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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Milton Nascimento retoma raízes mineiras e reúne músicos jovens em novo disco

MARCUS PRETO
DE TRÊS PONTAS

Construída na primeira metade do século passado, a casa mais famosa de Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, olha para a rua através de três janelões verticais.

Estreantes ficam entre alegria e espanto de gravar com Milton Nascimento

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Por trás da fachada branca há três quartos pequenos, sala de estar, sala de jantar, cozinha. E, ao fundo, um jardim onde estão plantadas três bananeiras, duas jabuticabeiras e uma laranjeira. Todas dão frutos.

Turistas, alguns vindos de muito longe, rondam a construção com câmeras e olhos curiosos. Foi ali que Milton Nascimento, 67, viveu sua primeira juventude, entre os 8 e os quase 20 anos. Ali, formou-se músico, escreveu canções importantes.


Leticia Moreira/Folhapress
O cantor Milton Nascimento na casa onde viveu com seus pais na adolescência em Três Pontas
O cantor Milton Nascimento na casa onde viveu com seus pais na adolescência em Três Pontas

Pois são justamente aquela cidade, a casa branca e a juventude do artista que compõem agora o tripé de sustentação do seu próximo álbum, "...E a Gente Sonhando", programado para chegar às lojas no final do mês.

Nele, Milton reuniu cerca de 25 jovens músicos de Três Pontas e redondezas _cantores, instrumentistas, compositores. E destacou, em números solos, três novas vozes masculinas da cidade.

AFILHADOS

É algo semelhante ao que fez no disco "Pietá" (2002), quando amplificou aos ouvidos do Brasil --e do mundo-- as vozes das cantoras Marina Machado, Simone Guimarães e Maria Rita.

Os afilhados de agora são Bruno Cabral, 19, Ismael Tiso Jr., 24, e Paulo Francisco, 27 --os dois últimos, parentes de outro trespontano famoso, Wagner Tiso.

Milton foi apresentado à maior parte desses músicos pelo violonista Marco Elízeo, também trespontano, durante a gravação do DVD de "Pietá", em 2006. De lá à concretização de "...E a Gente Sonhando", foram três anos de preparativos.

"Quando a gente decidiu que ia começar a gravar o CD, uns já estavam na faculdade no Rio, outros em São Paulo, Belo Horizonte", diz Milton. "Custou para conseguirmos juntar todo mundo."

As gravações aconteceram entre julho de 2009 e julho de 2010, inicialmente em Três Pontas e depois no Rio de Janeiro, no estúdio caseiro de Milton, na Barra.

A maior parte dos músicos envolvidos no trabalho jamais havia pisado em um estúdio. "Você pode imaginar o trabalho que eu tive?"

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