Manifestação artística que une música, teatro, poesia e artes plásticas, a ópera agora chegou ao 3D. O diretor Julian Napier utilizou a tecnologia, que faz as mãos dos cantores se projetarem na direção do público, para filmar "Carmen", de Bizet.
O resultado, contudo, é para lá de decepcionante. Fica aquém não apenas da luxúria visual de filmes 3D como "Avatar" e "Alice no País das Maravilhas", como ainda perde para as transmissões em 2D, mas com qualidade HD, das óperas do Metropolitan de Nova York.
Napier escolheu uma produção bonita e colorida de "Carmen", da Royal Opera House, de Londres, dirigida por Francesca Zambello.
No título em 3D, os nomes são bem menos conhecidos e não exatamente carismáticos. De qualquer forma, o nível da Royal Opera House é alto o suficiente para garantir uma interpretação digna da partitura de Bizet nas mãos do maestro Constantinos Carydis, e protagonistas como Christine Rice (Carmen), Bryan Hymel (Don José), Aris Argiris (Escamillo) e Maija Kovalevska (Micaela).
O maior problema desta "Carmen", assim, não é musical, mas visual. Na projeção feita para a imprensa, a ópera parecia fora de foco, embaçada. O som, excessivamente alto e dando estouros no começo da sessão, foi acertado, mas os problemas com a imagem seguiram.
Junte-se a isso legendas com erros de digitação e construções verbais esdrúxulas e temos um espetáculo no qual só o encanto da música de Bizet consegue manter o espectador na sala. Melhor ver um DVD em casa.

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