
Solomon Burke ou “The King of Rock n' Soul”, como comumente é chamado, nasceu na Filadélfia e entrou no mundo da música através do gospel, ainda muito cedo. Antes de entrar na adolescência, o pequeno Solomon conduzia o seu próprio programa de rádio, que tinha o gospel como tema central e começou a cantar no final dos anos 50, influenciado por artistas como Nat King Cole, Muddy Waters, John Lee Hooker, Ray Charles e Big Joe Turner. Numa época em que o rock and roll estava entrando na adolescência e R & B estava apenas começando a obter o seu groove e seu espaço, Solomon Burke estourou em cena e quebrou as barreiras culturais da época, conseguindo um enorme sucesso com “Just Out of Reach (of my Two Empty Arms)”, do disco fundamental “Rock ‘n’ Soul”, de 1964, redefinindo, a partir daí, a forma como o mundo iria pensar sobre música. Nascia assim o rei da fusão do rock com o soul, conquistando os corações e os quadris de seus ouvintes; não foi a toa que foi apelidado pelo lendário produtor Jerry Wexler da Atlantic Records como "o melhor cantor soul de todos os tempos”; num cenário com tantos mestres é um pouco arriscado dizer isto, mas seu valor é inegável e sua música de fusão é totalmente original. Com esta mistura de pop e soul, Burke conseguiu boa popularidade, apoiada em singles como "Just Out of Reach", "Cry to Me", "If You Need Me", "Got to Get You Off My Mind", "Tonight's the Night" e "Goodbye Baby (Baby Goodbye)". Sua popularidade cresceu muito no próprio meio musical; sempre foi elogiadíssimo por colegas e críticos. Tom Waits diz que ele é "um dos arquitetos da música americana. Mick Jagger admitiu abertamente que tentou imitar o fraseado de voz, verdadeiramente inimitável, que Burke fez em “Cry To Me”. Nomes como Otis Redding, Wilson Pickett, Bruce Springsteen e Tom Petty sempre incluíram canções de Solomon em seu repertório. A lista das celebridades e fãs é gigantesca e vem de todas as épocas e áreas; só para dar uma ideia de onde vem os elogios: Travis Barker, Johnny Depp, Jerry Lee Lewis, Norah Jones, Anthony Hamilton, Ben Harper, Kid Rock, Dolly Parton, Elvis Costello, John Mayer, Buddy Miller, Dr. Jonh , BB King, Aretha Franklin, Patti LaBelle, Chubby Checker, Fats Domino e Little Richard. A diferença de seu trabalho é uma atividade ininterrupta de sucesso; foi produtivo nos anos 70, 80 e 90 e nos anos 2000, quando já poderia dar uma “reduzida” no ritmo, precisamente em 2002, quarenta anos depois da edição do seu álbum de estreia, homônimo, Solomon Burke lançou"Don't Give Up On Me", um disco de versões de músicas compostas por artistas como Bob Dylan, Tom Waits, Van Morrison e Brian Wilson, com produção a cargo de Joe Henry e eleito pela respeitada revista "Mojo" como um dos disco do ano. Completados 70 anos de vida em março passado , Solomon lança um novo disco: Nothing’s Impossible; não bastasse trazer, mais um vez, este mestre em boa forma, o disco é marcado por ser o último álbum completo, produzido por outra lenda do soul: o produtor Willie Mitchell (que morreu em janeiro de 2010), o arquiteto do som de Memphis, o homem por trás de hits eternos de Al Green, Ann Peebles e tantos outros. Neste disco, o famoso Memphis Soul é enfatizado, porém soa moderno, sem apelos nostálgicos, apesar de sua importância e unanimidade em termos de elogios; sua popularidade sempre estável, agora reaparece para novas gerações que estão redescobrindo o soul; este disco pode ser uma ótima introdução a um artista que tem mais de 50 anos de carreira e ainda não se cansou, nem se conformou, acreditando que “nada é impossível”...
Solomon Burke - Nothing’s Impossible

Ouça, deste disco: Oh What A Feeling - Dreams - Nothing’s Impossible - Say You Love Me Too - I’m Leavin’
Por Roberto Maia às 10h29

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