas, vai muito além da mera biografia dos quatro rapazes oriundos da classe trabalhadora de Liverpool que, falando num carregado sotaque scouse (o dialeto liverpudliano) , mudaram o panorama da música pop internacional e, praticamente, criaram o que se entendeu por indústria fonográfica até o advento do download digital (para se ter uma ideia do poder dos Beatles, eles foram responsáveis por 80% do faturamento da gigante britânica EMI em 1964). Ambicioso, o livro do baterista-escritor pretende ser uma espécie de "história social" da banda, nos moldes do grande livro de Paul Friedlander, Rock'n'Roll: Um História Social, que foi lançado no Brasil pela Record e encontra-se na quinta edição.

Como o subtítulo indica, a obra explica em detalhes o ambiente econômico, político e social que possibilitou o surgimento do maior grupo de rock de todos os tempos. Descreve o período de formação musical em Hamburgo e acompanha cada lançamento das músicas que cativaram a juventude da época, que vivia numa espécie de agridoce prelúdio dos tempos complicados que viriam logo a seguir: a Inglaterra com o escândalo do caso Profumo, e os Estados Unidos apenas 11 semanas antes da beatlemania tomar conta do país com a apresentação no programa de Ed Sullivan, acompanhando pela televisão o assassinato do presidente John F. Kennedy.

E num breve período de oito anos, do dia 1º de janeiro de 1962, data em que eles fizeram o malogrado teste para a Decca Records, até 3 de janeiro de 1970, quando George, Paul e Ringo se reuniram em estúdio pela última vez para finalizar a gravação de I Me Mine (John estava de férias na Dinamarca), eles produziram uma quantidade inigualável de belíssimas canções, até hoje no coração de todos os fãs.

Can't buy me love: os Beatles, a Grã-Bretanha e os Estado Unidos, Jonathan Gould. Tradução de Candombá. Larousse (São Paulo) 752 págs. R$ 99

DORVA REZENDE

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