da Livraria da Folha
| Divulgação |
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| Livro traz roteiro de leitura e interpretações de contexto |
Em "Carlos Drummond de Andrade", Francisco Achcar, professor de língua e literatura latina e autor de "Lírica e Lugar-Comum", apresenta um roteiro de leitura para a obra de um dos dos maiores poetas do Brasil e um dos grandes do mundo em sua época.
Com comentários e interpretações de contexto, o livro faz parte da coleção "Folha Explica", série composta por mais de 80 volumes breves que abrangem de forma sintética diversas áreas do conhecimento. A finalidade é oferecer condições para que o leitor fique bem informado e possa refletir sobre questões atuais por um preço acessível.
Cada título resume o que de mais importante se sabe sobre o assunto. Darwin, Nietzsche, Freud, música popular, narcotráfico e violência urbana são exemplos da diversidade dos temas tratados.
A lista de autores que contribuíram para a série inclui nomes como Drauzio Varella, Alfredo Bosi, Marcelo Coelho, Fernando Gabeira, Moacyr Scliar, Marcelo Leite e Rubens Ricupero. Leia, abaixo, um trecho do exemplar.
Atenção: o texto reproduzido abaixo mantém a ortografia original do livro e não está atualizado de acordo com as regras do Novo Acordo Ortográfico. Conheça o livro "Escrevendo pela Nova Ortografia".
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MODERNISMO
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Quando Drummond começou a publicar poemas, na década de 20, o Brasil estava passando ainda pela fase inicial do abalo modernista, apesar de datarem dos anos de 1890 as tentativas dos simbolistas de atualizar a sensibilidade nacional. Gestos de renovação artística e literária já eram perceptíveis no fim dos anos 10 (despontavam Anita Malfatti, Villa-Lobos, Manuel Bandeira, Mário de Andrade), mas eram gestos isolados, que só ganhariam momentum na Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, em 1922. A partir daí, o movimento se alastrou por grande parte do país, como testemunham as revistas que se publicaram e os grupos que se formaram um pouco por toda a parte. A esses "anos heróicos", de implantação polêmica de novas atitudes culturais, sucedeu um período de consolidação e diversificação, em meio a agitado contexto social.
A crise econômica, que se estendeu por toda a década, a partir de 1929 afetou duramente o café, e com ele a oligarquia dominante, logo golpeada pela Revolução de 1930. A imposição ditatorial que inaugura o Estado Novo em 1937, os anos de repressão, a guerra iniciada em 1939, as esperanças conseqüentes ao fim da guerra e da ditadura Vargas em 1945 --esperanças que logo cederiam lugar à ansiedade dos anos da Guerra Fria e da ameaça nuclear--, estes são alguns dos acontecimentos que balizaram uma época em que a literatura brasileira conheceu desenvolvimento e aprofundamento extraordinários.
O ano de 1930 foi memorável também para a poesia (embora a "revolução", no âmbito da literatura, tivesse eclodido oito anos antes). Nesse ano, além da estréia de Drummond, houve outras novidades: Mário de Andrade publicou Remate de Males, início de um período em que sua escrita se afasta de exterioridades e trejeitos do período anterior, e ganha em concentração e intensidade; Manuel Bandeira lançou Libertinagem, seu quarto livro, mas o primeiro de fato moderno, com alguns dos melhores poemas de toda a sua obra; Murilo Mendes e Vinicius de Moraes também estrearam em livro. Com Murilo e Jorge de Lima, iniciar-se-ia depois o influxo surrealista na poesia brasileira. Mas o modernismo, ao mesmo tempo que se afirmava diante da literatura acadêmica combalida, conhecia também tendências mais convencionais, de tons neo-românticos ou pós-simbolistas (primeira fase de Vinicius de Moraes, Augusto Frederico Schmidt, Cecília Meireles).
Nessa segunda etapa do movimento modernista --que vai, grosso modo, de 1930 a 1945--, desenvolvem-se na poesia algumas das características mais marcantes de seu primeiro tempo (inovações rítmicas, humor, paródia, temas cotidianos, linguagem coloquial, elipses e associações surpreendentes), ao mesmo tempo que se amplia a temática e se diversificam os recursos e as tendências estilísticas. Esboça-se então o perfil contemporâneo da literatura brasileira, que, como a literatura internacional, testemunha a emergência de três sistemas explicativos do homem e da sociedade: o existencialismo, a psicanálise e o marxismo. Independentemente de adesão por parte dos escritores, esses sistemas fornecem diversas das grandes imagens que integram o horizonte mítico da época. Contra tal fundo imaginário, novo em muitos de seus aspectos, desenha-se a figura de uma consciência fenomenológica, ou autoconsciência artística que, no caso da poesia, fará da linguagem e do trabalho do poeta temas privilegiados da obra poética.
Esquematicamente, o segundo momento modernista se distingue, sobretudo, por:
- generalização e aprofundamento da mistura de estilos (estilo misto ou mesclado), em que se combinam o elevado e o banal, o grave e o grotesco: temas sérios e problemáticos são tratados com linguagem vulgar e o tom sublime é aplicado a assuntos "baixos" ou banais;
- renovação da temática existencial, ou seja, busca de novos registros para temas como o tempo, o amor e a morte (lembre-se que, em seus inícios, o modernismo brasileiro tem preferência por assuntos nacionais, cotidianos e atuais, e não pelos "grandes temas", associados à poesia do passado);
- elaboração de imagens surpreendentes ou oníricas, em associações inesperadas, revelando influência do surrealismo e da então recente voga da teoria freudiana (importante na obra de Murilo Mendes e Jorge de Lima, a influência surrealista, embora restrita, é notável em momentos isolados da poesia de Drummond);
- envolvimento do escritor nas questões sociais, em textos marcados por revolta e esperança socialista. (durante a guerra e sob a ditadura Vargas, a temática social conheceu, compreensivelmente, seu momento de mais alta incidência);
- reflexão da poesia sobre a própria poesia, ou seja, autoconsciência do poeta em relação a seu trabalho com as palavras. Curioso notar que, se a temática metalingüística interessou intensamente ao experimentalismo poético (que Drummond praticou não só nos anos "heróicos" do modernismo, mas também, ocasionalmente, na época de ebulição do vanguardismo - a poesia concreta - dos anos 50-60), os temas da linguagem e da própria poesia não deixam de estar presentes no neoclassicismo do Drummond dos anos 50, com incidências ocasionais em todo o seu desenvolvimento posterior.
Ao longo de todo o arco de tempo que vai de Alguma Poesia a Lição de Coisas (1930 a 1962), esse quadro de caracteres foi-se constituindo, desenvolvendo, alargando e aprofundando, de livro em livro. Com A Rosa do Povo (1945), a poesia drummondiana atingiu um dos pontos culminantes da estética modernista no Brasil. A partir de então, numa série de obras que inclui Claro Enigma (1951), Drummond realizou uma das mais bem-sucedidas tentativas de associar o modernismo a formas poéticas e lingüísticas da tradição (metros regulares, soneto, fraseado de gosto clássico). Em seu último período, o dado novo que se acrescentou ao repertório drummondiano foi a poesia erótica, surpreendentemente franca em seu espantoso amoralismo.
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"Carlos Drummond de Andrade" :
Autor: Francisco Achcar
Editora: Publifolha
Páginas: 128
Quanto: R$ (preço promocional)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha
Autor: Francisco Achcar
Editora: Publifolha
Páginas: 128
Quanto: R$ (preço promocional)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha



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