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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Nao concordo, soh estou repassando... Shaki eh genial, ponto.

Shakira pensa que somos todos idiotas

Seg, 09 Nov, 02h54

Ela parece ser uma menina legal, divertida, daquelas que a gente tem vontade de convidar para tomar um chope em um final de tarde ensolarado, muito diferente da imagem voluptuosa e encharcada de sexualidade com a qual os fãs ficam babando quando a vêem na TV, nos DVDs e nos shows. Mas até mesmo uma garota bacana como ela se rendeu aos "estrategistas de gravadoras", seres abjetos que, graças a Deus, estão em extinção.


Infelizmente, alguns desses batráquios, responsáveis pelo falecimento de inúmeras carreiras, aconselharam Shakira a ampliar o seu público nos Estados Unidos da maneira mais errada possível: transformando-a em uma espécie de "Lady Gaga quer ser Beyoncé". E o pior: ela comprou essa ideia.

É exatamente isso o que se deduz após a audição de She Wolf, um disco que, desde já, é um dos mais pavorosos trabalhos lançados por uma cantora nesta década.

A colombiana sempre teve uma abordagem um pouco mais roqueira em suas canções, mesmo aquelas que flertavam com o pop descarado. Pois bem, nada disso transparece em cada uma das péssimas canções do disco, todas recheadas com letras tão primárias que fazem Madonna ter a profundidade poética do Morrissey. Tanto ela embarcou nessa "roubada" que chamou para si os créditos de produção das canções, não sem dividir a responsabilidade com diversos "cúmplices", como o pessoal do Neptunes e Wyclef Jean, entre outros.

Pegue a primeira faixa de trabalho, justamente a canção que dá nome ao disco - e que também encerra o CD, em sua versão em espanhol. Além de contar com uma letra simplesmente patética, "She Wolf" é uma tentativa tão sem vergonha de soar eletro que mesmo aquilo que poderia render um bom arranjo - uma batida firme e uma linha de baixo sinuosa e interessante - acaba soterrada por um refrão mais manjado que pastel de queijo na feira, com direito até mesmo a uivos raquíticos e uma malha de teclados com timbres não menos que cafonas (veja aqui o ridículo clipe desta canção medonha).

Em "Did it Again", Shakira torna ainda mais explícita a sua intenção comercial, pegando emprestada uma manjada batida desse pavoroso hip hop que infesta as paradas americanas nos dias atuais e colocando uma vocalização tão afetada que chega a doer nos ouvidos. Para piorar, a mesma música aparece lá pelo final do disco, agora em sua versão em espanhol, o mesmo acontecendo com "Años Luz", a versão hispânica de "Why Wait". Como não há qualquer menção a isso no encarte, fica a impressão de "encheção de lingüiça"...

A mediocridade não pára por aí. "Long Time" traz uma latinidad tão artificial que chega a ser difícil acreditar que Shakira realmente tenha nascido na vizinha Colômbia, enquanto o pseudoeletro que permeia o disco reaparece nas horríveis "Men in This Town" e "Why Wait", esta última acrescida de melodias árabes mais fajutas que fantasia de sheik em baile de Carnaval, contando ainda com um teclado com timbre breguíssimo.

Shakira ainda tenta copiar descaradamente Beyoncé em "Good Stuff", tanto na vocalização canhestra - utilizando a mesmíssima fórmula de divisão da melodia - quanto na batida entrecortada. Essa mesma intenção aparece na parceria com Wyclef Jean em "Spy", aqui com uma concisão rítmica mais bem elaborada e simples ao mesmo tempo.

É claro que nesse balaio de gatos não poderia faltar uma canção de temática "cigana". Então, tome uma manjada "Gypsy", que tem pelo menos o mérito de lembrar um pouco da sonoridade que trouxe fama à cantora, com uma boa mistura de mandolim, banjo, tablas e tambores. Talvez com a consciência pesada, Shakira resolveu incluir uma faixa mais roqueira, "Mon Amour", que acabou soando como um pastiche da... Pitty! Deus me livre!

Infelizmente, a cantora buscou produzir e reproduzir aquilo que o maciço mercado americano supostamente espera ver/ouvir de uma cantora interessada apenas em vender discos e não aquilo que certamente seria coerente com o seu direcionamento musical. Não há qualquer problema em um artista que deseja surpreender as pessoas. O problema surge quando isso é feito de maneira artificial, sem um pingo de espontaneidade.

Até quando vamos aturar atitudes paleozóicas como esta? A quem Shakira tenta enganar?



Regis Tadeu é editor das revistas Cover Guitarra, Cover Baixo, Batera, Teclado & Piano e Studio. Diretor de redação da Editora HMP, crítico musical do Programa Raul Gil e apresenta/produz na Rádio USP (93,7) o programa Rock Brazuca.



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