Por: João Rodrigo Maroni - Elvis: três décadas sem o Rei do Rock. Elvis Presley não existe! O quê? Ficou louco?! Como assim? Bem, eu não me espantaria se muita gente hoje achasse que o Rei do Rock simplesmente nunca existiu. Principalmente a garotada mais jovem. E não posso culpá-los, posso? Afinal, o cara fez sucesso lá nos longínquos anos 50 e 60, morreu há exatos 30 anos (16 de agosto de 1977) e quase nunca escutamos suas músicas nas rádios brasileiras. Elvis parece ter saído de mentes criativas, tal como Harry Potter, Sherlock Holmes ou James Bond. Um personagem surreal, cuja trajetória mais parece ficção científica. Mas se você decidir fuçar em algumas revistas antigas, nos discos empoeirados lá do vovô ou então apenas dar uns cliques na internet, vai descobrir que o cara é real mesmo e se transformou numa lenda – a maior de todas, pelo menos dentro do universo da música contemporânea. Tem gente que até duvida de sua morte. O Rei do Rock, aliás, estaria vivendo na Argentina! Sem falar na teoria de que ele veio do espaço. Lembra do filme Homens de Preto, quando K (Tommy Lee Jones) diz para o J (Will Smith) que Elvis não morreu, apenas voltou para o planeta dele? Então... Há até quem atribua ao cantor curas milagrosas!
Bobagens à parte, é por essas e outras que Elvis não tem comparação. Virou um mito. Figura controversa, músico talentoso, ícone histórico: sua biografia e trajetória fazem Kurt Cobain parecer um amador. E Elvis continua sendo relevante, até hoje. Elvis vive! “Ih, o cara pirou de vez!” Mas é verdade! Ele vende mais discos hoje do que quando estava por aí. Já acumulou mais de 100 milhões de cópias vendidas – mesmo sendo ignorado pela maioria das rádios comerciais (pelo menos aqui no Brasil). Influenciou artistas como Beatles, U2 e tantos outros. Atualmente, é mais difícil perceber a influência dele em meio à geléia geral que virou a música pop. Mas ela está aí, pode ter certeza.
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Sucesso fez o Rei do Rock buscar refúgio nas drogas.
Biografia
Elvis Aaron Presley nasceu em Tupelo, Mississipi, EUA, no dia 8 de janeiro de 1935. Seu irmão gêmeo, Jesse Garon, nasceu morto. Dá para ver que a vida do menino já começava em circunstâncias bastante peculiares. Para piorar, seus pais – Vernon e Glady – eram paupérrimos. Em 1946, Elvis ganhou seu primeiro violão. Dois anos depois, a família vai para Memphis, no estado vizinho Tennessee. Desde a infância, Elvis sempre foi um ouvinte assíduo das rádios locais, que tocavam muita música negra: blues, jazz, gospel... Cresceu ouvindo esses sons, que acabaram mais tarde influenciando sua música. Enquanto seu verdadeiro talento não despontava, chegou a trabalhar como motorista de caminhão e porteiro de cinema. Em 1953, gravou um disquinho com apenas duas músicas – “My Happiness” e “That’s When Your Heartaches Begin” – que deu de presente de aniversário para a mãe. Naquele mesmo ano, acabou sendo contratado como cantor de estúdio pela Sum Records. Um dia foi visto cantando o blues “That’s Alright” , pulando e batendo no violão. Os produtores na época gostaram da performance diferente de Elvis e pediram que repetisse seus trejeitos. Era 1954. Depois de gravada, a música se tornou um hit na época. Muitos consideram essa gravação como o marco inicial do rock. Claro que não é bem assim. O próprio Elvis já fazia rock, como vimos, antes de 54. Mas é uma data a ser comemorada, sem dúvida. Dois anos depois, Elvis apareceu no programa de tevê The Milton Berle Show e levou a platéia ao delírio com sua coreografia sensual e provocante (para a época) da música “Hound Dog”. O vídeo é outro marco histórico. Causou a ira de muitos conservadores norte-americanos. Começava a nascer ali a imagem da rebeldia do rock e o mundo se rendeu a Elvis Presley. Os sucessos vieram a rodo: "Blue Suedes Shoes", "Hound Dog", "AII Shook up", "Don't Be Cruel" , entre outras. Elvis também passou a se aventurar pelo cinema. Péssima aventura, diga-se de passagem. Fez 33 filmes, a maioria digna de figurar na coluna Cinema Trash.
E foi assim ao longo dos anos, com o cantor colecionando hits e mais hits, entre eles “It’s Now or Never”, “Are You Lonesome Tonight?” e “You Are Always On My Mind”. Porém, o comportamento rebelde do início da carreira foi aos poucos dando lugar ao bom-mocismo – o que não diminuiu seu prestígio artístico. De repente, lá estava um Elvis ídolo da classe-média americana. Serviu o exército, se encontrou com presidentes, enriqueceu, casou-se três vezes, engordou e o sucesso inevitavelmente o levou à dependência química. Drogava-se com remédios. Era o começo do fim. Antes, porém, gravou um discaço – Suspicious Minds (1969). Naquele mesmo ano, participou do histórico festival de Woodstock. Nos anos 70, Elvis já não era mais a mesma figura gloriosa de outrora. Estava viciado em uma penca de medicamentos. Chegou inclusive a desmaiar no palco e foi hospitalizado várias vezes. Morreu em 16 de agosto de 1977, vítima de um ataque cardíaco causado pela ingestão simultânea de pelo menos oito substâncias químicas. Enterrado no quintal da mansão Graceland, em Memphis, onde morou nos últimos anos de vida, Elvis deixou um legado milionário. Todos os anos, milhares de fãs visitam seu túmulo. Este ano, em virtude dos 30 anos de sua morte, diversos eventos em homenagem ao cantor estavam programados, entre eles um concurso de imitadores de Elvis a ser realizado em Graceland.
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Túmulo do cantor é visitado até hoje.
Elvis e eu
Confesso que não sou fã de carteirinha de Elvis Presley (até tenho um CD dele). Mesmo assim, considero-o um artista a ser respeitado e venerado. Mesmo não sendo o compositor da maior parte das músicas que cantava, ele soube como ninguém transformar o rock em algo transcendental. Inventou moda, inspirou o comportamento da juventude dos anos 50 e continua a inspirar muita gente do mundo da música. Tenho umas coincidências de datas engraçadas com o Rei do Rock. Nasci no mesmo dia que ele – 8 de janeiro – e ele morreu no ano em que nasci – 1977. Sinistro!
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João e Elvis têm muitos pontos em comum.

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