21 novos instrumentistas são aguardados para a temporada que começa dia10 de agosto, no Rio
A menos de dois meses da data marcada para o início de sua temporada - 10 de agosto, no Teatro Municipal, na abertura do Festival Beethoven -, a Orquestra Sinfônica Brasileira vive um momento singular: por um lado, aguarda a chegada de 21 novos instrumentistas, que passaram pelas audições realizadas em Londres, Nova York e no Rio a fim de preencher o vazio deixado pela demissão em massa; por outro, readmite três músicos que haviam se insurgido contra o sistema de avaliação imposto pela Fundação OSB e que voltaram atrás.
Os irmãos Paulo e Ricardo Santoro, violoncelistas que em 2011 completam 25 anos de serviços prestados à OSB, e o trompista Eliezer Conrado, com 16 anos de casa, estão sendo reincorporados e vão se submeter a uma prova semelhante àquela que rechaçaram em março. A demissão por justa causa será convertida em dois dias de punição, descontados de seus salários.
Procurado pelo Estado, Eliezer não quis dar entrevista. Ele teria voltado por questões financeiras. Paulo e Ricardo Santoro, que anunciaram a decisão numa assembleia há duas semanas, foram levados mais por motivos particulares. "Não tive escolha. Meu pai, que tem 73 anos, estava adoecendo de preocupação com a gente", disse Ricardo, citando Sandrino Santoro, contrabaixista referência que dedicou a vida à Sinfônica do Municipal do Rio.
"Na assembleia, li uma carta e chorei muito. A pressão é grande e há o constrangimento por causa dos que ficaram, o que é absolutamente natural. Mas o tempo cura tudo."
Paulo lembra que o posicionamento anterior se devia, acima de tudo, à solidariedade ao grupo. "Só que a Fosb cedeu, e os músicos, não, porque não aceitam trabalhar com o maestro (Roberto Minczuk, também diretor artístico da OSB). Numa negociação, alguém tem que ceder", ponderou. "O que eu acho é que o maestro não vai ter mais condição de trabalhar no Rio. Na hora em que ele pisar no palco vai ser aquela chuva de vaia. O público não vai esquecer."
Na internet - front usado pelos músicos demitidos na briga por seus direitos trabalhistas, que conta com o suporte de parlamentares e entidades de classe -, vêm circulando ataques a eles (foram chamados de "covardes", "traidores", "antiéticos"). Apoios também chegaram: como o do pianista Nelson Freire, amigo que demonstrou seu afeto diante das circunstâncias que os fizeram recuar (ainda que tenha, em abril, cancelado concertos com a OSB, "chocado" com as demissões).
Críticas. "Achei estranho, é difícil de acreditar numa pessoa que diz uma coisa e depois diz outra", criticou, por sua vez, o violinista Michel Bessler, ex-spalla da OSB. "O projeto da Fosb é mirabolante. Os estrangeiros que estão vindo, em sua maioria, não vão criar raízes no Rio. A Fosb não respeita a tradição, como a Filarmônica de Israel, por exemplo, sempre fez: manteve Chaim Taub, Uri Bianka, spallas de cabelos brancos, tocando".
Os ex-integrantes da OSB mantêm-se unidos e têm marcado concertos de câmara para junho e julho, em espaços alternativos no Leblon - no dia 6, tocam com Edu Lobo, apoiador do movimento que se intitulou SOS OSB, no teatro Oi Casa Grande, músicas de seu repertório.
Enquanto isso, à atual OSB chegam nas próximas semanas os 12 estrangeiros e 9 brasileiros aprovados nas audições. "São excelentes músicos, que passaram por audições rigorosas. Vale lembrar que temos 41 músicos (os que ficaram) que têm o DNA da OSB. A sonoridade vai ser construída", acredita o presidente da Fosb, Eleazar de Carvalho Filho. Segundo ele, as portas "sempre estiveram abertas" - ou seja, eventuais novas reintegrações podem acontecer.
"Os músicos nos procuraram e ficamos muito felizes, são bem-vindos. Agora vamos ver caso a caso. Cada artista tem capacidade de decisão. Eles enxergaram o futuro da instituição e querem fazer parte. Entenderam que a avaliação tem como objetivo dar um feedback. Será em pequenos grupos de música de câmara, o que já tinha sido oferecido. Temos um conjunto de 60 músicos, o que é suficiente nesse momento para o repertório clássico, mas há nove vagas abertas."
Presente ao concerto de 9 de abril no Municipal, frustrado pela saída da OSB Jovem do palco e pelas vaias quase unânimes, de 20 minutos, a Minczuk, ele não teme pelas apresentações futuras. "Aquilo não dá para qualificar como algo que vá se repetir."
Fonte: Estadão - 15 de Junho de 2011

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