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| Livro apresenta uma abordagem inédita sobre o filósofo ateniense |
Em "Dossiê Platão", o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. apresenta uma abordagem inédita sobre o pensador ateniense, uma interpretação além do platonismo comum e dos frequentes anacronismos.
Desde Plotino e Agostinho de Hipona, a obra de Platão difundiu ideias que influenciaram teóricos por mais de dois milênios.
Capaz de corrigir a professora Marilena Chaui e de afirmar que o uso do conceito de indústria cultural --associado a Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973)-- é "uma vulgata de cunho marxista que tudo que toca transforma em lixo não biodegradável", Ghiraldelli, autor de mais de 50 títulos, é um nome polêmico no meio acadêmico.
Abaixo, leia um trecho do novo livro.
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CAPÍTULO 1
1. O divino Platão
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Não é incomum encontrarmos na historiografia que "Platão" nunca foi outra coisa que não o apelido de um cidadão ateniense chamado Aristocles. No latim, platus, quer dizer "largo" ou "amplo", daí teria vindo o codinome para um homem de ombros largos ou, como a helenista Julia Annas diz, diversas possibilidades, incluindo entre elas até mesmo a referência a um escritor de estilo amplo. Helenistas com trabalhos mais recentes, como a própria Annas, têm preferido lembrar que apesar do avô de Platão ter se chamado Aristocles, não há uma fonte segura que nos dê o nome do filósofo. Pertencente à elite social, política e econômica de Atenas, poderia Platão (427-427 a.C.) ter passado uma vida sendo sempre referido por um apelido? Ou seria mais razoável acreditar que "Platão" nunca tenha sido outro nome senão o nome mesmo de Platão? Não sabemos.
Platão não era um membro comum da elite, mas um daqueles indivíduos cujos parentes foram figuras centrais da vida política ateniense. Segundo sugestão dele mesmo, sua linhagem remetia aos primeiros legisladores gregos, eles próprios ligados nada mais nada menos que aos deuses. Platão teria sido um herdeiro de Sólon, um dos grandes primeiros legisladores de Atenas e o introdutor da democracia na cidade. Sólon foi um dos "Sete Sábios da Grécia", em geral tomados pela tradição helênica como homens ligados às divindades por laços de parentesco ou agraciamento.
Envoltos na nuvem que funde lenda, mito e história, Tales, Periandro, Pítaco, Bias, Cleóbulo, Quílon e Sólon compuseram a lista dos "Sete Sábios". Conta-se sobre eles que certo dia os pescadores de Mileto encontraram uma trípode de ouro e, então, foram ter com o Oráculo de Delfos a fim de saber o que deveriam fazer com o achado. O Oráculo os aconselhou a entregar ao mais sábio dos homens. Eles a deram a Tales, que declinou da honra afirmando que havia outros bem mais sábios. A trípode passou, então, por seis homens da lista e todos tiveram a mesma atitude de Tales. Mas Sólon, o sétimo a recebê-la, ofereceu-a a Apolo, dizendo que o deus era sem dúvida o mais sábio.
Sólon mostrou-se aí não só inteligente, mas efetivamente sábio. Sua atitude não foi a de um mero devoto aos deuses, alguém sempre zeloso de não afrontá-los, mas a de um autêntico legislador capaz de não desperdiçar a oportunidade de deixar um recado a Atenas: por mais conhecimento que um mortal possa ter, ele não tem o conhecimento do tipo daquele que pertence aos deuses.
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Autor: Paulo Ghiraldelli Jr.
Editora: Universo dos Livros
Páginas: 128
Quanto: R$ 17,95 (preço promocional)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha



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